Sindsaúde-RN tenta superar o desânimo dos servidores

Paulo Tarcísio Cavalcanti
Editor

A foto que ilustra a reportagem publicada no portal do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte sobre a aprovação do seu “calendário de lutas” é bem sintomática. Parece refletir o absoluto sucesso que estaria sendo alcançado pelo Governo Fátima no propósito de conter o ímpeto reivindicatório dos trabalhadores: Já que não ficaria bem para a fama e a tradição sindicalista da governadora impedir que reivindiquem, a estratégia passou a ser “vencer (os servidores) pelo cansaço”. A foto em referência, de autoria do setor de comunicação do Sindicato, é essa que reproduzimos para ilustrar  o presente comentário.

A reunião de que trata a reportagem foi na sexta-feira, dia 17. A presença no encontro, foi muito reduzida e nada representativa como mostra a fotografia, levando-se em consideração a quantidade de servidores no quadro da saúde.  Trata-se de uma das categoriais mais numerosas do quadro dos servidores do RN e que dispõe de larga experiência em mobilizações reividicatórias.

Por isso, para quem acompanha – jornalisticamente – há tempos, o trabalho do Sindsaúde e já viu reuniões tendo que ser realizadas ao ar livre por não caberem em recintos fechados, uma dúvida inevitável logo despontou:

– O que está acontecendo: Os trabalhadores cansaram? Desanimaram? Desistiram? Perderam a esperança?

Pelo texto publicado, que transcreverei no final, essas mesmas perguntas estão sendo formuladas por servidores e, inclusive, até por algumas das suas lideranças. Isso fica claro no texto publicado pelo Sindsaúde-RN.

Logo na primeira citação registrada, repito, publicada no portal do próprio Sindicato, uma afirmação emblemática do servidor do Hospital Walfredo Gurgel, Manoel Egídio, traduz o seu reconhecimento quanto ao sentimento de desânimo que parece dominar categoria e, ao mesmo tempo, sua tentativa de reanimar os colegas procurando convencê-los de que não existe outro caminho a não ser a luta.

Egídio proclamou com determinação: “Antes perder lutando do que fugir da briga”.

Logo depois, o texto traz a citação do coordenador do Sindsaúde, Breno Abott, quase num esforço desesperado para se fazer acreditar e procurando conter a “fuga” que a fotografia reflete: foi a luta dos servidores que impediu o aumento da alíquota da Previdência ainda no Governo Robinson. Ou seja – prossegue a narrativa da reportagem – em sua última luta, os trabalhadores derrotaram “o pacote de maldades do ex-governador Robinson Faria (PSD), que nele, incluía o aumento da alíquota da Previdência que, agora, Fátima está querendo aprovar com a reforma da Previdência”.

Aqui estão palavras textuais proferidas por Breno Abottt: “Os trabalhadores precisam saber que quando se unem, a sua força se multiplica. É muito importante intensificarmos a luta contra a reforma da Previdência de Fátima. Não vamos negociar nossos direitos com quem quer retirá-los”.

TRANSCRIÇÃO
Abaixo transcrevo o texto integral da reportagem do Sindicato:

“Servidores estaduais da saúde aprovam calendário de luta

Na manhã desta sexta-feira (17), os trabalhadores e trabalhadoras da saúde participaram da Assembleia Estadual da categoria no auditório do Sindsaúde. Entre as pautas discutidas estava a cobrança dos salários atrasados, o calendário de pagamento de 2020, a reforma da Previdência do Governo Fátima e a campanha salarial de 2020.

A Categoria aprovou um calendário de luta contra a reforma da Previdência e reforçou a importância de lutar em defesa dos direitos.“Antes perder lutando do que fugir da briga”, disse Manoel Egídio, servidor do Walfredo Gurgel.

Os servidores lembraram da última luta que travaram para derrotar o pacote de maldades do ex-governador Robinson Faria (PSD), que nele, incluía o aumento da alíquota da Previdência que, agora, Fátima está querendo aprovar com a reforma da Previdência.

“Os trabalhadores precisam saber que quando se unem, a sua força se multiplica. É muito importante intensificarmos a luta contra a reforma da Previdência de Fátima. Não vamos negociar nossos direitos com quem quer retirá-los”, declarou Breno Abbott, Coordenador do Sindsaúde RN.

Uma das atividades do calendário de luta é o Seminário Estadual sobre a reforma da Previdência que irá acontecer nos dias 31/01 e 01/02. “Serão dois dias de muita discussão para que possamos entender os impactos dessa reforma na vida dos trabalhadores. É fundamental mobilizarmos a base da saúde para comparecer em peso. Assim como a luta, a formação é imprescindível”, disse Rosália Fernandes, da CSP-Conlutas.

Além da luta e da formação, o Sindsaúde está com uma importante campanha de mídia contra a reforma da Previdência. “A comunicação sindical é uma das armas que os trabalhadores têm para denunciar os ataques dos governos. Sem ela, a nossa luta não tem visibilidade. Por isso, estamos investindo em outdoor espalhados pela cidade, spots nos bairros, vídeo, panfleto e reuniões nos locais de trabalho”, declarou Thelma Ribeiro, diretora do Sindsaúde RN.

Ao final, foi encaminhado que a direção do Sindsaúde irá convocar uma nova assembleia para o início de fevereiro, após discutir a campanha salarial junto ao Dieese e traçar a luta para esse primeiro semestre.

Confira o calendário de lutas:

28/01 – Ato público Unificado na Governadoria | 9h
31/01 e 01/02 – Seminário Estadual sobre a reforma da Previdência de Fátima Bezerra (PT)
04/02 – Ato público Unificado na Assembleia Legislativa do RN | 9h”

Principal foto que vem aparecendo há vários dias na capa do portal do Sindsa[ude-RN (Reprodução)
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