Número de aeroportos com voos regulares caiu mais de 15% em dois anos, apesar do aumento na demanda de passageiros
Redução da malha aérea deixa cidades brasileiras sem voos comerciais
O Brasil possui mais de 500 aeroportos públicos, mas apenas 137 registraram voos comerciais em julho de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O número representa queda em relação aos 155 aeroportos com operações comerciais em julho de 2024 e aos 162 registrados no mesmo mês de 2023. Em dois anos, a redução ultrapassa 15%, indicando retração na cobertura da malha aérea nacional.
Apesar da diminuição de destinos atendidos, o volume de passageiros atingiu recorde histórico, com 11,6 milhões transportados em julho. A oferta de voos pelas companhias aéreas é ajustada conforme demanda, sazonalidade e custos operacionais. No entanto, a retração também foi observada em março de 2025, quando apenas 154 aeroportos registraram pousos e decolagens comerciais, contra 163 em março de 2023.

Desde a pandemia, as três principais companhias aéreas brasileiras — Latam, Gol e Azul — recorreram ao processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. A Latam iniciou o processo em 2020 e concluiu a reestruturação em dois anos. A Gol passou pelo procedimento entre maio de 2024 e junho de 2025. A Azul iniciou sua reestruturação no fim de maio de 2025.
As empresas enfrentaram alto endividamento e necessidade de capital para manter operações. A reestruturação exigiu redução de custos e ajustes na frota, impactando diretamente a oferta de voos e destinos. Latam e Gol já passaram por esse processo e retomaram crescimento. Atualmente, a Azul está em fase de corte e reorganização.
A Azul busca US$ 1,6 bilhão em financiamento e até US$ 950 milhões em aportes, com o objetivo de reduzir mais de US$ 2 bilhões em dívidas. Entre as medidas está a redução de 35% na frota futura. Em fevereiro e março, a empresa suspendeu operações em 14 aeroportos, sendo a única operadora em 13 deles. A justificativa foi o desequilíbrio entre receita e custos nesses mercados.
Em contrapartida, a Azul ampliou frequências em rotas com maior eficiência operacional. A empresa destacou que a revisão da malha visa maximizar rentabilidade e geração de caixa. Atualmente, opera sem concorrência direta em 83% das rotas, que representam mais de 70% da receita. Dos 137 aeroportos com voos em julho, a Azul atuava sozinha em mais de 47%.
A dependência de localidades à malha aérea da Azul é considerada crítica. Ajustes na operação afetam diretamente o atendimento ao interior do país, que é mais vulnerável a mudanças na malha. Fatores como alta do dólar, preço do petróleo e troca de aeronaves também influenciam a oferta de voos.
A Azul informou que todas as adequações são avaliadas para garantir a sustentabilidade das rotas, considerando aumento de custos operacionais e o processo de reestruturação. A empresa anunciou que terá 3,6 mil voos adicionais na próxima alta temporada. No entanto, desde o início do ano, a malha encolheu de mais de 160 para 137 destinos.
As limitações enfrentadas pelas companhias aéreas incluem alto custo de operação no Brasil e escassez de aeronaves e peças de reposição no mercado global, reflexo da pandemia. Com a demanda aquecida, os aviões operam com ocupação média próxima de 86%, o que pressiona as tarifas.
A redução da malha aérea afeta diretamente a conectividade regional e o acesso de cidades menores ao transporte aéreo. A tendência de concentração de voos em rotas mais rentáveis pode ampliar desigualdades no setor e limitar o desenvolvimento de regiões menos atendidas.
Foto: Rafael Neddermeyer Fotos Públicas
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