UFRN estimula cursos no exterior e acolhe alunos estrangeiros

Secretaria de Relações Internacionais (SRI) incentiva, por meio de programas e projetos, a participação de estudantes em cursos no exterior e recebe alunos de instituições de ensino estrangeiras.

Texto: Ana Clarice Sousa (AGECOM)
Fotos cedidas

Provavelmente, em algum momento da sua vida, você já pensou em estudar fora. Vivemos em um mundo de diferentes povos, muitas crenças e culturas, e é natural o desejo de conhecê-lo. No decorrer do crescimento, o desejo de explorar se une ao de aprender, principalmente no âmbito da Universidade. Pensando nessa troca de conhecimento, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vem, nos últimos anos, incentivando os estudantes a irem para fora do país e, por meio de programas e projetos, está tornando o ambiente mais internacionalizado.

Uma ferramenta essencial para que isso aconteça é a Secretaria de Relações Internacionais (SRI). Tida como o braço da UFRN fora do país, a secretaria representa, no exterior, quase 50 mil pessoas, que são toda a comunidade da Universidade. Contando hoje com a coordenação dos professores Márcio Venício Barbosa e Renata Archanjo, a SRI é responsável por tudo que é feito em termos de internacionalização do ensino, da pesquisa, da extensão, da inovação, e mais recentemente, apoia também as atividades de internacionalização dos parques tecnológicos.

Para funcionar de forma correta, a Secretaria propõe acordos de cooperação com diversas instituições de ensino e/ou pesquisa do Brasil e do exterior. Esses acordos são a garantia legal das atividades e falam exatamente quais são as responsabilidades de todas as partes da UFRN, da instituição parceira, do aluno e do professor eventualmente envolvidas, diz Márcio. Além disso, também legaliza a presença do aluno estrangeiro aqui.

Existem mais de 200 acordos com instituições de quase todo o mundo e há poucas regiões com as quais ainda não se tem nenhuma parceria. Os mais antigos são com os países europeus. A França está em primeiro lugar quanto ao número de acordos principalmente por causa de programas específicos como o Brafitec, voltado para a área de engenharia e tecnologia, e o Brafagri, que envolve as ciências agrárias, seguida de Portugal, Espanha, Itália e Alemanha.

“Tínhamos menos acordos com os Estados Unidos e com a Inglaterra devido a cobrança de taxas que existe nesses países, mas, mesmo assim, a cooperação com esses países tem se intensificado”, afirma o professor Márcio.

Infografia: Ana Clarice Sousa

Aluno Pedro Ruhas

FINANCIAMENTO DE BOLSAS

As possibilidades de financiamento são poucas, mas existem. A exemplo do programa de bolsas Santander, que é um dos mais ativos, principalmente as bolsas Ibero Americanas, destinadas tanto para países da América Latina, quanto para Portugal e Espanha e cuja oferta, atualmente, é feita em menor quantidade do que antes. Todos os anos, a SRI divulga um edital no qual são anunciadas uma determinada oferta de vagas, e a seleção é para todos os cursos de graduação, com algumas bolsas que se estendem para a pós-graduação. O processo é feito por meio do envio dos documentos básicos que comprovam os índices e a situação acadêmica regular, mais especificamente o índice IEA.

Com base nisso, é gerado um ranking e os inscritos são chamados de acordo com a quantidade de vagas disponíveis, como é o caso do estudante de Engenharia de Produção, William Oliveira, e do aluno de Jornalismo, Pedro Rhuas.

A experiência de William, de 21 anos, que passou seis meses na Universidade do Porto, em Portugal, cursando o Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial (MIEGI), serviu para ele perceber que o estudado por ele na UFRN está muito alinhado com o que se ensina lá fora. “Para mim, ter estudado fora foi uma experiência incrível. Desde a forma de organizar o calendário acadêmico — que é um calendário diferente —, a postura do professor em sala de aula, a maneira como ele transmite o conhecimento, até a escolha das matérias que cursei, contribuiu para concluir que a UFRN está em um excelente caminho”, afirma.

Após experiência, William Oliveira reconhece que a UFRN está alinhada com ensino no exterior

Como aluno, William acredita que a UFRN precisa realmente exercer um papel de protagonista na condição de Universidade que é referência no Norte-Nordeste. “Precisamos tanto receber alunos estrangeiros quanto estimular e ajudar, das formas possíveis, através da SRI, os estudantes que vão para fora”, conclui.

