Polícia conclui que adolescente que matou padrasto no RN era vítima de violência

Polícia conclui que adolescente que matou padrasto no RN era vítima de violência

Investigação aponta histórico de maus-tratos desde os dois anos de idade; caso foi encaminhado à Justiça

Polícia conclui que adolescente que matou padrasto no RN era vítima de violência

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte concluiu a investigação sobre o caso do adolescente de 14 anos suspeito de matar o padrasto a facadas no município de São Miguel, localizado no Alto Oeste potiguar. O crime ocorreu no dia 5 de outubro. Segundo a corporação, o jovem era vítima de maus-tratos desde os dois anos de idade e vivia em situação de extrema vulnerabilidade.

O homem de 32 anos, vítima do ataque, chegou a ser socorrido com múltiplos ferimentos e encaminhado ao hospital local, mas não resistiu e morreu. Após o crime, o adolescente fugiu e se apresentou à polícia no dia 8 de outubro. Ele prestou depoimento e confessou ter utilizado uma faca para cometer o homicídio. Como não havia mais flagrante, o jovem não foi apreendido.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que o adolescente relatou inicialmente que o motivo do crime teria sido uma brincadeira feita pelo padrasto. No entanto, o relatório elaborado pelo Conselho Tutelar revelou um histórico de violência física e psicológica sofrida pelo jovem dentro do ambiente familiar.

Polícia conclui que adolescente que matou padrasto no RN era vítima de violência
Polícia conclui que adolescente que matou padrasto no RN era vítima de violência

O documento aponta que os maus-tratos começaram quando o adolescente tinha apenas dois anos de idade. A investigação concluiu que ele apresentava sinais de trauma decorrentes dos abusos sofridos ao longo da infância. A Polícia Civil considerou que o jovem vivia em condição de vulnerabilidade extrema.

O caso foi encaminhado à Justiça, que deverá decidir se o adolescente será internado em um centro de atendimento socioeducativo. A medida poderá ser adotada conforme os critérios estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê ações voltadas à responsabilização e à proteção de menores envolvidos em atos infracionais.

A investigação não registrou outros envolvidos no crime. A Polícia Civil reforçou que o adolescente agiu sozinho e que o contexto familiar foi determinante para a ocorrência. O Conselho Tutelar acompanha o caso e poderá recomendar medidas de proteção adicionais.

O município de São Miguel, onde o crime ocorreu, está localizado na região do Alto Oeste do Rio Grande do Norte e possui histórico de casos relacionados à violência doméstica. A atuação das autoridades locais tem sido voltada à prevenção e ao acolhimento de vítimas, especialmente em situações que envolvem menores de idade.

Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração

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