Presidente condiciona candidatura à reeleição em 2026 ao estado de saúde e alerta para ofensiva bolsonarista no Senado e ataques dos EUA ao STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (1º.jun.2025) que poderá disputar a reeleição em 2026, desde que mantenha as boas condições de saúde atuais. A declaração foi feita durante o congresso nacional do PSB, em Brasília. Na ocasião, Lula também criticou a tentativa do governo dos Estados Unidos de processar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, defendeu a preservação das instituições democráticas e alertou para os riscos de uma nova ofensiva da extrema direita nas eleições para o Senado.
Em seu discurso, Lula destacou que o retorno da extrema direita ao comando do país dependerá diretamente de sua disposição para concorrer novamente. “Podem ter certeza de uma coisa: se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que eu estou e motivado do jeito que eu estou, a extrema direita não volta a governar este País nunca mais”, afirmou o presidente, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Lula tem 79 anos e enfrentou problemas de saúde nos últimos meses, incluindo um episódio de queda no banheiro em 2024, que exigiu procedimentos médicos para conter um sangramento intracraniano. O estado físico do presidente é considerado fator decisivo na definição sobre a possível candidatura à reeleição.
Durante o evento, Lula também voltou a chamar atenção para a disputa no Senado em 2026. Segundo ele, há articulações de setores bolsonaristas para formar uma “superbancada” na Casa, o que abriria caminho para embates com o Supremo Tribunal Federal, inclusive com tentativas de impeachment de ministros. A renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado está prevista para as eleições gerais de 2026.
De acordo com a Constituição Federal, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A legislação que regulamenta esse processo é a Lei nº 1.079/1950, conhecida como Lei do Impeachment. Até hoje, nenhum ministro do Supremo foi alvo de um processo desse tipo.

Lula argumentou que a defesa do Supremo não significa endosso incondicional às suas decisões, mas sim uma medida de proteção à democracia brasileira. “Não que a Suprema Corte seja uma maçã doce. Não, é porque precisamos preservar as instituições que garantam a democracia deste País. Se a gente for destruir o que não gosta, não vai sobrar nada”, declarou.
Outro ponto abordado pelo presidente foi a insatisfação com ações do governo dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes. Recentemente, o nome do ministro passou a ser mencionado por autoridades norte-americanas como possível alvo de sanções, após decisões que impactaram plataformas digitais sediadas nos EUA e figuras ligadas ao ex-presidente Donald Trump, como Elon Musk.
O presidente brasileiro reagiu às críticas com veemência. “Você veja, os Estados Unidos querem processar o Alexandre de Moraes porque ele está querendo prender um cara brasileiro que está lá nos Estados Unidos fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro. Ora, que história é essa de os Estados Unidos quererem criticar alguma coisa da Justiça brasileira? Nunca critiquei a Justiça deles. Eles fazem tanta barbaridade, tantas guerras, eu nunca critiquei”, disse.
Ao final do discurso, Lula também destacou a necessidade de a esquerda ampliar sua atuação nas redes sociais. Segundo ele, o ambiente digital tem sido dominado por vozes da ultradireita, com maior engajamento e presença online. O apelo se estendeu à militância progressista e aos partidos aliados, para que ampliem sua presença e narrativa nas plataformas digitais.
O congresso nacional do PSB marcou a posse do novo presidente da legenda, João Campos, prefeito do Recife, de 31 anos. Campos é apontado como uma das principais lideranças da esquerda com forte atuação nas redes sociais e figura crescente no cenário político nacional.
Foto: Ricardo Stuckert
Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.







