Pedido da CEI investiga aplicação de recursos na saúde entre 2022 e 2025 e cita Operação Mederi da Polícia Federal
Vereadores de oposição na Câmara Municipal de Mossoró devem protocolar entre esta segunda-feira (2) e terça-feira (3) o pedido de instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a destinação de recursos públicos utilizados na compra de medicamentos pela Prefeitura de Mossoró entre os anos de 2022 e 2025, durante a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil).
Até o momento, o requerimento conta com cinco assinaturas, sendo elas das vereadoras Plúvia Oliveira e Marleide Cunha (PT), além dos vereadores Jailson Nogueira e Cabo Deyvison (MDB) e Wiginkis do Gás (União Brasil). Para que a comissão seja instalada, são necessárias sete assinaturas, conforme prevê o regimento interno da Casa Legislativa.

O vereador Cabo Deyvison, líder da oposição, informou que o vereador Mazinho do Gás (PL) já declarou que irá assinar o pedido, mas ainda não o fez em razão de questões de saúde. Segundo Deyvison, a expectativa é alcançar o número mínimo de assinaturas, inclusive com apoio de parlamentares da base governista.
Pedido de CEI tem como base Operação Mederi
A peça inicial para abertura da comissão foi elaborada pela vereadora Plúvia Oliveira. O documento fundamenta o pedido nos fatos investigados pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no âmbito da Operação Mederi, deflagrada em 27 de janeiro de 2026.
A operação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados ao fornecimento de medicamentos e insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte.
A oposição solicita que a comissão funcione pelo prazo regimental de 90 dias, conforme o Art. 121, §3º do Regimento Interno da Câmara, sugerindo que o colegiado seja oficialmente denominado “CEI da Matemática de Mossoró”, para facilitar sua identificação pública e institucional.
Contratos e valores sob análise
Segundo o requerimento, as investigações federais apontam indícios de irregularidades em contratos públicos, com registros de falhas na execução, não entrega de materiais, fornecimento inadequado e possível sobrepreço.
O documento cita que a empresa Dismed – Distribuidora de Medicamentos Ltda, apontada como um dos focos da investigação, teria recebido aproximadamente R$ 14,8 milhões da Prefeitura de Mossoró entre 2022 e 2025, com crescimento progressivo dos pagamentos ao longo dos anos.

Em 2022, os repasses teriam sido de R$ 1,26 milhão, passando para R$ 2,89 milhões em 2023, um aumento de 129%. Em 2024, os pagamentos teriam alcançado R$ 4,71 milhões, e em 2025, R$ 6 milhões, conforme descrito no requerimento da CEI.
De acordo com o texto, a magnitude dos valores recomenda a análise detalhada de processos administrativos, notas fiscais, atestos de recebimento, liquidações e pagamentos relacionados às aquisições realizadas no período investigado.
“Matemática de Mossoró” aparece em investigação federal
O requerimento menciona ainda que um dos principais elementos considerados para a instauração da CEI é a identificação de uma metodologia citada nas investigações como “Matemática de Mossoró”, termo captado em interceptações ambientais autorizadas judicialmente.
Segundo o documento, a expressão se refere a uma fórmula utilizada para a distribuição de valores oriundos de contratos da saúde. Em uma das transcrições constantes em decisão judicial, empresários investigados mencionam um contrato com ordem de compra de R$ 400 mil, dos quais apenas R$ 200 mil em produtos seriam efetivamente entregues, conforme consta nos autos.
Operação Mederi cumpriu mandados no RN
Na terça-feira (27), a Polícia Federal cumpriu 35 mandados judiciais no Rio Grande do Norte durante a Operação Mederi. Foram apreendidos 33 aparelhos celulares, 34 dispositivos eletrônicos, quatro veículos, além de 117 documentos. Também foram recolhidos R$ 251 mil em espécie em sete endereços.

Segundo a PF e a CGU, pelo menos cinco municípios estão sob investigação, sendo Mossoró a cidade com maior volume financeiro apurado, totalizando R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% dos valores pagos às empresas investigadas.
Divergências partidárias e abaixo-assinado
O vereador Cabo Deyvison afirmou que avalia deixar o MDB em razão do apoio do presidente estadual do partido, Walter Alves, à pré-candidatura do prefeito Allyson Bezerra ao Governo do Estado. Segundo o parlamentar, não houve diálogo interno sobre a decisão partidária.
Paralelamente, a bancada de oposição lançou um abaixo-assinado online intitulado “CEI da Matemática de Mossoró”, com o objetivo de reunir 10 mil assinaturas em apoio à abertura da comissão na Câmara Municipal.
De acordo com o site, a iniciativa busca pressionar os vereadores a aderirem ao pedido de investigação, conforme previsto no regimento interno da Câmara.
Fotos: Cláudio Júnior/Câmara de Mossoró/Reprodução / Wilson Moreno (Secom/PMM) / Allan Phablo (SECOM/PMM)
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