Enoleide Farias: “Sou do Carnaval, amiga da rainha…”

Enoleide Farias*
Jornalista Agecom – UFRN
enoleide@yahoo.com.br

Acabo de ver na internet um vídeo sobre o Carnaval de Salvador. Impressiona a grandeza do carnaval baiano. Aliás, impressiona a grandeza do carnaval no Brasil. Embora não sejamos o berço da festa, apenas herdeiros dos colonizadores portugueses, não acredito que em outro lugar do mundo o carnaval seja tão singular e plural ao mesmo tempo como no Brasil.

Quem já foi ver o frevo e maracatu de Pernambuco, os trios elétricos da Bahia e o samba do Rio de Janeiro sabe bem do que estou falando. Se são muitas as diferenças, é a semelhança entre eles o que marca mais, representada na alegria, a marca registrada do brasileiro.

Amo o Carnaval… de rua, principalmente. Entrar em beco, sair em beco, chegar à favela, sair na avenida, desfilar minha alegria sob o olhar de quem ocupa a calçada ou o palanque. Amo ouvir o coro desafinado do folião. Tenho me abstido das grandes concentrações, dos grandes carnavais, nem por isso abdiquei da alegria. Uma passadas nas prévias de Natal, um cheiro no Suvaco do Careca, uma circulada no Bloco do Magão, e lógico, presença cativa no carnaval de Barra de Maxaranguape, no Carnaval da Nizinha.

Contudo, sou assistente do carnaval de muitos lugares do país. A televisão e os aplicativos para celular nos permitem acompanhar, embora num clima menos contagiante, o que acontece no Carnaval do Brasil. Tanto é assim que, segundo o noticiário, 78% dos foliões declararam que vão usar o Instagram para se mostrar no carnaval. Outros 77% disseram o mesmo sobre o facebook. E o watsap, não temos dúvida, é o queridinho de todo mundo na hora de interagir com família, amigos e mesmo para fazer negócios o tempo todo, inclusive durante o carnaval. Se é que durante o carnaval é possível fazer negócios.
Mas quem sou eu para dizer que os negócios param no carnaval? Nada mais sou senão uma viciada em alegria, portanto uma viciada na folia, no carnaval. Daqueles bem alegres e coloridos, com fantasias, papangus e tudo mais. Assim, não estarei atenta senão ao volume do som (por causa de problemas auditivos, só por isso) à temperatura da cerveja, a quantidade de gelo do uísque, ao calor e às fantasias no sambódromo, pela TV e ao vivo, no Carnaval da Nizinha que todos os dias coloca seu bloco na calçada da frente de casa ou na calçada de trás, dependendo da maré.

Este ano, o Carnaval da Nizinha completa 51 edições, uma boa ideia que começou em 1970 e não parou mais. Então, parodiando Manuel Bandeira e com a licença de vocês, ouso dizer:

Vou-me embora para Barra

Lá sou amiga da rainha

Lá tem pessoas que eu amo

E tem O Carnaval da Nizinha.

Mandarei noticias pelos aplicativos de celular.

*A autora é jornalista e publica suas crônicas aos domingos.

Para ler a crônica anterior “A vendedora de alegria …”, CLIQUE AQUI.
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