RN tem 85 presos no semiaberto sem tornozeleira ou monitoramento

RN tem 85 presos no semiaberto sem tornozeleira ou monitoramento

Estado enfrenta desafios na fiscalização de apenados mesmo com estoque disponível de dispositivos eletrônicos

RN tem 85 presos no semiaberto sem tornozeleira ou monitoramento

O Rio Grande do Norte registra atualmente 85 presos no regime semiaberto que cumprem pena sem tornozeleira eletrônica, sem monitoramento e sem recolhimento ao sistema prisional. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap).

Dos 85 casos, 39 correspondem a apenados que progrediram de regime nos últimos meses, foram convocados para instalação dos dispositivos, mas não retornaram à Central de Monitoramento Eletrônico (CEME) para o procedimento. A Seap informou que os nomes foram comunicados às varas competentes, e os presos podem ter seus regimes regredidos para o fechado.

Os outros 46 casos envolvem apenados que progrediram de regime sem ordem judicial para uso de tornozeleira. Esses indivíduos estão obrigados a comparecer quinzenalmente para assinatura de documento de presença.

Estoque de tornozeleiras e monitoramento

Segundo a Seap, não há falta de tornozeleiras eletrônicas no estado. O coordenador da CEME, Deivid Matuzalem, afirmou que o passivo foi zerado há alguns meses e que há dispositivos disponíveis para novas progressões de regime e substituições por defeito.

Atualmente, cerca de 3 mil presos são monitorados eletronicamente no RN. As tornozeleiras são utilizadas tanto por apenados do semiaberto quanto por indivíduos sujeitos a medidas protetivas, como agressores enquadrados na Lei Maria da Penha.

A CEME funciona 24 horas por dia, na Central Integrada de Gerenciamento Operacional do Sistema Penitenciário (CIGOSPEN), localizada na Avenida Ayrton Senna, bairro de Neópolis, em Natal. O telefone para denúncias e informações é (84) 98847-6445.

RN tem 85 presos no semiaberto
RN tem 85 presos no semiaberto

Histórico de problemas com tornozeleiras

O estado enfrentou dificuldades no fornecimento de tornozeleiras entre 2023 e 2025. Em fevereiro de 2024, uma remessa de 500 dispositivos foi retida no Aeroporto de Guarulhos (SP) devido à greve de auditores fiscais. Em agosto do mesmo ano, a escassez no mercado deixou cerca de 500 presos sem monitoramento.

Em maio de 2023, a ausência de envio por parte de uma das fornecedoras levou o Judiciário a suspender penas por impossibilidade de cumprimento da medida. Em junho de 2025, a Seap informou que o atendimento foi regularizado.

Atualmente, duas empresas prestam o serviço de monitoramento eletrônico no RN. Uma delas foi contratada após recomendação do Ministério Público, devido à inadimplência da anterior. Os contratos mensais variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. A Seap afirma que não há notas fiscais em aberto junto às empresas.

Investimentos e fiscalização

Em 2025, o monitoramento eletrônico foi ampliado com recursos do Governo Federal. A Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) destinou R$ 1,6 milhão para contratação de equipes multidisciplinares e R$ 2,5 milhões para custeio do monitoramento.

Apesar dos avanços, o Ministério Público do RN aponta falhas no cumprimento da Lei de Execuções Penais (LEP). Segundo o promotor Vitor Emanuel de Medeiros Azevedo, o estado não oferece vagas em estabelecimentos prisionais para o regime semiaberto, como determina a legislação.

O promotor reconhece que o monitoramento eletrônico é uma alternativa mais digna e econômica, mas destaca a preocupação com a ausência de estrutura adequada para o cumprimento do regime semiaberto.

Foto: Reprodução/PMRN

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