Casos teriam ocorrido em Touros após consumo de peixe; amostras foram enviadas para laboratório de referência
A Secretaria Estadual da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) investiga quatro casos suspeitos de intoxicação por ciguatera registrados no estado. As informações preliminares apontam que as ocorrências teriam sido identificadas no dia 7 de janeiro, após o consumo de peixe no município de Touros, localizado no Litoral Nordeste potiguar.
Segundo a Sesap, até o momento, não há confirmação oficial sobre a origem da suspeita nem detalhes sobre o estado de saúde dos pacientes envolvidos. A pasta informou apenas que os casos seguem sob acompanhamento por meio das ações da Vigilância em Saúde, enquanto aguardam a conclusão das análises laboratoriais.
Amostras foram encaminhadas para análise fora do estado
De acordo com a secretaria, quatro amostras relacionadas aos casos suspeitos foram recebidas pelo Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (Lacen-RN). O material será encaminhado para um laboratório de referência localizado na região Sul do país, responsável por realizar exames específicos para identificação da presença de ciguatoxinas.

A Sesap informou que não há previsão para a divulgação dos resultados dos exames laboratoriais. Enquanto isso, os casos permanecem sendo monitorados pelas equipes técnicas da secretaria, conforme os protocolos de vigilância epidemiológica.
Casos anteriores de investigação no RN
Essa não é a primeira vez que a ciguatera é investigada no Rio Grande do Norte. No ano anterior, pelo menos 13 pessoas apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação após consumirem peixe em um restaurante localizado na cidade de Natal.

Naquela ocasião, a principal suspeita foi a ingestão de ciguatoxina, substância associada à ciguatera. Entre os casos registrados na capital potiguar, dois evoluíram para um quadro considerado mais grave, envolvendo duas médicas, que precisaram ser internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da cidade.
O que é a ciguatera
A ciguatera é uma forma de intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas se originam a partir de determinadas algas marinhas, que são consumidas por peixes menores. A substância se acumula ao longo da cadeia alimentar, atingindo peixes de maior porte, que posteriormente podem ser consumidos por seres humanos.
O processo é conhecido como bioacumulação, no qual a toxina permanece no organismo do peixe sem causar danos aparentes ao animal, mas pode provocar intoxicação em humanos após o consumo.
Sintomas associados à intoxicação por ciguatera
Entre os sintomas mais comuns da intoxicação por ciguatera estão manifestações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Também podem ocorrer sintomas neurológicos, incluindo formigamento, fraqueza muscular e alterações na percepção térmica, conhecidas como inversão térmica.
Os sintomas podem persistir por semanas, conforme registros clínicos associados à intoxicação, embora os casos raramente evoluam para óbito.
Características da ciguatoxina
As ciguatoxinas não apresentam cor, sabor ou odor, o que dificulta a identificação da contaminação no alimento antes do consumo. Além disso, essas toxinas não são eliminadas por métodos convencionais de preparo, como cozimento ou congelamento.
Segundo informações técnicas já divulgadas em investigações anteriores, não existe tratamento específico para a ciguatera. Uma vez que o peixe esteja contaminado, procedimentos de resfriamento, cocção ou mesmo o processo de digestão não impedem o desenvolvimento da intoxicação.
Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília / Tony Winston/Agência Brasília
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