Talibã

Talibã pede a companhias aéreas que retomem voos internacionais

Talibã pede a companhias aéreas que retomem voos internacionais

O governo do Talibã no Afeganistão pediu neste domingo (26) a retomada dos voos internacionais, prometendo cooperação total com as companhias aéreas e dizendo que os problemas no aeroporto de Cabul foram resolvidos. A declaração do Ministério das Relações Exteriores vem no exato momento em que o novo governo intensifica esforços para abrir o país e ganhar aceitação internacional após o colapso do governo apoiado pelo Ocidente no mês passado.

Um número limitado de voos de apoio e de passageiros está operando no aeroporto. Mas os serviços comerciais normais ainda não foram retomados, uma vez que o local foi fechado após a evacuação caótica de dezenas de milhares de estrangeiros e afegãos vulneráveis que se seguiu à tomada da capital pelo Talibã.

O aeroporto, que sofreu danos durante a evacuação, foi reaberto com o auxílio de equipes técnicas do Catar e da Turquia. Embora algumas companhias aéreas, como a Pakistan International Airlines, ofereçam serviços limitados e algumas pessoas tenham conseguido lugares nesses voos, os preços relatados das passagens estão muitas vezes mais altos do que o normal.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abdul Qahar Balkhi, disse que a suspensão dos voos internacionais deixou muitos afegãos presos no exterior e também impediu as pessoas de viajarem para trabalhar ou estudar.

Com informações da Agência Brasil


Foto: WANA (West Asia News Agency)/Direitos reservados

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Talibã pendura cadáveres de homens que sequestraram empresário em cidade do Afeganistão

Autoridades do Talibã mataram quatro supostos sequestradores e penduraram seus corpos para dissuadir o público, disse um funcionário do governo local no sábado. A ação ocorreu na cidade de Herat, no Oeste do Afeganistão.

Sher Ahmad Ammar, vice-governador de Herat, disse que os homens sequestraram um empresário local e seu filho e pretendiam tirá-los da cidade, quando foram vistos por patrulhas que montaram postos de controle pela cidade.

Seguiu-se uma troca de tiros em que todos os quatro foram mortos, enquanto um soldado do Talibã foi ferido.

“Seus corpos foram levados para a praça principal e pendurados na cidade como uma lição para outros sequestradores”, disse ele. As duas vítimas de sequestro foram libertadas ilesas.

Morador de Herat, Mohammad Nazir disse que estava comprando comida perto da Praça Mostofiat da cidade quando ouviu um anúncio em um alto-falante chamando a atenção das pessoas.

“Quando dei um passo à frente, vi que eles trouxeram um corpo em uma caminhonete, depois o penduraram em um guindaste”, disse ele.

Imagens do cadáver manchado de sangue balançando no guindaste foram amplamente compartilhadas nas redes sociais, mostrando uma nota pregada no peito do homem dizendo “Esta é a punição por sequestro”.

Nenhum outro corpo estava visível, mas posts nas redes sociais disseram que outros foram pendurados em outras partes da cidade.

Em uma entrevista à Associated Press publicada esta semana, uma importante figura do Talibã, Mullah Nooruddin Turabi, disse que o grupo restauraria punições como amputações e execuções para deter criminosos.

Apesar da condenação internacional, o Talibã disse que continuará a impor punições rápidas e severas aos infratores para impedir crimes como roubo, assassinato e sequestro, que se generalizaram no Afeganistão.

Washington, que condenou os comentários relatados de Turabi sobre punições, disse que qualquer potencial reconhecimento do governo liderado pelo Talibã em Cabul, que substituiu o governo apoiado pelo Ocidente que ruiu no mês passado, dependeria do respeito pelos direitos humanos.

De acordo com a agência de notícias oficial Bakhtar, oito sequestradores também foram presos em um incidente separado na província de Uruzgan, no Sudoeste.

Com informações da CNN Brasil
Foto: AFP

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Mais um veículo de talibãs é atacado no Afeganistão

Mais um veículo do grupo Talibã é atacado no Afeganistão

Um caminhão que transportava combatentes do Talibã foi atacado neste domingo (19) em Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão e, embora inicialmente não tenham sido confirmadas mortes, vários ocupantes do veículo tiveram que ser levados ao hospital. O ataque ocorreu menos de 24 horas após um episódio semelhante na cidade do leste do Afeganistão, informou a mídia local.

O ataque ocorreu em um trevo rodoviário em direção à capital, Cabul. Ontem (18), pelo menos duas pessoas morreram e 19 ficaram feridas em vários ataques com explosivos em Jalalabad, os primeiros desde a retirada total das tropas norte-americanas.

