Investigação da Polícia Federal identifica núcleo de lavagem de dinheiro ligado a fraudes com falsos investimentos em energia solar e atinge grupo com atuação em três estados
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Pleonexia II, com o objetivo de desarticular um grupo especializado na ocultação e dissimulação de bens e valores provenientes de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação é um desdobramento direto da primeira fase da operação, deflagrada em fevereiro de 2025, que resultou na identificação de novos integrantes da organização criminosa.
As medidas foram autorizadas pela 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte e cumpridas nas cidades de Natal (RN), São Paulo (SP) e São Leopoldo (RS).
Mandados, prisões e bloqueio de R$ 244 milhões marcam nova fase da investigação
Nesta segunda fase, a Polícia Federal cumpriu 4 mandados de prisão preventiva, 17 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores que somam até R$ 244 milhões. A medida judicial tem como finalidade assegurar o ressarcimento das vítimas do esquema investigado.

Durante a operação, foram apreendidos cerca de 50 veículos, além de dinheiro em espécie, celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e anotações, que serão submetidos à perícia técnica e análise detalhada.
Advogado e empresário são presos durante a Operação Pleonexia II
Entre os alvos da operação estão um advogado, preso em Natal, e um empresário, preso em São Paulo. Ambos são apontados como integrantes do núcleo responsável pela lavagem de dinheiro da organização criminosa.
Mandados também foram cumpridos em São Leopoldo (RS), onde a Polícia Federal identificou ramificações do esquema investigado.
Fraudes envolviam falsos investimentos em energia solar
De acordo com a investigação, o grupo operava por meio de uma empresa sediada em Natal, que oferecia investimentos na área de energia solar, com promessa de retorno fixo de 5% ao mês. A proposta apresentada aos investidores previa a aquisição de cotas de painéis solares que seriam administrados pela empresa.


As apurações, no entanto, apontaram que a empresa não atuava efetivamente no setor de energia solar e não possuía autorização dos órgãos reguladores para operar nesse mercado.
Esquema movimentou mais de R$ 160 milhões e atingiu milhares de vítimas
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 160 milhões em contas bancárias ao longo do período investigado. A estimativa é de que cerca de 6.300 pessoas tenham sido lesadas em todo o país.
Na primeira fase da operação, realizada em fevereiro de 2025, já haviam sido apreendidos diversos bens e bloqueados pouco mais de R$ 80 milhões.
Como funcionava a ocultação e a dissimulação dos bens
A análise do material apreendido na primeira fase permitiu à Polícia Federal identificar que a lavagem de dinheiro ocorria principalmente no estado de São Paulo, por meio de uma revenda de veículos de luxo.

Segundo o delegado Joaquim Ciríaco, responsável pela investigação, essa revenda recebia recursos por intermédio de um operador financeiro e realizava movimentações com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores e blindar o patrimônio do líder da organização criminosa, que está preso desde o início do ano passado.
Natal foi usada como base estratégica do esquema financeiro
Ainda de acordo com a Polícia Federal, embora os líderes da organização não sejam naturais de Natal, a capital potiguar foi escolhida como base operacional do esquema. A principal empresa utilizada na fraude foi constituída na cidade e registrada em nomes de laranjas.
A investigação aponta que o grupo utilizava o argumento da alta incidência solar no Rio Grande do Norte para atrair investidores, enquanto a captação de recursos alcançava vítimas em diversas regiões do país.
PF apura atuação jurídica e blindagem patrimonial do grupo
Há indícios de que o advogado preso na operação atuava na orientação jurídica e na blindagem patrimonial do líder da organização criminosa. As diligências seguem em andamento, assim como a análise do material apreendido, com o objetivo de identificar outros beneficiários do esquema e aprofundar as investigações.
Fotos: Divulgação/PF
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