Barnier deixa o cargo apenas nove semanas após sua posse, em meio à maior crise política do governo Macron
O primeiro-ministro francês, Michel Barnier, apresentou seu pedido de demissão nesta quinta-feira (5) ao presidente Emmanuel Macron, após a aprovação de uma moção de censura contra o seu governo pela Assembleia Nacional. A reunião entre Barnier e Macron ocorreu pela manhã no Palácio do Eliseu, marcando o encerramento de um dos mandatos mais curtos na história da Quinta República Francesa.
A moção de censura, aprovada na quarta-feira (4), recebeu 331 votos favoráveis, bem acima do mínimo de 288 necessário para sua validação. A iniciativa contou com apoio de dois blocos políticos ideologicamente opostos: a União Nacional, de extrema-direita, e a aliança de esquerda Nova Frente Popular (NFP). Esta foi apenas a segunda vez na história da França que um governo foi derrubado por uma moção de censura — a primeira ocorreu em 1962, com Georges Pompidou.
A decisão ocorre após Barnier ter recorrido ao controverso artigo 49.3 da Constituição para aprovar o orçamento da segurança social sem votação parlamentar. A manobra gerou forte oposição, que culminou na apresentação de moções tanto pela extrema-direita quanto pela extrema-esquerda.
Reações políticas e o futuro de Macron
A líder da União Nacional, Marine Le Pen, declarou que a censura ao governo foi necessária para “proteger o povo”, mas evitou, por ora, pedir a renúncia de Macron. Já Mathilde Panot, líder da França Insubmissa, de extrema-esquerda, foi enfática em exigir a demissão do presidente. “Macron não pode governar com um primeiro-ministro novo a cada três meses”, afirmou, defendendo eleições presidenciais antecipadas como única solução para a crise.
Jordan Bardella, também da União Nacional, reforçou que o próximo chefe de governo deve respeitar a vontade dos eleitores de seu partido, enquanto Panot garantiu que a NFP rejeitará qualquer nome que não represente a aliança de esquerda.
Macron em busca de soluções
Com a necessidade de nomear rapidamente um novo primeiro-ministro, Macron deve anunciar seu escolhido ainda nesta quinta-feira, em discurso previsto para as 20h (horário local). A pressão também vem do presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, que pede uma solução ágil para evitar maior instabilidade política.
O governo de Barnier continuará em caráter interino até que um sucessor seja nomeado, mas estará limitado em sua capacidade de avançar com documentos orçamentários, o que pode prejudicar a aprovação do orçamento antes do final do ano.
Cenário de crise política e econômica
A crise política reflete a fragmentação da Assembleia Nacional, resultado das eleições legislativas de junho, onde nenhuma das três grandes forças políticas — centro, extrema-direita e esquerda — conquistou maioria absoluta. A situação agrava a já delicada crise econômica, com o déficit fiscal da França em crescimento.
A nomeação de Michel Barnier para o cargo de primeiro-ministro havia sido uma tentativa de Macron de evitar o colapso político, mas sua curta gestão evidenciou a dificuldade do presidente em unificar uma coalizão viável.
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