Mulher com hemangioma capilar aguarda procedimento no sistema público de saúde desde maio de 2024
Paciente com tumor no rosto espera cirurgia há mais de um ano no RN
Uma paciente diagnosticada com um tumor no rosto aguarda há mais de um ano pela realização de uma cirurgia no sistema público de saúde do Rio Grande do Norte. Edilma Varela dos Santos Araújo, de 48 anos, residente no município de Cerro Corá, convive com um hemangioma capilar há três anos e está na fila de regulação desde maio de 2024.
Segundo familiares, a situação compromete a qualidade de vida da paciente, que também é deficiente auditiva. A família relata preocupação com o risco de agravamento do quadro clínico, especialmente em caso de quedas ou traumas, e cobra urgência na realização do procedimento.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) confirmou que Edilma ocupa a primeira posição na fila de regulação para a região. No entanto, a convocação da paciente depende da abertura de agenda por parte do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol) ou de outro hospital prestador de serviço.
O Huol informou que Edilma está cadastrada na fila estadual para o procedimento. Desde novembro de 2024, a gestão da lista de pacientes para esse tipo de cirurgia passou a ser responsabilidade da Sesap. Em 2025, segundo o hospital, foram ofertadas 40 vagas para o procedimento indicado à paciente: a alcoolização percutânea.

Sobre o procedimento
A alcoolização percutânea é uma técnica utilizada para tratar hemangiomas e outras lesões vasculares. O procedimento consiste na inserção de um catéter em um vaso sanguíneo, geralmente nos membros superiores ou inferiores, que é guiado até o local da lesão. Uma substância é então injetada para provocar a obstrução dos vasos que alimentam o tumor.
O método é considerado minimamente invasivo e pode ser realizado em ambiente hospitalar com estrutura adequada. A disponibilidade de vagas para esse tipo de cirurgia depende da capacidade técnica e estrutural das unidades de saúde credenciadas.
Situação atual
Apesar de estar na primeira posição da fila, Edilma ainda não foi convocada para o procedimento. A Sesap e o Huol afirmam que a realização da cirurgia está condicionada à abertura de agenda hospitalar, o que depende de fatores como disponibilidade de equipe, leitos e insumos.
O hospital reforçou, em nota, o compromisso com a assistência de qualidade e com o cumprimento rigoroso da disponibilização das vagas reguladas pelo Estado. A instituição também destacou que atua dentro dos limites de sua capacidade técnica e estrutural.
A demora na realização da cirurgia levanta questionamentos sobre a eficiência do sistema de regulação e a capacidade de resposta da rede pública de saúde diante de casos considerados prioritários. A situação de Edilma exemplifica os desafios enfrentados por pacientes que dependem exclusivamente do SUS para procedimentos especializados.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração/Reprodução
Siga o Por Dentro do RN também no Instagram e mantenha-se informado.







