Corpo de Bombeiros aponta correntezas como uma das principais causas e reforça orientações aos banhistas durante a Operação Verão 2026
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) registrou 36 ocorrências de afogamento nos quatro primeiros dias de janeiro de 2026. O número representa cerca de 43% do total contabilizado em todo o mês de janeiro do ano anterior, segundo dados divulgados pela corporação.
Mesmo com o reforço das equipes durante a Operação Verão 2026, três mortes por afogamento foram confirmadas no período, sendo duas em águas doces e uma em água salgada. As ocorrências foram registradas em meio ao aumento do fluxo de banhistas no litoral e em áreas de rios e lagoas do estado.
Caso em Tabatinga concentra atenções
Um dos casos registrados ocorreu no sábado (3), na praia de Tabatinga, no município de Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal. Quatro pessoas se afogaram após entrarem no mar. Três jovens foram resgatadas com vida pelas equipes de salvamento.
Uma adolescente de 14 anos desapareceu durante a ocorrência. O corpo foi localizado no domingo (4). A vítima foi identificada como Lara Rebeca Ferreira da Silva.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a área contava com atuação das equipes de guarda-vidas, que realizaram os atendimentos assim que o chamado foi registrado.
Correntes de retorno estão entre as principais causas
Segundo o CBMRN, as correntes de retorno, conhecidas popularmente como correntezas, estão entre as principais causas de afogamentos no litoral potiguar. O fenômeno consiste em fluxos de água que se formam no mar e puxam os banhistas para longe da faixa de areia.

A corporação informou que já havia emitido alertas preventivos sobre o risco das correntes de retorno ainda em dezembro de 2025, em razão da chegada do verão e do aumento do número de frequentadores nas praias do estado.
O Corpo de Bombeiros classifica as correntes de retorno como uma armadilha invisível, uma vez que, visualmente, a área pode parecer mais calma em comparação com o restante do mar.
Características das correntezas no mar
Entre os principais sinais de corrente de retorno estão a mudança na coloração da água, que tende a ficar mais escura em determinados pontos, e a menor formação de ondas naquela área específica. O fenômeno ocorre devido à variação da maré, que forma valas ou buracos no fundo do mar.
Segundo explicação do guarda-vidas Wellington, a água retorna com maior intensidade nesses locais. “A formação das ondas por esse local é menor e a água retorna para o mar com mais força. Isso acontece porque, com a alta e a baixa da maré, forma-se um buraco. Quando a onda vem, ela retorna por ali com mais violência, caracterizando a corrente de retorno”, explicou.
Orientações em caso de corrente de retorno
O Corpo de Bombeiros orienta que, caso o banhista seja puxado por uma corrente de retorno, não deve tentar nadar contra a força da água, pois isso pode provocar cansaço extremo e aumentar o risco de afogamento.
A recomendação é nadar lateralmente, em paralelo à faixa de areia, até sair da área da corrente, e somente depois tentar retornar à praia.

A corporação também reforça que os banhistas devem priorizar áreas próximas aos postos de guarda-vidas, onde há monitoramento contínuo e resposta rápida em situações de emergência.
Dados da Operação Verão 2026
Entre os dias 1º e 4 de janeiro, o Corpo de Bombeiros registrou as seguintes ocorrências durante a Operação Verão 2026 no Rio Grande do Norte:
- Afogamentos: 36 registros
- Queimaduras por caravela-portuguesa: 23 ocorrências
- Atendimentos pré-hospitalares (APH): 21
- Crianças perdidas: 11 casos
- Orientações aos banhistas: 5.214
- Advertências preventivas: 2.063
Para atender ao aumento das ocorrências, a Operação Verão 2026 conta com equipes reforçadas, ampliação das escalas de serviço e abertura de novos postos de guarda-vidas em pontos estratégicos do litoral e em áreas de maior concentração de banhistas em todo o estado.
Em situações de risco, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Divulgação/CBMRN
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