Sessões ocorrem com acesso restrito devido ao segredo de justiça; policial militar é acusado de estupro e homicídio
Terá início na próxima segunda-feira (2.jun.2025), às 8h, no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal, o júri popular do caso envolvendo a morte da estudante Zaira Dantas Silveira Cruz, de 22 anos. O policial militar Pedro Inácio Araújo é acusado de estuprar e matar a jovem no município de Caicó, no Seridó potiguar, durante o período do Carnaval de 2019.
O julgamento será realizado sob segredo de justiça, conforme estabelecido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), com o objetivo de preservar a dignidade da vítima e proteger dados sensíveis do processo. O acesso à sessão será restrito a familiares diretos da vítima e do réu, bem como a representantes institucionais autorizados.

Segundo a 2ª Vara Criminal de Natal, estarão presentes no julgamento seis pessoas: mãe, pai e irmã da vítima; uma psicóloga do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência Letal e Intencional (Nuavv/MPRN); a mãe do réu e um acompanhante. O Ministério Público do Rio Grande do Norte designou três promotores de Justiça para atuar no caso, sem previsão de declarações à imprensa durante o julgamento.
Medidas de segurança e restrições de acesso
Na última sexta-feira (30.mai), foi publicada a Portaria Conjunta nº 1/2025, assinada pela 2ª Vara Criminal e pela Direção do Foro da comarca de Natal. A norma estabelece regras de segurança para o acesso ao Salão do Júri e disciplina a atuação da imprensa no local, devido à natureza sigilosa do processo.
A portaria proíbe a presença de jornalistas e de profissionais da própria Secretaria de Comunicação Social do TJRN no interior do local onde ocorrerá a sessão. A divulgação de informações à imprensa será feita exclusivamente por meio de boletins oficiais, preparados pela Secoms/TJRN, com o intuito de garantir o sigilo judicial.
As medidas visam evitar aglomerações e preservar o ambiente necessário para a condução do julgamento, que deverá se estender até a sexta-feira (6.jun). Estão previstos 22 depoimentos ao longo da semana, incluindo o do acusado e o de testemunhas de acusação e defesa. O processo judicial reúne cerca de 7 mil páginas.
Histórico do caso
Zaira Cruz foi encontrada morta no dia 2 de março de 2019, um sábado de Carnaval, na cidade de Caicó. A jovem era estudante de Engenharia Química e estava prestes a concluir sua graduação. Segundo a acusação, o réu é suspeito de estupro e homicídio contra a vítima.

Inicialmente, o processo tramitava na 3ª Vara de Caicó. No entanto, o julgamento foi transferido para Natal após pedido da defesa, que alegou dúvidas sobre a imparcialidade do júri local devido à repercussão do caso na região do Seridó. A solicitação de desaforamento foi acatada pela Justiça.
Desde o ocorrido, o caso gerou forte comoção social no estado. A vítima residia com a família em Currais Novos, também no Seridó. A mobilização por justiça tem sido constante ao longo dos anos, e o início do julgamento é aguardado como etapa fundamental no andamento do processo.
A expectativa é de que o júri avance com os depoimentos já na primeira sessão. A duração exata do julgamento dependerá da oitiva das testemunhas e do ritmo dos trabalhos ao longo da semana.
Foto: Reprodução
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