Teerã acusa Washington de violar tratados internacionais; mísseis foram lançados contra Israel em retaliação
O governo do Irã solicitou neste domingo (22.jun.2025) uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após os Estados Unidos realizarem ataques contra três instalações nucleares iranianas no sábado (21.jun). O pedido foi feito por meio de uma carta assinada pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em que acusa os Estados Unidos de uma “grave ameaça à paz e à segurança regional e internacional”.

Segundo Iravani, a ação militar norte-americana constitui uma violação à Carta da ONU e ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. O embaixador afirma ainda que o uso da força foi ilegal e solicita que o Conselho condene o ataque “nos termos mais veementes possíveis”, tomando as medidas necessárias para responsabilizar os autores da ofensiva.
Instalações nucleares atacadas
Os bombardeios dos Estados Unidos tiveram como alvos as instalações de Natanz, Isfahan e Fordow. Esta última é considerada a mais estratégica das três, por estar localizada dentro de uma montanha na região central do Irã, o que oferece maior proteção contra ataques aéreos.
Fordow foi construída no início dos anos 2000 e é uma das principais bases do programa nuclear iraniano. O governo norte-americano ainda não se pronunciou oficialmente sobre os motivos e a extensão dos danos provocados pelos ataques.
Mísseis lançados contra Israel
Em resposta à ofensiva norte-americana, o Irã lançou mísseis em direção ao território israelense. As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram os lançamentos e ativaram os sistemas de defesa aérea para interceptação dos projéteis. A população foi orientada a buscar locais protegidos até novo aviso.
Pouco tempo depois, as FDI autorizaram a liberação dos abrigos e informaram que equipes de busca e resgate estavam sendo mobilizadas para áreas onde houve relatos de queda de projéteis.
Diplomacia em risco
Ainda neste domingo (22.jun), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou em coletiva de imprensa realizada em Istambul, na Turquia, que os ataques dos Estados Unidos representam o cruzamento de uma “linha vermelha muito grande”.
Araghchi questionou a continuidade das vias diplomáticas diante da ofensiva militar. “Não sei quanto espaço resta para a diplomacia. Temos que responder com base em nosso legítimo direito à autodefesa”, afirmou o ministro.
De acordo com Araghchi, ele manteve contato com diversos chanceleres da região nas últimas horas. Segundo o ministro iraniano, “quase todos estão muito preocupados” com a escalada do conflito e demonstraram interesse em agir para conter a “agressão israelense”.
Tensão regional
A solicitação do Irã para a reunião do Conselho de Segurança da ONU eleva a tensão internacional, ao mesmo tempo em que evidencia os riscos de um novo ciclo de confrontos no Oriente Médio. O país pede que os membros do Conselho atuem para responsabilizar os Estados Unidos e restaurar a estabilidade na região.
Até o momento, não há informações sobre novas reuniões ou pronunciamentos oficiais por parte dos Estados Unidos, Israel ou do Conselho de Segurança da ONU em resposta às declarações iranianas.
Foto: jorono por Pixabay / Mohammad Shahhosseini por Pixabay
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