Cerimônia realizada em 2017, no Vaticano, reconheceu os 30 mártires mortos durante massacres no RN, em 1645, durante a invasão holandesa
A canonização dos 30 mártires de Cunhaú e Uruaçu foi celebrada pelo papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, em cerimônia realizada na Praça São Pedro, no Vaticano. A solenidade reuniu aproximadamente 50 mil fiéis e foi marcada pela presença de 450 concelebrantes. Os mártires, mortos em dois massacres ocorridos no estado do Rio Grande do Norte durante a invasão holandesa ao Brasil em 1645, foram oficialmente reconhecidos como santos pela Igreja Católica.
A celebração no Vaticano foi conduzida pelo cardeal Angelo Amato, então prefeito da Congregação da Causa dos Santos. Durante a homilia, o papa Francisco declarou: “Que estes que agora são santos indiquem a todos nós o verdadeiro caminho do amor e da intercessão junto ao Senhor para um mundo mais justo”.
A Camerata de Vozes do Rio Grande do Norte, vinculada à Fundação José Augusto, participou da cerimônia, entoando cantos litúrgicos antes e após a proclamação dos novos santos. A regência ficou a cargo do monsenhor Pedro Ferreira.
Os mártires canonizados
Os 30 mártires canonizados incluem dois padres e 28 leigos, entre os quais estão:
- Pe. André de Soveral
- Pe. Ambrósio Francisco Ferro (português)
- Mateus Moreira
- Domingos de Carvalho
- Antônio Vilela Cid (espanhol)
- Antonio Vilela, o moço, e sua filha
- Estevão Machado de Miranda e suas duas filhas
- Manoel Rodrigues Moura e sua esposa
- João Lostau Navarro (francês)
- José do Porto
- Francisco de Bastos
- Diogo Pereira
- Vicente de Souza Pereira
- Francisco Mendes Pereira
- João da Silveira
- Simão Correia
- Antonio Baracho
- João Martins e seus sete companheiros
- A filha de Francisco Dias

Beatificação em 2000
O processo de reconhecimento da santidade dos mártires começou com a beatificação, aprovada em 1989 e formalizada em 5 de março de 2000, também na Praça São Pedro, em cerimônia presidida pelo então papa João Paulo II. O decreto que reconheceu o martírio foi assinado em 21 de dezembro de 1998.
A partir de então, os fiéis passaram a ser conhecidos como os Protomártires do Brasil, sendo considerados os primeiros santos do país mortos em consequência da fé católica.
Massacres de Cunhaú e Uruaçu
O primeiro massacre ocorreu no Engenho de Cunhaú, no atual município de Canguaretama, em 16 de julho de 1645. Durante uma missa celebrada na Capela de Nossa Senhora das Candeias, comandada pelo padre André de Soveral, fiéis foram atacados após o momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo. Jacob Rabbi, um agente a serviço do governo holandês, liderou a ação com o apoio de tropas indígenas Tapuias.

Três meses depois, no dia 3 de outubro de 1645, aconteceu o segundo massacre, desta vez na comunidade de Uruaçu, localizada no atual município de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. O ataque foi igualmente liderado por Jacob Rabbi. Entre as vítimas, destaca-se o camponês Mateus Moreira, que teria tido o coração arrancado enquanto ainda vivo, exclamando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.
Os relatos históricos apontam que os fiéis foram impedidos de orar, tiveram membros decepados e muitos foram degolados. As mortes foram motivadas por perseguição religiosa durante o domínio calvinista dos holandeses no Nordeste do Brasil.
Celebrações e memória
O Dia dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu é feriado estadual no Rio Grande do Norte desde 2006, celebrado no dia 3 de outubro, conforme a Lei Nº 8.913. Em memória aos acontecimentos, foi inaugurado, no dia 5 de dezembro de 2000, o Monumento aos Mártires, em São Gonçalo do Amarante. O espaço tem capacidade para acolher até 20 mil peregrinos e ocupa dois hectares de área, doados pela família Veríssimo. O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Francisco Soares Junior.
O local se tornou ponto de peregrinação para fiéis e turistas religiosos, sendo também um símbolo da resistência católica durante o período colonial no Brasil.
Foto: Prefeitura de São Gonçalo do Amarante/Ilustração/Arquivo
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