Embora os ataques ainda não tenham sido reivindicados, Jalalabad é reduto de membros do Estado Islâmico no Afeganistão, chamado Isis-K, um grupo armado rival do Talibã que já assumiu a responsabilidade pelo atentado que custou a vida a mais de 100 pessoas no aeroporto de Cabul, em 26 de agosto, durante evacuações caóticas.

O porta-voz do Talibã na cidade de Kunduz, Matiula Ruhani, pediu neste domingo mais ajuda de toda a comunidade internacional, após frisar que o movimento não é de “terroristas” e que trouxe paz ao país centro-asiático.

Kunduz, no norte do Afeganistão, foi tomada pelo grupo islâmico em 8 de agosto, no início da ofensiva que levou o Talibã a assumir o controle de todo o território apenas uma semana após conquistar Cabul. Segundo Ruhani, a ajuda internacional pode ser em investimentos, projetos de reconstrução ou “qualquer tipo de apoio humanitário ao governo ou aos cidadãos do Afeganistão”. Ele criticou a comunidade internacional por apoiar o que descreveu como um “governo corrupto” no Afeganistão nos últimos 20 anos e interromper a ajuda assim que o Talibã assumiu o poder.

Ruhani evitou, porém, comentar as medidas adotadas pelo Talibã em relação às mulheres, limitando-se a observar que o grupo valoriza todos os cidadãos igualmente. Governos de todo o mundo estão avaliando a melhor forma de tratar o grupo, conscientes do histórico sombrio de direitos humanos que o precede, enquanto trabalham para aliviar o crescente desastre humanitário que o país enfrenta.

Direitos Humanos

A Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão (Cidha) anunciou oficialmente no sábado a suspensão de suas atividades devido à impossibilidade de colocá-las em prática desde 15 de agosto, data em que o Talibã tomou Cabul. A organização denunciou, em um comunicado, o “contínuo desrespeito aos direitos humanos” do Talibã e citou como exemplos os ataques a defensores dos direitos humanos e “violações flagrantes do direito internacional humanitário”.

A liderança da comissão tem pouca confiança de que um governo talibã respeitará as funções e sua independência, diz o texto, que menciona as “restrições” impostas pelo movimento às atividades de trabalho e à participação das mulheres na vida pública. “O povo afegão precisa de um órgão independente de direitos humanos para que possa fazer suas denúncias sobre violações de seus direitos com garantias de que isso não o colocará em perigo”, acrescentou.

A suspensão da atividade da comissão soma-se às restrições de ativistas da sociedade civil e da liberdade de expressão, o que representa “uma redução drástica na capacidade dos afegãos de monitorar e se proteger de graves violações dos direitos humanos”, acrescenta o comunicado da Cidha, que pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) e, em particular, ao Conselho de Direitos Humanos da organização, para criar um “mecanismo independente de monitoramento de violações dos direitos humanos no Afeganistão”.


Com informações da Agência Brasil

Foto: Reuters/Wana News Agency/direitos reservados

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Estados Unidos confirmam 100% da evacuação de seus soldados do Afeganistão; americanos ocuparam país por quase 20 anos

Estados Unidos confirmam 100% da evacuação de seus soldados do Afeganistão; americanos ocuparam país por quase 20 anos

Os Estados Unidos confirmaram nesta segunda-feira (30) a evacuação total de suas forças do Afeganistão após uma caótica missão de retirada aérea, quase 20 anos depois da invasão do país em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. Mais de 122 mil pessoas foram retiradas de Cabul desde 14 de agosto, um dia antes de o Talibã – que em 2001 abrigava o grupo militante Al Qaeda, que foi responsabilizado pelos ataques em Nova York e Washington – retomar o controle do país.

O principal diplomata dos EUA no Afeganistão, Ross Wilson, estava no último voo de um avião C-17 dos EUA, disse o general Frank McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, em uma coletiva de imprensa do Pentágono.

A retirada aérea de emergência chegou ao fim antes do prazo de terça-feira (31) estabelecido pelo presidente dos EUA, Joe Biden, que herdou um acordo de retirada de tropas feito com o Talibã por seu antecessor Donald Trump e decidiu no início deste ano concluir a retirada. Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais lutaram para salvar cidadãos de seus próprios países, bem como tradutores, funcionários de embaixadas locais, ativistas de direitos civis, jornalistas e outros afegãos vulneráveis a represálias do Talibã.

A evacuação ficou ainda mais perigosa quando um ataque suicida reivindicado pelo Estado Islâmico – inimigo tanto do Ocidente quanto do Talibã – matou 13 militares norte-americanos e dezenas de afegãos que esperavam nos portões do aeroporto na quinta-feira (26) passada.

