Motoristas e cobradores cruzam os braços após impasse em negociações salariais; Sintro afirma que adesão atinge 99% da categoria
A cidade de Natal amanheceu nesta quarta-feira (4.jun.2025) com as paradas de ônibus lotadas e o transporte público municipal paralisado. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro-RN), 99% dos motoristas e cobradores aderiram à greve por tempo indeterminado, iniciada à meia-noite.
A paralisação afeta diretamente o deslocamento de milhares de pessoas que dependem do sistema de transporte coletivo urbano. Diversas linhas não saíram das garagens, o que provocou um aumento expressivo na demanda por serviços de transporte por aplicativo, resultando em tarifas mais altas.
O presidente do Sintro, Júnior Rodoviário, afirmou que a decisão da categoria é respaldada pelo direito constitucional de greve. Ele reconheceu a existência de uma determinação judicial que exige o funcionamento de 70% da frota, mas argumentou que muitos motoristas não possuem substitutos, o que inviabiliza o cumprimento imediato da ordem.


“A maioria dos motoristas não tem quem os substitua. O trabalhador tem o direito à greve. Estamos em paralisação total, respeitando a vontade da base”, declarou o presidente do sindicato.
Negociações frustradas com empresários
A greve dos rodoviários foi motivada por impasses nas negociações com os empresários do setor de transporte. A categoria realizou três rodadas de negociação mediadas pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Natal. A última reunião, ocorrida na terça-feira (3), terminou sem avanços concretos.
O indicativo de greve havia sido aprovado desde o dia 16 de maio. Entretanto, a paralisação vinha sendo adiada devido às expectativas de que as negociações avançassem. Como não houve acordo, os trabalhadores decidiram iniciar o movimento paredista.
Reivindicações dos rodoviários
A proposta patronal prevê um reajuste salarial escalonado, com aumento de 5,53% imediato e mais 0,67% em outubro, totalizando 6,2% até o fim do ano. Os rodoviários também reivindicam melhorias no vale-alimentação, com reajuste para R$ 500,00 ainda em maio e nova atualização para R$ 550,00 em dezembro de 2025.

Segundo o sindicato, a categoria considera insuficiente o índice de reajuste proposto e exige uma valorização maior das condições salariais e de trabalho.
Determinação judicial e fiscalização
O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região determinou que 70% da frota de ônibus continue operando durante o período da greve. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) informou que agentes estão monitorando o cumprimento da decisão, com a elaboração de relatórios técnicos que poderão subsidiar a aplicação de sanções às empresas e ao sindicato, caso haja descumprimento da ordem judicial.
A STTU também afirmou que acompanha o movimento desde as primeiras horas da manhã e está adotando medidas para minimizar os impactos à população, principalmente nos horários de pico.
Foto: Matheus Felipe/Ilustração
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