Estudantes de Direito levam conscientização sobre bullying para escolas

Segundo pesquisa do IBGE, 23% dos estudantes brasileiros sentem-se vítimas da prática

Um cotidiano de agressões verbais, exclusão social ou discriminação por cor, raça ou sexo faz parte da vida de aproximadamente um em cada quatro estudantes brasileiros. Segundo levantamento do IBGE, 23% da população jovem afirma já ter sido vítima de bullying e se sente humilhada por provocações feitas por colegas de classe.

O dado foi apresentado pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) feita em 2019 e divulgada em 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Quando perguntados sobre o motivo de sofrerem bullying, as três principais respostas dos estudantes foram a aparência do corpo (16,5%), aparência do rosto (11,6%) e cor ou raça (4,6%).

Neste cenário, os alunos do curso de Direito da Estácio levam para as escolas de Natal o projeto de extensão Abrace – Escola sem Bullying, para apresentar conhecimentos jurídicos, sociais e filosóficos sobre o assunto de forma pedagógica para alunos de 07 a 16 anos. Elaborada pelo docente Higor Kalliano, a iniciativa tem como objetivo promover o diálogo sobre as causas e consequências da prática nociva e estimular a empatia e o respeito às diferenças.

“É preciso acolher as crianças que podem estar sendo vítimas para que falem sobre as agressões de forma mais segura, e orientar, também, os agressores sobre as consequências desse comportamento para evitar que continue a ser um agente multiplicador dessa violência”, afirma Higor.

Para a melhoria da vida escolar, uma das atividades propostas pelo projeto é a criação de espaços permanentes no interior das escolas para escuta e discussão sobre casos desse caráter.

Além das agressões presenciais, o bullying também se estende para o ambiente digital: ainda segundo a PeNSE, 13,2% dos respondentes já se sentiram ameaçados, ofendidos e humilhados em redes sociais ou aplicativos – o que caracteriza o cyberbullying. Consideradas apenas as meninas, esse percentual sobe para 16,2%.

Seja no mundo online ou offline, a prática desses atos violentos chega a prejudicar o rendimento escolar e pode ter consequências psicológicas para agressores e vítimas. “Muitas vezes, a criança ou o adolescente deixa de querer ir à escola, alguns passam a ter comportamentos agressivos porque não se sentem à vontade em sala de aula, e isso impacta diretamente na evolução do aprendizado”, explica a coordenadora do curso de Pedagogia da Estácio, Bruna Braga.

“Nem sempre o aluno consegue aprender em determinado momento por ter dificuldade com o conteúdo, mas porque pode haver questões por trás que impactam diretamente na concentração, gerando ansiedade, medo e desencorajamento, além de uma tristeza que pode desencadear para uma depressão também”, ressalta.

De acordo com a pedagoga, atividades que abordam a diversidade, a identidade e a humanidade são ferramentas sempre bem-vindas para ajudar no enfrentamento a comportamentos ofensivos e danosos. “Esses assuntos podem ser trabalhados em diversas temáticas presentes no currículo escolar desde o Ensino Infantil”, alerta.

Bruna ainda destaca a importância da atenção da família para possíveis mudanças de comportamento. “A partir do momento em que os pais notem algo de diferente, devem buscar a escola para investigar o que pode estar acontecendo com os filhos, para contar com o apoio psicopedagógico de forma a minimizar o impacto emocional que essa criança ou adolescente pode estar sofrendo”, orienta.

Em fase de aplicação, o projeto de extensão Abrace – Escola Sem Bullying está disponível para atuar nas escolas públicas ou privadas interessadas em suas ações. Para mais informações, o contato deve ser feito por email: [email protected]

Foto: Ilustração

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