Mais de 126 mil pessoas vivem em unidades de conservação no RN, aponta IBGE

Mais de 126 mil pessoas vivem em unidades de conservação no RN, aponta IBGE

Município de Nísia Floresta concentra a maior parte dos moradores em unidades de conservação no estado, segundo dados do Censo 2022

Mais de 126,6 mil pessoas residem em Unidades de Conservação da Natureza (UCs) no Rio Grande do Norte, segundo dados inéditos divulgados nesta sexta-feira (11.jul.2025) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022. O total representa 3,83% da população potiguar.

Entre os municípios, Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal, concentra o maior número de moradores em áreas desse tipo. De acordo com o IBGE, 91% da população local — mais de 29 mil pessoas — vive dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Bonfim-Guaraíra, que é a unidade com maior população residente no estado.

A APA Bonfim-Guaraíra abriga, ao todo, 72.035 pessoas, sendo a mais populosa entre as nove unidades com moradores identificadas no RN. Em segundo lugar está a APA Piquiri-Uma, com 43.423 residentes.

O IBGE define as unidades de conservação como espaços territoriais com recursos ambientais relevantes, instituídos pelo Poder Público e sujeitos a regime especial de administração, com limites definidos e objetivos voltados à preservação ambiental.

Além de Nísia Floresta, o município de São José de Mipibu também tem presença significativa de moradores em UCs. São 26.739 pessoas vivendo em áreas protegidas, o que corresponde a mais de 56% da população local. Assim como Nísia Floresta, São José do Mipibu também está inserido na APA Bonfim-Guaraíra.

Segundo a superintendente estadual do IBGE no RN, Fabiana Fábrega de Oliveira, a inclusão de dados sobre moradores em unidades de conservação é uma das novidades do Censo 2022. “Os gestores terão informações demográficas para as unidades que poderão embasar decisões mais assertivas de acordo com os objetivos planejados para cada um dos tipos de Unidade de Conservação”, declarou.

Em Natal, capital do estado, o levantamento identificou apenas 36 pessoas vivendo em unidades de conservação. Nos demais municípios com mais de 100 mil habitantes — Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Mossoró — não há registros de moradores nesses espaços, conforme os dados do Censo.

O levantamento também apresentou o perfil sociodemográfico dos moradores em UCs no estado. A maioria é composta por homens, que representam 50,4% (63.804 pessoas), enquanto as mulheres correspondem a 49,6% (62.816 pessoas).

Quanto à distribuição por cor e raça, os dados apontam que 56,5% dos residentes são pardos, 32,2% são brancos, 10,3% são pretos, 0,8% indígenas e 0,2% amarelos. A pesquisa também identificou 1.327 pessoas que se autodeclaram indígenas vivendo em unidades de conservação, com uma proporção de 51,5% de mulheres e 48,5% de homens. Já entre os residentes autodeclarados quilombolas, foram contabilizadas 500 pessoas, igualmente divididas entre homens e mulheres.

As unidades com presença de moradores no estado incluem áreas classificadas como Áreas de Proteção Ambiental (APAs), florestas, parques e reservas de desenvolvimento sustentável.

A maior unidade estadual de conservação do RN, segundo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), é a APA Bonfim-Guaraíra. Criada por decreto estadual em 1999, a unidade abrange ecossistemas de dunas, mata atlântica, manguezais, praias, rios e lagoas, protegendo também espécies vegetais e animais nos municípios de Tibau do Sul, Goianinha, Arês, Senador Georgino Avelino, Nísia Floresta e São José de Mipibu.

Com 42 mil hectares, a APA Bonfim-Guaraíra também abriga outras três unidades de conservação oficialmente reconhecidas: a Floresta Nacional de Nísia Floresta (federal), o Parque Estadual Mata da Pipa (estadual) e a Reserva Faunística de Tibau do Sul (municipal). Além disso, dentro da área protegida, está o Santuário Ecológico de Pipa, um posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, localizado em Tibau do Sul.

O Censo 2022 é o primeiro levantamento populacional do país a detalhar dados específicos sobre moradores em unidades de conservação da natureza, fornecendo subsídios para políticas públicas voltadas à gestão ambiental e social desses territórios.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Nísia Floresta / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração

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