Biden, que tem enfrentado críticas intensas nos EUA e no exterior por causa de suas decisões sobre o Afeganistão, prometeu perseguir os responsáveis, após o sangrento ataque ao aeroporto de Cabul .

Com informações da Agência Brasil

Foto: Reuters/Uwe Anspach/Direitos reservados

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Refugiados do Afeganistão

Pelo menos 60 mil refugiados do Afeganistão ganharão asilo nos Estados Unidos

Os Estados Unidos poderão receber até 60 mil refugiados do Afeganistão. De acordo com autoridades americanas, pessoas que ajudaram militares e diplomatas americanos no país temem ser alvo do Talibã, que tomou o poder. Elas não confiam nas garantias de que aqueles que trabalharam com forças estrangeiras e suas famílias não vão ser prejudicados.

Serviços de imigração devem entrar na ajuda aos afegãos, principalmente no Texas, em Wisconsin e na Califórnia, onde as autoridades dizem estar criando espaços para receber cerca de 22 mil refugiados do Afeganistão que pediram o Visto Especial de Imigrante (SIV). A estimativa é que 60 mil afegãos juntos de suas famílias podem se qualificar para o status de refugiado ou para o visto de SIV.

O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu ao secretário de Estado para usar até US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,6 bilhões) do Fundo de Emergência e Assistência a Refugiados e Migrações para tratar do tema.

Foto: Courtesy of Defense One/via REUTERS

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China e Talibã aproximados

Cientistas não creem em Talibã moderado e acreditam no papel central da China na questão do Afeganistão

Cientistas que estudam a geopolítica no Oriente Médio consideram que é preciso olhar com cautela para as promessas de moderação do Talibã. Também questionam os resultados obtidos pelos Estados Unidos (EUA) durante a ocupação que durou 20 anos e avaliam que os desdobramentos na região vão depender de como a China irá se movimentar diante do retorno do grupo extremista ao poder no Afeganistão.

“Estamos vendo algumas mudanças importantes. O grupo que foi derrubado pelos Estados Unidos há 20 anos está agora virando governo e, inclusive, sendo reconhecido por alguns países, como é o caso da China. Durante muito tempo, nas discussões sobre a geopolítica da região, se debatia o papel dos Estados Unidos, da Rússia, da Inglaterra”, diz Fernando Luz Brancoli, pesquisador e professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Pela primeira vez, precisamos entender qual será o papel chinês e qual vai ser a política chinesa para a região. Já está claro que os chineses vão negociar com os talibãs”, conclui.

Mais cedo, a China acenou para o novo governo afegão. A porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, disse que o país respeita o direito do povo afegão de decidir seu próprio destino e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão. Ela ainda afirmou que a embaixada, situada na capital Cabul, manteria seu funcionamento normal.

Para o cientista político João Paulo Nicolini Gabriel, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mudanças na região irão muito além da relação entre Estados Unidos e Afeganistão.

“Devido à sua localização, é um país que ocupa espaço extremamente importante no cenário asiático. A Ásia Central sempre foi muito importante. Agora precisamos olhar como os Estados Unidos, a China e Rússia vão lidar com o Afeganistão. São países que desempenham papel central. Mas um ponto pouco falado envolve os papéis do Paquistão e da Índia, que são essenciais, porque têm grande influência na região. Pode haver fricções e realinhamentos diplomáticos”, diz.

O Paquistão foi um dos poucos países que mantiveram relações diplomáticas com o Afeganistão, durante o período governado pelo Talibã na década de 90. Segundo João Paulo, as declarações do primeiro-ministro Imran Khan dão indícios de que o governo paquistanês está disposto a aceitar a volta do grupo extremista.

De outro lado, a situação impõe novas preocupações à Índia. O governo liderado por Narendra Modi, que costuma explorar politicamente crises com o Paquistão, poderá ficar em posição menos confortável com a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão. A volta dos talibãs ao poder foi consolidada no último domingo (15): o presidente afegão Ashraf Ghani deixou o país e o controle do palácio presidencial foi assumido pelos rebeldes. Tudo ocorreu sem que houvesse resistências.

Diante do cenário, os EUA precisaram acelerar a conclusão do processo de saída do país, em curso desde o ano passado: uma megaoperação para tirar às pressas diplomatas e cidadãos americanos foi montada pelas tropas norte-americanas, que ainda controlam o aeroporto. No entanto, imagens que ganharam repercussão internacional mostraram um caos no local, com milhares de civis desesperados para deixar o país se aglomerando junto aos aviões.