Já para Pedro Rhuas, 23, que também recebeu a Bolsa Santander e foi para a Universidade do Porto, a vivência fora do Brasil foi a melhor da vida dele, não só no contexto acadêmico mas também, principalmente, na sua vida pessoal. “Foi um momento bastante especial para entrar em contato comigo e com o que eu quero para o futuro — quem eu sou e para onde vou”, disse.

Pedro também acredita que a internacionalização da Universidade não é apenas uma formalidade, mas uma necessidade existencial de cooperação e troca de experiências únicas e que isso traz uma constante renovação para o ambiente educacional. “A Universidade não é uma ilha. A internacionalização é uma excelente oportunidade para propiciar aos professores, técnicos e estudantes a possibilidade das partilhas culturais e linguísticas”, completa.

Outro programa que ainda funciona é o Grupo Tordesillas, formado por 19 universidades do Brasil, 11 da Espanha e sete de Portugal, que abriu recentemente uma chamada para bolsas da Fundação Carolina, na Espanha. Existe também a Rede de Universidades Tecnológicas, lançada pela Universidade de Bradford, no Reino Unido, e que tem parceria com universidades do mundo todo.

A Rede sempre tem chamadas importantes, a exemplo do concurso que está acontecendo agora, no qual os grupos de alunos inscritos apresentam um projeto sobre inovação tecnológica. O concurso recebeu 59 projetos, dos quais 25 são da UFRN.

PORTAS ABERTAS

Não só alunos regulares estão procurando sair do país, segundo o professor Márcio, o que tem mais acontecido recentemente é a saída de ex-alunos. “Temos recebido muitos pedidos de tradução de histórico para ex-alunos que vão estudar ou trabalhar fora”, afirma.

Muitos estrangeiros estão escolhendo a UFRN como seu destino. De acordo com Márcio, “temos 80 alunos regulares fazendo o curso inteiro, 13 só do Timor-Leste”. Cursando apenas um semestre de intercâmbio, a Universidade recebe, em média, 30 alunos por ano, como é o caso da portuguesa Joana Teles Ferreira, que estudou o semestre 2019.2.

Com 20 anos, Joana chegou em julho de 2019, em Natal, para passar seis meses. Estudante de Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ela veio por meio do programa Convênios. “Para participar do intercâmbio na UFRN, eu tive de fazer uma candidatura sem problemas, porque eu era a única estudante da minha universidade que queria essa instituição especificamente”, conta.

Joana Teles (segunda aluna – da dir. para a esq.) ressalta a relevância do diálogo entre as universidades.

Joana relata que a sua experiência acadêmica foi muito positiva. “Tive o prazer de estudar em uma universidade diferente, em um país diferente, de ter contato com um ensino também muito diferente. Foi mesmo uma experiência muito enriquecedora pela dinâmica toda em que ela é feita”, disse. Além da vivência acadêmica, ela conta ter sido um dos períodos mais felizes da sua vida e não ser mais a mesma pessoa de quando chegou aqui.

“O Brasil me mostrou tanto, uma realidade tão diferente. Nós somos como aquela frase: “nós somos nós e as nossas circunstâncias”. No meio disso, nós temos de nos respeitar todos, uns aos outros, e tentar ser mais compreensivos. Eu tenho certeza de que isso mudou muito em mim depois da experiência do intercâmbio”, afirma.

Para ela, é importante que exista um diálogo entre os países, principalmente entre as universidades. “É um desperdício nós vivermos em um mundo tão grande e ficarmos sempre no nosso cantinho, não sairmos da nossa zona de conforto, não irmos à descoberta”, conclui. Para estudar na UFRN, o aluno passa por uma seleção, que pode ser pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ou por algum acordo proposto pela Universidade em que ele estuda.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A internacionalização da UFRN vem acontecendo há algum tempo, e a atual gestão propõe que ela esteja cada vez mais aberta, integrada à cidade ao seu redor, ao seu país e também ao mundo. Para o professor Márcio, isso significa que a Universidade precisa ser o mais abrangente e tolerante possível, aberta a toda e qualquer forma de manifestação científica e política, de forma que o conhecimento prevaleça e, junto a ele, a humanidade.

“Isso só se faz de portas abertas e, quanto mais longe a UFRN for, mais apta ela estará não só para entender os problemas do mundo e para trazer soluções inéditas para nós, como também para levar as nossas soluções para fora. Então, na minha opinião, a internacionalização, seja ela presencial ou virtual, é uma obrigação de qualquer instituição que se chame Universidade”.

Veja a entrevista com o secretário de Relações Internacionais da UFRN, Márcio Venício Barbosa no vídeo abaixo:

 

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