UFRN testa casca de maracujá contra hipertensão

Pesquisa procura voluntários, na faixa de 18 a 60 anos, com hipertensão leve e não medicada

Marcos Neves de Agecom

Um estudo clínico do Departamento de Farmácia da UFRN investiga a eficácia de tratamento para pessoas hipertensas com medicação obtida a partir da casca do maracujá. Para tanto, a pesquisa necessita de voluntários interessados em participar que tenham as seguintes características: hipertensão leve e não medicada, além de estarem na faixa etária dos 18 aos 60 anos.

Intitulada Estudo clínico para avaliar a eficácia e a segurança de um produto natural obtido do maracujá no tratamento da hipertensão, a pesquisa é coordenada pela professora Silvana Zucolotto e faz parte do doutorado da aluna Bárbara Cabral, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. O estudo acontece no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), onde, sob orientação médica do cardiologista Fábio Mastrocola, os pacientes são submetidos a uma série de exames, todos realizados gratuitamente.

Muito usada em dietas de emagrecimento e para diminuição dos níveis de colesterol, a farinha da casca de maracujá é facilmente encontrada em feiras livres e em lojas de produtos naturais, no entanto sua utilização não é amparada cientificamente. Neste estudo, após todos os procedimentos, cuidados e autorizações exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde, a busca é pela comprovação da eficácia de um medicamento criado a partir desse produto.

“O diferencial desse estudo é que foi preparado um extrato da casca, não é apenas a planta seca e triturada. Foram obtidos os metabólitos responsáveis pelo efeito, é algo concentrado. Por isso, ao contrário do que o mercado oferece atualmente, a ideia é produzir um medicamento de fato”, explica Silvana Zucolotto.

Para que um medicamento seja produzido, é preciso que alguns parâmetros sejam atendidos, entre os quais estão os testes em animais de laboratório. De acordo com Bárbara Cabral, todos os procedimentos foram seguidos para que a sua pesquisa chegasse a atual etapa de desenvolvimento no Grupo de Produtos Naturais Bioativos, o PNBio.

“Estudos realizados nas fases preliminares da pesquisa apresentaram diminuição da pressão arterial e melhora na função vascular em ratos hipertensos. Além da eficácia, também testamos a segurança e os resultados foram positivos. Não foram encontradas alterações em órgãos, nem nos padrões bioquímicos e nem índices de toxicidade”, relata a pesquisadora.

As pesquisadoras ressaltam ainda a importância de os voluntários não estarem submetidos a cuidado medicamentoso. “O comitê de ética não permite que se interrompa um tratamento para testar um novo, por isso é necessário que os interessados em participar do estudo tenham em conta que não podem estar tomando quaisquer remédios anti-hipertensivos”, orienta a doutoranda.

Interessados em colaborar com a pesquisa como voluntários devem entrar em contato com as pesquisadoras pelos telefones (84) 981160002 e (84) 999851187.

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