Homem é investigado por ameaças de morte, injúria e violência psicológica contra o próprio filho desde 2020, segundo a Polícia Civil do RN
A Justiça do Rio Grande do Norte manteve nesta terça-feira (10.jun.2025), após audiência de custódia, a prisão preventiva de um auditor fiscal aposentado investigado por crimes relacionados à homofobia e ameaças de morte contra o próprio filho. O homem foi preso na segunda-feira (9.jun) no bairro Candelária, na Zona Sul de Natal.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito é alvo de investigação por injúria qualificada, ameaça, violência psicológica e discriminação motivada por orientação sexual. Segundo informações, o pai não aceitava a homossexualidade do filho e teria afirmado que atentaria contra a vida dele durante um evento familiar previsto para ocorrer ainda nesta semana em um município do interior potiguar.
A prisão foi autorizada pela 15ª Vara Criminal da Comarca de Natal, que também expediu um mandado de busca e apreensão domiciliar. A operação contou com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil, além da participação do cão policial Aquilles, diante da suspeita de que o homem mantinha armas de fogo em sua residência.
Ameaças teriam começado em 2020
As investigações apontam que os episódios de violência psicológica e ameaças se iniciaram em 2020, quando o pai tomou conhecimento da orientação sexual do filho. Desde então, segundo a delegada Paoulla Maués, titular da Delegacia Especializada de Combate a Crimes de Racismo, Intolerância e Discriminação (DECRID), as atitudes hostis se tornaram constantes e chegaram a um ponto crítico nos últimos dias.

A delegada relatou que familiares tinham conhecimento das ameaças. “Ele não escondia de que pretendia ou ele mesmo matar ou contratar alguém para matar”, afirmou Maués. O auditor fiscal teria declarado que iria ao evento familiar mesmo sem ter sido convidado, com a intenção de “mostrar quem é macho de verdade”.
Durante o cumprimento do mandado, o investigado confirmou aos policiais que planejava viajar para o mesmo local do evento familiar, mas não explicou os motivos. A delegada informou ainda que o filho e outros membros da família procuraram a polícia diante da escalada das ameaças.
Histórico de agressividade
A Polícia Civil também revelou que o investigado tem um histórico de comportamentos violentos. Testemunhas o descreveram como “extremamente violento e homofóbico”. Durante a abordagem policial, ele teria feito declarações ofensivas ao se referir ao filho, como: “O cabra nasce homem e inventa de ser mulher. Aqui em casa não bebe água”.

Outros boletins de ocorrência anteriores reforçam o padrão agressivo do suspeito. Em um dos casos, ele foi acusado de ameaçar um vizinho de morte. Em outra situação, após ser advertido por jogar lixo em área pública, teria perseguido a vítima dizendo: “Sou velho e não tenho nada a perder”.
Apoio a vítimas no Centro de Cidadania LGBT
O caso reacendeu o debate sobre violência doméstica e discriminação motivada por orientação sexual no Rio Grande do Norte. Em Natal, o Centro de Cidadania LGBT oferece apoio a pessoas vítimas de homofobia e discriminação. De acordo com o coordenador do local, Rafael Lopes, atualmente 150 pessoas recebem acompanhamento.
“Grande parte dessas pessoas foram expulsas de casa pelos próprios familiares. Essa realidade expõe a fragilidade enfrentada diariamente por quem sofre esse tipo de violência”, afirmou Lopes.
O psicólogo Rodrigo Costa de Oliveira, que atua no centro, complementou que, apesar de existirem famílias acolhedoras, muitos ainda enfrentam rejeição e exclusão. “Ainda há uma ampla vivência de pessoas que têm relações familiares marcadas por hostilidade, preconceito e abandono”, destacou.
A Polícia Civil segue com a investigação para apurar todos os elementos do caso. O nome do suspeito não foi divulgado oficialmente.
Com informações do portal g1 RN
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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