Para Brancoli, a rápida recuperação do poder pelos talibãs coloca em cheque os bilhões de dólares investidos pelos Estados Unidos no treinamento do Exército afegão. “Os armamentos deixados pelos Estados Unidos vão cair nas mãos dos talibãs. Tem até uma curiosidade: eles tinham lá os Super Tucanos, que são aeronaves construídas no Brasil junto com os Estados Unidos. Agora o Talibã tem acesso a eles. Não sei se vão saber pilotar”, observa.

Apesar das imagens com milhares de pessoas reunidas no aeroporto em busca de uma oportunidade de sair do país, o pesquisador avalia que a população não tem uma visão homogênea e não há uma repulsa generalizada contra os talibãs. Segundo ele, os moradores das áreas rurais são indiferentes ou apoiam o Talibã, e a elite urbana não é tão numerosa.

“É preciso lembrar que o Afeganistão é um país majoritariamente rural. E nas áreas rurais a população olhava para o governo central de forma muito desconfiada. Muitos consideravam um governo corrupto que não atendia aos seus interesses. Uma das explicações para o avanço tão rápido do Talibã seria, em parte, esse apoio da população local. Não houve grandes resistências nas partes periféricas. E quando chegou em Cabul, onde se esperava uma resistência um pouco maior, o próprio Exército parecia que já tinha desistido de lutar e não tinha interesse no conflito. O presidente fugiu”, acrescenta.

João Paulo observa que o governo afegão apoiado pelos EUA nunca teve 100% de domínio sobre o território do país, e os talibãs sempre controlaram algumas áreas. Ele avalia que, sobretudo nas grandes cidades, uma parte da população está apavorada. Há ainda imigrantes de diversos países buscando deixar o país. “Se pegarmos os últimos comunicados internacionais, da Índia por exemplo, vemos que há grande preocupação de como retirar seus cidadãos do Afeganistão. Outros países também tentam proteger suas populações”.

De acordo com o cientista político, o cenário revela a incapacidade da política norte-americana de alcançar certos objetivos, o que fez com que a ocupação tenha se arrastado por mais tempo do que se esperava. “Reformularam até o sistema eleitoral do país e não conseguiram garantir uma estabilidade. Ghani tinha dificuldade de manter popularidade. E justamente por isso havia tantos soldados norte-americanos lá”.

Legado

Tornando-se conhecido como grupo religioso fundamentalista na primeira metade dos anos 90, o Talibã foi organizado por rebeldes que haviam recebido apoio dos Estados Unidos e do Paquistão para combater a presença soviética no Afeganistão, que durou de 1979 a 1989, em meio à Guerra Fria. A chegada ao poder se consolida em 1996, com a tomada de Cabul.

Uma vez no controle do governo, o Talibã promoveu execuções de adversários e aplicou sua interpretação da Sharia, a lei islâmica. Um violento sistema judicial foi implantado: pessoas acusadas de adultério podiam ser condenadas à morte e suspeitos de roubo sofriam punições físicas. O uso de barba se tornou obrigatório para os homens e as mulheres não poderiam transitar e ser vistas publicamente sem a burca, que deveria cobrir todo o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos e as meninas não podiam frequentar a escola.

A ocupação dos EUA foi uma reação aos ataques às duas torres gêmeas do World Trade Center, arranha-céus situados em Nova York. Dois aviões atingiram os edifícios em 11 de setembro de 2001, derrubando-os e causando quase 3 mil mortes. Os EUA acusaram o Talibã de dar abrigo ao grupo terrorista Al Qaeda, que assumiu a autoria do atentado, e invadiu o Afeganistão em outubro de 2001. As ruas de Cabul foram tomadas em dois meses. Em 2004, eleições foram realizadas no país e, em 2011, as forças norte-americanas anunciaram a morte de Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda.

Segundo Brancoli, durante os 20 anos de ocupação, ocorreu uma ampliação das liberdades civis e desenvolvimento econômico em alguns setores, mas também diversas denúncias de corrupção. “Houve grupos políticos que se beneficiaram desse momento, que ganharam prestígio, ganharam dinheiro. Em uma escala menor, tivemos mulheres entrando no mercado de trabalho, ocupando algumas funções governamentais, frequentando as escolas. Mas fica no ar até que ponto essas transformações serão mantidas”.

Esse legado, na visão do pesquisador não está garantido. “Eles estão dizendo que vão moderar e ser menos brutais do que foram na década de 90. Fico parcialmente desconfiado. A forma de governar do Talibã está muito pautada em práticas de violência e controle. Então, considerando seu histórico, até que ponto eles conseguem pensar a organização do país de outra maneira? Vamos ter que esperar pra ver, mas acho que essa moderação é meramente discursiva”.

