Paciente com pneumonia e insuficiência respiratória não foi transferida por ausência de leitos disponíveis na rede estadual
Uma criança morreu na madrugada desta segunda-feira (3.jun.2025) no município de Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte, após não conseguir uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. A paciente foi atendida no Hospital Dr. José Augusto Dantas com um quadro grave de pneumonia e insuficiência respiratória.
Segundo a equipe médica que prestou os primeiros atendimentos, a criança foi entubada e estabilizada ainda na unidade hospitalar. No entanto, os profissionais afirmaram que a paciente precisava de suporte intensivo, indisponível naquele momento. A ausência de vaga para transferência em UTI comprometeu o atendimento necessário. As informações foram publicadas pelo portal 96 FM.

O prefeito de Parelhas, Tiago Almeida, que também é médico, relatou que diversas tentativas foram feitas para viabilizar a transferência da paciente. “Lutamos até o último minuto para conseguir uma vaga de UTI”, declarou. “Fiz ligações, acionei contatos, fiz o que estava ao meu alcance. Mas a vaga não veio. E o tempo, cruel como é nessas horas, venceu.”
Ainda de acordo com Tiago Almeida, a estrutura de atendimento de alta complexidade para pacientes pediátricos é insuficiente no estado. “O suporte que ela precisava não existia. E não existia porque falta estrutura, falta vaga, falta resposta”, afirmou. O gestor municipal também mencionou que esse tipo de ocorrência tem sido recorrente. “Essa não é a primeira vez que isso acontece. Recentemente, outra criança morreu em Caicó na mesma situação.”
A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) ainda não emitiu nota oficial sobre o caso. O município de Parelhas informou que aguarda uma resposta da pasta sobre a atual situação da oferta de vagas de UTI para crianças em todo o estado.

O prefeito ressaltou o impacto da tragédia sob múltiplas perspectivas: “Sou pai, sou médico, sou prefeito. E, hoje, mais do que tudo, sou um cidadão profundamente indignado com o que estamos enfrentando.”
A morte da criança chama atenção para a carência de atendimentos de alta complexidade em regiões do interior do Rio Grande do Norte, onde os serviços de urgência e emergência especializados são centralizados, dificultando o acesso em situações críticas. “O povo do interior não pode continuar morrendo por falta de estrutura. Não podemos naturalizar o inaceitável”, afirmou Tiago Almeida.
De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), atualizados até abril de 2025, o Rio Grande do Norte possui poucos leitos de UTI pediátrica habilitados fora da capital, o que sobrecarrega a rede em Natal e impede respostas ágeis a pacientes do interior. A ausência de um sistema eficiente de regulação de vagas e de transporte rápido também é apontada como um fator que compromete o desfecho de casos urgentes.
Foto: Vinícius de Melo/Agência Brasília
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