RN tem segundo maior índice de obesidade entre adultos no Brasil

RN tem segundo maior índice de obesidade entre adultos no Brasil

Dados do Ministério da Saúde revelam que mais de 42% da população adulta do RN atendida pelo SUS apresenta algum grau de obesidade

O Rio Grande do Norte ocupa a segunda posição entre os estados brasileiros com maior índice de obesidade entre adultos, conforme dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde, atualizados até maio de 2025. O estado registra 42,09% da população adulta atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com algum grau de obesidade. O índice é inferior apenas ao do Rio Grande do Sul (43,06%) e se aproxima dos percentuais do Rio de Janeiro (42,07%) e Mato Grosso do Sul (42,01%).

A média nacional de obesidade entre adultos no Brasil, segundo o Atlas Mundial da Obesidade, divulgado em março deste ano, é de 31%. O mesmo relatório projeta que, até 2030, 33,4% dos homens brasileiros e 46,2% das mulheres devem apresentar obesidade.

Os dados do Sisvan referem-se exclusivamente aos atendimentos realizados no SUS, o que representa, em sua maioria, uma população de menor renda. No Rio Grande do Norte, fatores como a insegurança alimentar e o alto consumo de alimentos ultraprocessados estão entre os principais elementos que contribuem para os altos índices de obesidade.

Segundo especialistas, a insegurança alimentar leva parte da população a consumir produtos de menor custo e alto teor calórico, em detrimento de alimentos mais nutritivos e saudáveis. Esse padrão alimentar está diretamente associado ao ganho de peso e ao desenvolvimento de quadros de obesidade, especialmente em estados com menores índices de renda, como o RN.

Fatores que influenciam a obesidade no estado

A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial. Aspectos como predisposição genética, alterações hormonais, obesidade materna na gestação, má alimentação na infância, sedentarismo e acesso limitado a cuidados de saúde qualificados estão entre os fatores de risco.

Além disso, o acompanhamento inadequado, a ausência de políticas públicas efetivas e a dificuldade de acesso a medicamentos especializados agravam o problema. Atualmente, cinco medicamentos são reconhecidos por sua eficácia no tratamento da obesidade, mas nenhum deles é distribuído pelo SUS no RN, nem por meio da Farmácia Popular ou unidades especializadas como a Unicat.

Maior prevalência entre mulheres

Os dados demonstram que mulheres são mais afetadas pela obesidade do que os homens. A explicação está relacionada a questões hormonais, padrões metabólicos e sociais. O diagnóstico é feito por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), sendo considerado obeso o indivíduo com IMC igual ou superior a 30.

A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em três graus:

  • Grau I: IMC entre 30 e 34,9 kg/m²
  • Grau II: IMC entre 35 e 39,9 kg/m²
  • Grau III: IMC superior a 40 kg/m²

No RN, entre os 129.130 adultos obesos registrados no Sisvan, 25,31% estão no grau I, 11,07% no grau II e 5,71% no grau III.

Tratamento exige equipe multidisciplinar

O tratamento da obesidade envolve diferentes especialidades. Além de médicos, são necessários nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e educadores físicos. O acompanhamento começa nas unidades básicas de saúde, com ações de prevenção e, quando necessário, encaminhamento a serviços especializados. Em Natal, a Policlínica da Zona Norte é uma das unidades de referência para acompanhamento multidisciplinar de pacientes com obesidade.

O processo de avaliação inclui histórico alimentar, prática de atividade física, consumo de álcool, tabagismo, qualidade do sono, funcionamento intestinal e presença de doenças associadas. Mudanças no estilo de vida, com alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas e acompanhamento psicológico, são medidas fundamentais para o controle do peso.

Importância da alimentação na prevenção

A alimentação equilibrada é um dos pilares no combate à obesidade. Dietas ricas em fibras, compostas por frutas, legumes, verduras, grãos integrais, feijão, lentilha, arroz integral, aveia, frango e peixe, são recomendadas. Alimentos com gorduras saudáveis, como azeite, abacate e castanhas, também podem ser incluídos, com moderação, para promover saciedade e controlar os níveis de glicose no sangue.

A orientação de profissionais de nutrição é essencial para adequar a dieta às necessidades de cada paciente e evitar restrições inadequadas. Questões comportamentais e emocionais também precisam ser consideradas, dado que transtornos como ansiedade e compulsão alimentar estão frequentemente associados à obesidade.

Limitações no acesso aos dados

Os números apresentados pelo Sisvan podem não refletir integralmente a realidade. Como o sistema considera apenas pacientes atendidos pelo SUS, parte significativa da população pode estar fora da estatística, especialmente em áreas com menor cobertura da rede pública. Isso pode explicar, em parte, a diferença entre os índices do RN e os de estados com maior capacidade de atendimento, como o Rio Grande do Sul.

Foto: Alexander Grey/Pexels/Ilustração / Toninho Tavares/Agência Brasília

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