MP pede estudo técnico detalhado antes de poda no Cajueiro de Pirangi

MP pede estudo técnico detalhado antes de poda no Cajueiro de Pirangi

Recurso do Ministério Público solicita complementação de sentença que autoriza intervenção no maior cajueiro do mundo

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) protocolou um recurso nesta sexta-feira (11.jul.2025) solicitando à Justiça que a sentença que autorizou a poda do maior cajueiro do mundo, localizado em Parnamirim, seja complementada com exigências para a elaboração de um estudo técnico detalhado antes de qualquer intervenção.

A demanda foi apresentada após avanços no processo de planejamento para a poda, conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), órgão estadual responsável pela gestão da área. Como parte do processo, foram realizadas audiências públicas na Câmara Municipal de Parnamirim para discutir a intervenção.

O recurso do Ministério Público argumenta que houve omissão na sentença original ao não especificar critérios técnicos mínimos para o estudo prévio, o que poderia comprometer a qualidade e a segurança da intervenção. Segundo o MP, a expressão “estudo prévio” no texto da decisão judicial foi considerada excessivamente ampla e imprecisa.

A sentença determinou ao Idema que elaborasse, em até 120 dias, um estudo que possibilitasse a poda ou intervenções semelhantes no Cajueiro de Pirangi, garantindo o bom desenvolvimento da árvore e a compatibilização com o trânsito de veículos e pedestres na área. Para o MP, a ausência de parâmetros técnicos detalhados poderia resultar na entrega de um documento insuficiente para lidar com a complexidade ambiental da árvore, considerada Patrimônio Natural de Parnamirim.

O Ministério Público elencou elementos que considera indispensáveis para compor um estudo robusto sobre a poda. Entre eles estão a formação de uma equipe técnica multidisciplinar, com engenheiro agrônomo ou florestal e biólogo, e a realização de diagnóstico fitossanitário completo, incluindo exames para detecção de pragas e doenças, avaliação de vitalidade da planta e identificação de galhos secos ou em risco de queda.

O recurso também propõe a inclusão de uma análise estrutural e biomecânica da árvore, com avaliação de estabilidade, mapeamento dos galhos que se projetam sobre vias e propriedades vizinhas, além de medição de altura e projeção. Outro ponto sugerido é um plano detalhado de manejo e poda, com indicação específica dos galhos a serem cortados, justificativas técnicas, definição de métodos de corte, ferramentas apropriadas, cronograma adequado para reduzir o estresse fisiológico da árvore e definição do profissional habilitado para executar ou fiscalizar a atividade.

Também está prevista a necessidade de um plano de gerenciamento dos resíduos vegetais gerados pela poda, garantindo destinação correta conforme legislação ambiental. Por fim, o MP sugere que seja elaborado um plano de monitoramento pós-poda, com vistorias técnicas periódicas por pelo menos 12 meses para acompanhar a cicatrização dos cortes e o estado fitossanitário da árvore.

O debate sobre a poda do Cajueiro de Pirangi ocorre há mais de uma década. Moradores e comerciantes alegam que os galhos avançaram para além do terreno original, bloqueando ruas e ameaçando propriedades. Em decisão de maio do ano passado, a Justiça autorizou a poda para garantir o livre trânsito na área. Estima-se que aproximadamente 1.200 metros da planta ultrapassem os limites cercados atualmente.

O Idema prevê um investimento de R$ 200 mil para o processo de poda, com previsão de duração de até seis meses. O objetivo declarado do manejo é compatibilizar o crescimento do cajueiro com a circulação local sem comprometer a saúde da árvore, que tem cerca de 137 anos e ocupa aproximadamente 10 mil metros quadrados.

O Cajueiro de Pirangi é reconhecido pelo Guinness Book desde 1994 como o maior cajueiro do mundo. Em 2024, o local recebeu mais de 350 mil visitantes, sendo um dos principais pontos turísticos do litoral potiguar.

A intervenção proposta gerou discussões entre moradores, comerciantes e setores ligados ao turismo, que demonstraram preocupações com o impacto potencial da poda na atração turística e na dinâmica comercial da região. Também há posicionamentos contrários ao procedimento por receios relacionados à saúde da árvore, ao risco de envelhecimento acelerado e à possibilidade de restrição ao processo de enraizamento que garante a expansão característica do cajueiro.

Foto: Ricardo Junqueira/Divulgação/Idema

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