Presidente dos EUA menciona Colômbia, México, Irã e volta a defender controle da Groenlândia após prisão de Nicolás Maduro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou neste domingo (4) o discurso de pressão internacional após a ofensiva americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. Em declarações públicas concedidas a jornalistas, o chefe da Casa Branca mencionou a possibilidade de novas ações militares e intervenções envolvendo países da América Latina, do Oriente Médio e do Ártico.

As declarações ocorreram a bordo do avião presidencial e em entrevistas concedidas ao longo do fim de semana, um dia após a operação militar na Venezuela. Trump citou diretamente Colômbia, México, Irã e voltou a defender o interesse dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca.
Ameaça à Colômbia após ofensiva na Venezuela
Ao comentar o cenário regional após a prisão de Nicolás Maduro, Donald Trump afirmou que a Colômbia poderia se tornar alvo de uma ação militar americana. Segundo o presidente dos Estados Unidos, o país sul-americano seria responsável pela produção e exportação de cocaína destinada ao mercado norte-americano.
Trump criticou o presidente colombiano, Gustavo Petro, e afirmou que a situação não se manteria por muito tempo. Questionado sobre a possibilidade de uma operação militar, declarou que uma eventual “Operação Colômbia” seria “uma boa ideia”.

Durante as mesmas declarações, o presidente americano também mencionou Cuba, afirmando que o país estaria próximo de um colapso sem necessidade de intervenção externa direta.
Pressão sobre o México e declarações sobre cartéis
Ainda no domingo, Trump voltou a falar sobre o México, afirmando que os cartéis de drogas são “muito fortes” e que governariam o país, o que, segundo ele, representaria uma ameaça direta à segurança dos Estados Unidos.
O presidente americano declarou que, em conversas com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tem oferecido o envio de tropas americanas para combater o crime organizado. De acordo com Trump, Sheinbaum teria receio de enfrentar os cartéis.
Apesar das declarações, Trump não detalhou se há planos concretos para uma ação militar no território mexicano. Segundo ele, Washington continuará pressionando para conter o tráfico de drogas e a atuação de organizações criminosas que operam a partir do país vizinho.
Advertência ao Irã durante protestos internos
No mesmo dia, Donald Trump também direcionou declarações ao Irã, em meio a protestos registrados no país do Oriente Médio. O presidente americano alertou que os Estados Unidos responderiam de forma contundente caso as forças de segurança iranianas intensificassem a repressão contra manifestantes.
Segundo Trump, o governo americano acompanha a situação de perto. Ele afirmou que, caso mortes voltem a ocorrer como em episódios anteriores, os Estados Unidos reagiriam.

De acordo com grupos de direitos humanos, ao menos 16 pessoas morreram durante uma semana de manifestações no Irã, em protestos contra o aumento da inflação. As mobilizações resultaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
Na sexta-feira (2), Trump já havia declarado que os Estados Unidos estariam prontos para agir em apoio aos manifestantes, sem especificar quais medidas poderiam ser adotadas. As declarações provocaram reações de autoridades iranianas, incluindo ameaças de retaliação contra forças americanas na região. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o país não se renderá.
Groenlândia volta ao centro do discurso americano
Um dia após a ofensiva militar na Venezuela, Trump voltou a defender publicamente o interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia. Em entrevista à revista The Atlantic, o presidente afirmou que o território é necessário para fortalecer o sistema de defesa americano, citando a posição estratégica da ilha no Ártico e a presença de recursos naturais.
No sábado (3), enquanto Nicolás Maduro era transferido para os Estados Unidos, Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, publicou nas redes sociais uma imagem ilustrando a Groenlândia com as cores da bandeira americana, acompanhada da palavra “Soon”.
A publicação gerou reações de autoridades da Dinamarca e da Groenlândia. O embaixador dinamarquês nos Estados Unidos, Jesper Moller Sorensen, afirmou que os países são aliados próximos e destacou investimentos em segurança no Ártico, defendendo o respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, afirmou que o território não está à venda e que o futuro do país não é decidido por publicações em redes sociais. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também se manifestou, declarando que não faz sentido falar em uma anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos e reforçando o papel da OTAN na garantia da segurança regional.
As relações diplomáticas entre Washington e Copenhague permanecem sob tensão desde o início do segundo mandato de Trump. O presidente americano já havia demonstrado interesse pela Groenlândia durante seu primeiro mandato e, no atual, afirmou que poderia recorrer ao uso da força militar para assumir o controle do território.
Foto: RS/Fotos Públicas / Joyce N. Boghosian
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