Defensoria investiga Neoenergia Cosern por aumento em contas de energia solar no RN

Defensoria investiga Neoenergia Cosern por aumento em contas de energia solar no RN

Mudanças na cobrança de ICMS e da taxa de iluminação pública geram apuração sobre possível irregularidade em faturas de consumidores com geração fotovoltaica

A Defensoria Pública do Rio Grande do Norte instaurou um procedimento preparatório para apurar mudanças na cobrança da taxa de iluminação pública e do ICMS que resultaram em aumento nas contas de energia elétrica de consumidores que possuem sistemas de geração de energia solar. A apuração pode resultar no ajuizamento de ação coletiva contra a Neoenergia Cosern, concessionária responsável pela distribuição de energia no estado.

Segundo o órgão, a iniciativa ocorreu após o recebimento de diversas reclamações relatando alterações significativas nos valores das faturas, atribuídas a mudanças na metodologia de cálculo adotada pela distribuidora.

Cobrança sobre energia compensada é apontada como possível irregularidade

De acordo com a Defensoria Pública, uma das principais queixas envolve a cobrança da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) sobre o total da energia consumida, sem a exclusão dos créditos de energia injetados na rede pelos próprios consumidores que utilizam sistemas fotovoltaicos.

Para o órgão, essa prática pode representar alteração unilateral da base de cálculo do tributo, o que motivou a abertura do procedimento investigativo.

Falta de transparência na cobrança do ICMS é questionada

Outro ponto levantado pelos consumidores refere-se à falta de transparência na cobrança do ICMS. Segundo a Defensoria, as faturas não apresentariam informações claras sobre a base de cálculo do imposto, nem o fundamento legal utilizado para a cobrança.

O órgão avalia que a ausência dessas informações compromete o direito à informação adequada, previsto na legislação consumerista.

Neoenergia Cosern diz não ter sido notificada

Procurada, a Neoenergia Cosern informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre o procedimento instaurado pela Defensoria Pública. Em nota, a concessionária afirmou que o faturamento do ICMS sobre a parcela subvencionada pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) segue o Decreto Estadual nº 128/2025, que prevê isenção do tributo até 31 de dezembro de 2026.

Sobre a Contribuição de Iluminação Pública, a empresa declarou que a cobrança ocorre conforme a legislação de cada município, considerando o consumo total do imóvel.

Defensoria aponta possível dano coletivo a consumidores do RN

Para a Defensoria Pública, a situação possui dimensão coletiva, uma vez que afeta milhares de consumidores em todo o Rio Grande do Norte que realizaram investimentos em microgeração e minigeração de energia solar.

Segundo o defensor público Rodrigo Lira, as reclamações apresentaram um padrão de cobrança, afastando a hipótese de casos isolados.

Órgão cita Código de Defesa do Consumidor e princípios tributários

A Defensoria destacou que a relação entre concessionária e usuários é regida pelo Código de Defesa do Consumidor, que estabelece o dever de informação clara e adequada e veda a exigência de vantagem excessiva.

O órgão informou ainda possuir parecer jurídico que sustenta que a cobrança da taxa de iluminação pública sobre energia gerada e compensada pelo próprio consumidor descaracteriza a finalidade do tributo.

ICMS sobre compensação de energia também é contestado

Em relação ao ICMS, a Defensoria aponta que o sistema de compensação de energia elétrica possui natureza de empréstimo gratuito, não configurando circulação de mercadoria. Segundo o órgão, essa interpretação já foi adotada por tribunais de estados como Goiás, Mato Grosso e Piauí.

Distribuidora tem prazo para prestar esclarecimentos

A Defensoria Pública concedeu prazo de 15 dias para que a Neoenergia Cosern apresente documentos e esclarecimentos sobre a metodologia de cobrança e informe se houve comunicação prévia aos consumidores.

Também foram oficiadas a Secretaria Estadual da Tributação e a Prefeitura de Natal, que deverão encaminhar os fundamentos legais das cobranças.

Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Reprodução/Neoenergia Cosern

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