Fungo foi identificado em paciente internado na capital e está sob monitoramento da vigilância em saúde
O Rio Grande do Norte confirmou o primeiro caso de contaminação pelo fungo Candidozyma auris, anteriormente denominado Candida auris. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), após a identificação do agente em um paciente internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano, em Natal.

De acordo com a Sesap, o paciente é do sexo masculino e está hospitalizado para tratamento de outra condição clínica. Após a identificação do fungo, o paciente foi colocado em isolamento. A secretaria informou que medidas de controle foram adotadas de forma imediata para evitar a disseminação do microrganismo entre outros pacientes e profissionais de saúde da unidade.
Monitoramento e medidas de controle
As equipes de vigilância em saúde do estado iniciaram o monitoramento e o rastreamento do caso confirmado. Segundo a Sesap, a transmissão do Candidozyma auris ocorre por contato direto, principalmente em ambientes hospitalares, e não apresenta elevado potencial de disseminação fora dessas unidades.

As ações incluem protocolos de controle de infecção hospitalar, reforço na higienização de ambientes e equipamentos, além do acompanhamento clínico do paciente contaminado. A secretaria reforçou que as medidas seguem orientações técnicas adotadas nacionalmente para casos envolvendo esse tipo de fungo.
O que é o Candidozyma auris
O Candidozyma auris foi identificado pela primeira vez em 2009 e, desde então, passou a ser monitorado por autoridades sanitárias em diferentes países. O fungo está associado a infecções que ocorrem principalmente em pacientes hospitalizados, sobretudo aqueles submetidos a procedimentos invasivos ou com condições clínicas específicas.
No Brasil, os primeiros registros do fungo ocorreram em dezembro de 2020, no estado da Bahia. Desde esse período, novos casos e episódios de disseminação em unidades hospitalares foram identificados em outros estados, levando ao acompanhamento contínuo por órgãos de saúde.
Uma das características observadas do Candidozyma auris é a capacidade de permanência em superfícies e equipamentos hospitalares por períodos prolongados, o que demanda protocolos rigorosos de controle ambiental. O fungo apresenta resistência a diferentes classes de antifúngicos, fator que dificulta o tratamento clínico das infecções associadas.
De acordo com dados amplamente utilizados por autoridades sanitárias, a taxa de mortalidade relacionada às infecções pode variar de acordo com o tipo de infecção e o quadro clínico do paciente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o fungo na lista de microrganismos classificados como prioritários para vigilância e controle.
Pesquisas da UFRN sobre resistência fúngica
Pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) têm contribuído para o acompanhamento do avanço da resistência apresentada por fungos desse grupo. Estudos conduzidos no âmbito acadêmico indicam relação entre o uso de determinados agrotóxicos e o surgimento de cepas com maior resistência aos medicamentos utilizados na medicina humana.
As pesquisas apontam que, embora o Candidozyma auris seja frequentemente associado ao ambiente hospitalar, o fungo não está restrito exclusivamente a esse contexto. A exposição a substâncias químicas utilizadas na agricultura pode influenciar mecanismos de resistência cruzada entre agrotóxicos e antifúngicos de uso clínico.

Dados apresentados em evento científico realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), indicaram que a maioria dos isolados de Candidozyma auris resistentes ao antifúngico fluconazol também apresentava resistência ao agrotóxico tebuconazol, substância amplamente utilizada no setor agrícola.
As informações reforçam a necessidade de integração entre vigilância em saúde, controle ambiental e acompanhamento científico para monitorar a circulação e a resistência desse tipo de fungo.
Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração
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