João Paulo chama a atenção para o uso das redes sociais pelo Talibã, onde divulgam indícios de corrupção. “O que eles querem mostrar neste primeiro momento é que o governo de Ghani não representava a população”.

Retirada

A retirada gradual das tropas norte-americanas foi pactuada no ano passado em um acordo bilateral firmado entre o então presidente Donald Trump e o Talibã. O processo deveria ser concluído até maio deste ano. O grupo afegão se comprometeu a não dar abrigo a terroristas da Al Qaeda e do Estado Islâmico.

Eleito, o presidente Joe Biden assumiu a sucessão de Trump e manteve o processo em andamento, mas alterou o prazo: prometeu encerrar a ocupação até setembro, posteriormente antecipado para agosto. À medida que as forças dos EUA deixavam o país, ocorreu um rápido avanço das forças talibãs sobre as mais diversas cidades.

Para João Paulo, o processo de retirada das tropas foi influenciado também pela opinião pública nos Estados Unidos. “Os gastos militares nos Estados Unidos começaram a ser mais criticados depois da crise econômica de 2008. Há um longo debate, inclusive na academia, sobre a necessidade da intervenção no Afeganistão, que também pressionava por um plano de evacuação”.

A velocidade com que os talibãs retomaram o poder gera repercussões políticas nos EUA, com grupos de oposicionistas criticando a condução da saída do Afeganistão pelo governo de Joe Bidens.

Ontem (15), em pronunciamento, o secretário de Estado, Antony Blinken, recusou comparações com o fim da Guerra do Vietnã em 1975, quando rodaram o mundo cenas da cidade de Saigon, em que se viam diplomatas desesperados para deixar a Embaixada dos Estados Unidos diante da aproximação dos vietcongues. “Isto não é Saigon. Fomos ao Afeganistão há 20 anos com uma missão em mente: lidar com as pessoas que nos atacaram em 11 de setembro, e essa missão foi bem-sucedida”, disse Blinken.

Com informações da Agência Brasil

Foto: Divulgação/Li Ran/AP

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Brasileiros no Afeganistão

Ministério das Relações Exteriores emite nota em que afirma ‘não haver brasileiros no Afeganistão’

O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota oficial, na noite desta segunda-feira (16), em que informa não haver registro de cidadãos brasileiros no Afeganistão no momento em que o país Oriente Médio vive um momento de caos completo com a tomada do poder pelo grupo fundamentalista islâmico Talibã, pouco mais de um mês após o início da retirada das forças militares dos Estados Unidos, que ocuparam o país em uma guerra que durou 20 anos.

Como não há embaixada do Brasil no país, o apoio diplomático a brasileiros que porventura estejam em solo afegão está sendo feito pela Embaixada do Paquistão, país vizinho.

“Os telefones de plantão da Embaixada do Brasil no Paquistão (+92 300 8525941), que tem a jurisdição consular sobre o território afegão e da Divisão de Assistência Consular do MRE (+55 61 98197-2284) estão disponíveis para quaisquer brasileiros no Afeganistão que necessitem urgentemente de auxílio”, informou o Itamaraty.

Na nota, o governo brasileiro expressa “profunda preocupação com a deterioração da situação no Afeganistão e as graves violações dos direitos humanos”. O Itamaraty também pediu “rápido engajamento” da Organização das Nações Unidas (ONU) para estabelecer canais de diálogo e disse esperar que o Conselho de Segurança da ONU possa atuar para assegurar a paz na região.

“O governo brasileiro conclama os atores envolvidos a proteger os civis, respeitar o Direito Internacional Humanitário, garantir o acesso desimpedido da ajuda humanitária e respeitar os direitos fundamentais do povo afegão, em especial de mulheres e meninas. É necessário preservar os ganhos obtidos nas últimas décadas em matéria de proteção de direitos humanos, fortalecimento da democracia e desenvolvimento socioeconômico no Afeganistão”, diz a nota.

Mais cedo, em pronunciamento, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu a decisão de retirar as tropas norte-americanas do Afeganistão. A saída dos militares dos EUA precipitou a tomada de poder pelos talibãs. Milhares de civis desesperados para fugir do Afeganistão lotaram a única pista do aeroporto de Cabul nesta segunda-feira, depois que o talibã tomou a capital Cabul, o que levou os Estados Unidos a suspenderem os voos de retiradas de funcionários da diplomacia e militares.

Com informações da Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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