Jean Paul Prates Senador

Senado: reeleição de Jean é possível

Enquanto os entusiastas da política local ligam os holofotes para a sucessão do governo estadual e focam a briga dos ministros Rogério e Fábio pelo senado, o atual dono da vaga, Jean Paul (PT) tem se fortalecido, começando a andar pelo Rio Grande do Norte. Ainda falta muito até que a popularidade (no sentido literal mesmo, de ser popular, conhecido) do francês que ficou no lugar de Fátima quando ela se elegeu governadora cresça, e o histórico de ‘não-político’ dele não colabora em nada com isso. E isso é muito complicado.

Vejam: recentemente, Jean estava na companhia de três políticos de Natal em um mesmo restaurante na hora do almoço, todos alinhados – ou sem qualquer restrição – ao governo Fátima. Mas o senador não interagiu com nenhum deles. Considerando a boa índole das pessoas, vamos pensar que tal situação não foi por má vontade dele, mas por esse seu estilo muito mais administrativo do que político. Se há essa “trava” no próprio meio político, a situação para com o externo – neste caso, a população – é ainda mais difícil… mas não é impossível.

Prova disso está no fato de que ele terminou as eleições municipais do ano passado em 2º lugar na disputa da prefeitura do Natal, com 14,38%, superando nomes já conhecidos do público local, como os deputados Kelps (Solidariedade) e Hermano (PSB), e também Sérgio Leocádio (PSL), que tinha muito tempo de TV.

Especialmente no auge das especulações da mudança do partido de Jean, que poderia sair do PT para o PDT, uma das possibilidades seria ele não sair candidato a senador por lá – vaga que seria do presidente da legenda, o ex-prefeito Carlos Eduardo – enquanto Jean tentaria uma vaga na Câmara Federal, mudança já protagonizada por políticos como Lídice da Mata (PSB), da Bahia, Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, e da própria presidente do PT Gleisi Hoffmann, do Paraná. Todos “trocaram” o senado pela câmara.

A possibilidade de mudança na legenda de Jean, neste caso, aconteceria pelo seu possível entendimento com o PDT nacional – fato que, aliás, não foi negado por ele – e por ser improvável que o PT conquiste até três vagas de deputados federais nas eleições do próximo ano – se considerarmos a reeleição de Natália Bonavides e a eleição do quase-deputado Mineiro que até ganhou, mas não levou, e segue como secretário estadual.

Mas o alinhamento com o PDT não veio – nem com a mudança do partido de Jean, nem com uma união da legenda com o PT a nível local. Aliás! O presidente do partido, Carlos Eduardo, também já tem viajado o estado, e, bolsonaristas a parte, talvez seja o maior nome na oposição a Jean, que precisa se estabelecer ainda mais até as eleições, caso queira mesmo “bater a parada” e se reeleger para o senado no próximo ano.

As andanças ao lado de Fátima pelo interior são fundamentais, bem como a união com a governadora que detém bons índices de aprovação. Mas é óbvio que ele também precisa fazer sua parte. Se a eleição para Natal foi um “test-drive” – o deixando em segundo lugar – a concorrência para o Senado no próximo ano será algo ainda mais grandioso, que, caso perca, fará com que ele tenha grandes dificuldades de voltar a vida política, especialmente por sua natural assinatura de “não-político”.

Inclusive – I

O presidenciável Ciro Gomes afirmou em entrevista que a população vai “se surpreender” com as alianças que seu partido, o PDT, está articulando nos estados com foco nas eleições do próximo ano, e afirmou que o PT não tem candidato “viável” porque peca na articulação. Faz sentido, inclusive ao nível local.

Os quadros são bons, mas, vejamos: nos momentos de protagonismo do PT estadual, na última década, resultaram na eleição de Fátima como senadora na chapa com Robinson (PSD) governador, em 2014 – articulação que foi resultado do “chapão” do então PMDB que naufragou, e hoje é motivo de imensa tristeza entre muitos do ninho bacurau.

Naquele momento, a chapa eleita apenas passava a ideia de ser menos pior que a chapa derrotada (Robinson e Fátima versus Henrique e Vilma). Posteriormente, também tivemos a eleição de Fátima para governadora, em 2018, desta vez numa união com apenas dois partidos, respeitosamente, sem tanta expressão – o PCdoB e o PHS. De fato, o PT peca, e precisa ajustar isso.

Inclusive – II

O próprio PDT local já segue na busca de alianças. E é importante considerar que, na mesma entrevista, Ciro Gomes se coloca como o nome viável fugindo da polarização. No que Bolsonaro derrete, – como mostram as pesquisas – alguém pode subir. A cereja do bolo está no marqueteiro contratado por ele, um velho conhecido dos petistas, João Santana; que fez as campanhas presidenciais vitoriosas de Lula e Dilma. João tem uma forma única de conseguir expressar ideias, e deverá contribuir para o crescimento de Ciro.

Ou seja: vai ser ainda mais fácil para o ex-prefeito Carlos Eduardo se articular – como já tem feito, por exemplo, conversando com o ministro Fábio Faria – , abrindo assim portas com o PP e o PSD (partido do pai, Robinson), que tem uma boa base no interior e podem lhe garantir dobradinhas com candidatos a deputados federais e apoios mútuos, ao mesmo tempo que também se sustenta no discurso nacional da terceira via, defendendo Ciro. Carlos também já pegou a estrada, e tem “passeado” por muitas cidades do interior.

Em qual momento o GPS irá indicar que Jean e Carlos Eduardo estão no mesmo lugar?

Foto: Reprodução/Instagram

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Sobre Thiago Martins, colunista do Por Dentro do RN

Jean Paul se fortalece para o Senado

Thiago Martins tem 28 anos, é jornalista formado pela UFRN e atua do jornalismo político no Estado. Apesar de sua maior dedicação ser na área de Assessoria de Comunicação, observa e acompanha as principais ações políticas do Rio Grande do Norte, do Brasil, e do mundo, e escreve nesta coluna a respeito do tema. É proibida a reprodução total ou parcial deste texto sem autorização do autor e sem a inserção dos créditos, de acordo com a Lei nº 9610/98.

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