Vereador denuncia perseguição política após apoiar nomes fora da preferência do prefeito; Allyson nega retaliação
Racha na base de Allyson Bezerra expõe exonerações e pressão por apoio à primeira-dama
A base política do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), enfrenta desgaste público após denúncias de perseguição política e exonerações de aliados. O episódio ganhou repercussão após o vereador Wiginis do Gás anunciar, no plenário da Câmara Municipal, seu rompimento com o grupo governista. Segundo ele, a decisão foi motivada por retaliações após declarar apoio à reeleição do deputado estadual Ivanilson Oliveira (União Brasil) e à pré-candidatura da vereadora licenciada Nina Souza (União Brasil) à Câmara Federal.
Wiginis afirmou que foi “expulso da base” por não se curvar à exigência de apoio à pré-candidatura da primeira-dama, Cinthia Raquel Pinheiro da Silva, ao cargo de deputada estadual em 2026. A candidatura é articulada dentro do PSD, presidido no estado pela senadora Zenaide Maia.
O vereador relatou que todos os seus aliados com cargos comissionados na Prefeitura de Mossoró foram exonerados após sua decisão política. “Fui convidado a me retirar da base porque já começaram a exonerar pessoas ligadas a mim”, declarou. Ele também denunciou que vereadores são pressionados a não interagir com membros da oposição, nem mesmo em ações simbólicas como moções de aplauso.

O deputado Ivanilson Oliveira, em discurso na Assembleia Legislativa, classificou a atitude do prefeito como “infantilidade” e afirmou que Wiginis está sendo perseguido por exercer sua liberdade política. “Acho isso muita infantilidade de uma pessoa que quer ser pré-candidata a governo do Estado com essas iniciativas de perseguição”, disse o parlamentar.
A crise na base aliada pode se aprofundar. Além de Wiginis, há expectativa de saída dos vereadores Petras Vinícius (União Brasil) e Ozaniel Mesquita (União Brasil). Atualmente, Allyson conta com apoio de 15 dos 21 vereadores da Câmara Municipal de Mossoró.
Apesar das exonerações e denúncias, o prefeito Allyson Bezerra negou qualquer tipo de retaliação. Em nota, afirmou que “nunca exigiu apoio de ninguém” e que sua base é composta por parlamentares com diferentes alinhamentos políticos. Segundo ele, a saída de Wiginis foi voluntária e motivada por pedidos pessoais não atendidos pela gestão.
Allyson também declarou apoio à pré-candidatura de Nina Souza em Mossoró, negando que haja qualquer veto à parlamentar. “A verdade é que o nosso grupo político está unido e firme. O resto é invenção de quem quer holofote”, disse o prefeito.
Nos bastidores, há relatos de que o prefeito admite liberar alguns vereadores para apoiar outros candidatos, como Ricardo de Dodoca (União Brasil) e Alex do Frango (PSD), que estariam alinhados com a reeleição do deputado Neilton Diógenes (PP), em troca de apoio do prefeito de Apodi, Sabino Neto (MDB), aliado de Neilton.
A movimentação política em Mossoró revela um cenário de tensão interna na base governista, com denúncias públicas de perseguição e controle sobre decisões individuais dos parlamentares. A condução do prefeito Allyson Bezerra, diante das exonerações e da pressão por apoio à primeira-dama, levanta questionamentos sobre a autonomia política dos vereadores e o uso da máquina pública como instrumento de coerção.
Foto: Wilson Moreno/Secom/PMM
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