Equipamentos estão fora de operação pela terceira vez em dois meses; Sesap planeja compra e aluguel de novos tomógrafos para evitar descontinuidade do serviço
Tomógrafos do Hospital Walfredo Gurgel voltam a quebrar e paralisam exames de imagem
O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, principal unidade pública de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, está novamente sem tomógrafos em funcionamento. Os dois equipamentos utilizados para exames de imagem estão quebrados pela terceira vez em dois meses, o que tem dificultado o atendimento e o diagnóstico dos pacientes.
De acordo com relatório da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap-RN), o tomógrafo principal, responsável pela maior parte dos exames diários, foi fabricado em 2010 e é considerado obsoleto pelo fabricante, a Philips, desde dezembro de 2024. O documento, elaborado pela Coordenadoria de Patrimônio e Infraestrutura da secretaria, aponta a necessidade urgente de substituição do aparelho.
Segundo o relatório, o uso de equipamentos ultrapassados compromete a precisão dos exames, aumenta o tempo de atendimento e eleva riscos aos pacientes, devido à limitação tecnológica e ao alto custo de manutenção.

O segundo tomógrafo do hospital, fabricado em 2015, também está inoperante. O Walfredo Gurgel é responsável por atender pacientes de toda a rede estadual, realizando tomografias de urgência para hospitais como o Giselda Trigueiro, João Machado, José Pedro Bezerra (Santa Catarina) e Maria Alice Fernandes.
Sesap abre licitação e planeja aluguel de novo tomógrafo
A Sesap informou que está com processo licitatório em andamento para adquirir um novo tomógrafo e pretende alugar outro, medida que deve garantir a substituição dos dois equipamentos atualmente em uso.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu inquérito para investigar a falta de exames de imagem na unidade. O custo estimado de um novo tomógrafo é de R$ 2,9 milhões. O hospital realiza, em média, 4.600 tomografias por mês.
Com a paralisação dos serviços, os pacientes têm sido encaminhados para o Hospital Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, e para o Hospital Giselda Trigueiro, em Natal.

Em nota, a Sesap informou que a empresa responsável pela manutenção esteve no hospital nesta segunda-feira (10) e constatou a necessidade de troca de uma peça, já requisitada ao fornecedor em Minas Gerais.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, o segundo tomógrafo está em uma sala que passa por reforma, o que impede o uso do equipamento até a conclusão da obra.
O MPRN acompanha o caso e aguarda novas informações da Sesap sobre prazos para restabelecimento dos exames no hospital.
Leitos de UTI enfrentam risco de bloqueio em outras unidades
Além da paralisação dos tomógrafos, hospitais da rede estadual enfrentam problemas na manutenção e funcionamento de leitos de UTI. O Hospital Regional Dr. Mariano Coelho, em Currais Novos, e o Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Santa Catarina), em Natal, apresentam risco de bloqueio de leitos devido à falta de equipamentos e de profissionais de enfermagem.
No Hospital Mariano Coelho, há insuficiência de aspiradores portáteis para os dez leitos de UTI, segundo documento assinado na segunda-feira (10). Já o Hospital Santa Catarina registra carência de enfermeiros e técnicos de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais Convencionais (UCINCO).
Além disso, 12 leitos infantis estão bloqueados devido à reforma do setor Canguru, onde são atendidos bebês prematuros e recém-nascidos de alto risco. A Sesap informou que a reforma deve ser concluída até o fim de novembro e que os atendimentos continuam sendo realizados em leitos de média complexidade.
A pasta afirmou também que mantém os serviços ativos nas duas unidades e que há previsão de convocação de profissionais aprovados no concurso público da Sesap para recompor as equipes.
Estrutura hospitalar em alerta
De acordo com informações dos relatórios enviados pelas direções das unidades, os problemas estruturais e a falta de equipamentos afetam diretamente o funcionamento dos serviços de alta complexidade. Em Currais Novos, a direção do Hospital Mariano Coelho solicitou resolução urgente do problema com os aspiradores portáteis.
Os registros apontam que a falta de equipamentos e de manutenção adequada pode comprometer a segurança dos pacientes e o funcionamento dos leitos de terapia intensiva, essenciais para o atendimento de casos graves.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Solano Braz/Governo do RN
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