Mais de 200 mil pessoas acompanham a Missa de Exéquias; cardeal Giovanni Battista Re exalta trajetória pastoral e defesa dos marginalizados
O Vaticano celebrou neste sábado (26.abr.2025) a Missa de Exéquias do Papa Francisco, encerrando três dias de velório aberto para visitação pública. A cerimônia, realizada no átrio da Basílica de São Pedro, marca o início do Novendiali, período de nove dias de luto e orações em homenagem ao pontífice. Mais de 200 mil pessoas participaram da celebração, lotando a Praça de São Pedro e suas imediações.
A missa de corpo presente foi presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, que na homilia destacou o legado pastoral de Francisco, sublinhando seu compromisso com a proximidade ao povo e atenção especial aos marginalizados. Estiveram presentes cerca de 250 cardeais, além de bispos, padres, religiosos e religiosas de diversas partes do mundo.

O caixão de madeira e zinco, selado na noite de sexta-feira (25), foi posicionado em frente ao altar da Basílica de São Pedro. Após a celebração e os ritos da Última Commendatio e da Valedictio, o caixão foi levado ao interior da basílica e, posteriormente, transportado até a Basílica de Santa Maria Maior, seguindo um cortejo de aproximadamente 4 quilômetros pelas ruas de Roma.
Em comunicado oficial, a Santa Sé afirmou que a multidão diversificada presente representa a Igreja de Francisco, aquela que “acolhe todos, todos, todos”, em referência a uma expressão frequentemente usada pelo pontífice.

Durante a homilia, Giovanni Battista Re destacou que o Papa Francisco foi um pastor “junto do povo” e “atento aos sinais do seu tempo”. O cardeal lembrou episódios marcantes do pontificado, como as viagens a Lampedusa e Lesbos, que evidenciaram o compromisso do Papa com os refugiados e migrantes. Também citou a viagem histórica ao Iraque em 2021 e a recente visita a quatro nações da Ásia-Oceania em 2024.
O cardeal ressaltou que Francisco sempre defendeu uma Igreja de portas abertas, inspirada pela misericórdia e pela cultura do encontro, em contraste com a “cultura do descarte”. Enfatizou ainda o papel do Papa na promoção da fraternidade, refletida na encíclica Fratelli Tutti e no Documento sobre a Fraternidade Humana, assinado nos Emirados Árabes Unidos em 2019.

Segundo Battista Re, a alegria do Evangelho foi a marca central do pontificado de Francisco, que procurou iluminar os desafios contemporâneos com a sabedoria cristã, incentivando uma Igreja missionária, acolhedora e sensível às dores da humanidade. A exortação apostólica Evangelii Gaudium foi citada como exemplo do espírito que guiou suas ações.
O funeral também evidenciou o esforço contínuo de Francisco em prol da paz mundial. Em diversas ocasiões, o Papa denunciou a guerra como “uma derrota dolorosa” e pediu incessantemente negociações honestas para alcançar soluções pacíficas.
Entre os momentos lembrados na homilia, destacou-se a última aparição pública de Francisco na Solenidade de Páscoa, poucos dias antes de sua morte, quando, apesar das dificuldades de saúde, concedeu a bênção da Basílica e saudou os fiéis em um gesto de despedida.


Os nove dias de celebrações eucarísticas em sufrágio pelo Papa Francisco seguirão até 4 de maio, sempre às 17h (horário local), na Basílica de São Pedro. A exceção será a Missa da Divina Misericórdia, programada para este domingo (27.abr), às 10h30, na Praça de São Pedro.
Ao final da cerimônia, fiéis de diferentes culturas e origens sociais se despediram de Francisco, que, em vida, pediu reiteradamente: “Não vos esqueçais de rezar por mim”. Agora, a Igreja pede ao Papa Francisco que, do céu, interceda pela humanidade.
Foto: Mazur Mazur /cbcew.org.uk
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