Editorial POR DENTRO DO RN

A exclusão de Natal da lista de sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, anunciada pela FIFA, trouxe à tona questões estruturais que vão além dos gramados. Apesar de contar com a Arena das Dunas, palco de jogos da Copa de 2014, a capital potiguar não foi escolhida, ao contrário de outras cidades nordestinas como Fortaleza, Recife e Salvador.
Em verdade, Natal foi a única capital do Nordeste a ficar de fora, juntamente a Cuiabá, Manaus e Belém.
Um dos fatores determinantes para essa decisão foi o sistema de transporte público da cidade, considerado ineficiente e inadequado para eventos de grande porte. As milhares de pessoas que utilizam os ônibus na capital potiguar – e aguardam por uma solução digna de melhoria – sabem disso muito bem.
Infraestrutura esportiva não foi suficiente
Natal apresentou à FIFA uma proposta baseada na reutilização da Arena das Dunas, que já havia sediado quatro partidas da Copa do Mundo masculina de 2014. Além disso, ofereceu centros de treinamento como o Estádio Frasqueirão, a Arena América, o campo da UFRN e o Estádio Juvenal Lamartine. Apesar dessas estruturas, a cidade não foi selecionada, indicando que outros aspectos foram considerados mais relevantes na escolha das sedes.
Transporte público como fator decisivo
O sistema de transporte público de Natal tem sido alvo de críticas constantes por parte da população e especialistas. A cidade enfrenta problemas como a falta de integração entre os modais, frota de ônibus envelhecida e ausência de climatização nos veículos. Essas deficiências comprometem a mobilidade urbana e a capacidade de receber um grande fluxo de turistas e delegações durante eventos internacionais.
Em comparação, as cidades escolhidas como sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027 possuem sistemas de transporte mais modernos e eficientes. Fortaleza, por exemplo, conta com corredores exclusivos para ônibus e veículos com ar-condicionado. Recife possui uma malha metroviária que facilita o deslocamento. Salvador investiu em sistemas integrados de transporte, incluindo metrô e ônibus climatizados.
Promessas não cumpridas e falta de planejamento
A Prefeitura de Natal anunciou, em diversas ocasiões, planos para modernizar o transporte público da cidade, incluindo a realização de licitações para renovação da frota e implementação de sistemas integrados. No entanto, essas promessas não se concretizaram de forma efetiva. A falta de planejamento e execução de políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana contribuiu para a imagem negativa da cidade perante os organizadores do evento.
A ausência de investimentos consistentes e a morosidade na implementação de melhorias no transporte público refletem uma gestão municipal que não prioriza a mobilidade urbana como elemento estratégico para o desenvolvimento e a atração de eventos internacionais.
Impacto na economia e na imagem da cidade
Ficar de fora da Copa do Mundo Feminina de 2027 representa uma perda significativa para a economia local. Eventos desse porte movimentam diversos setores, como turismo, comércio e serviços, gerando empregos e renda. Além disso, a visibilidade internacional proporcionada por uma competição mundial poderia impulsionar a imagem de Natal como destino turístico e de investimentos.
A exclusão também evidencia a necessidade de repensar as políticas públicas voltadas para a infraestrutura urbana. A mobilidade eficiente é um dos critérios fundamentais para a escolha de sedes de eventos internacionais, e a falta de atenção a esse aspecto pode comprometer futuras candidaturas da cidade.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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