Secretário de Agricultura do RN não descarta assumir governo em caso de renúncia de Fátima Bezerra

Secretário de Agricultura do RN não descarta assumir governo em caso de renúncia de Fátima Bezerra

Titular da Agricultura, Guilherme Saldanha afirma que não houve sondagem concreta, mas que estudará proposta se ela chegar; cenário ganha força após vice desistir da sucessão

O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (SAPE-RN), Guilherme Saldanha, admitiu publicamente, pela primeira vez, a possibilidade de assumir o comando do Executivo estadual em um eventual mandato tampão. A declaração foi dada durante entrevista à rádio Jovem Pan News Natal na manhã desta quarta-feira (25), em meio às articulações políticas na Assembleia Legislativa que discutem a regulamentação de uma eleição indireta para 2026.

O cenário de sucessão provisória ganhou relevância após a confirmação de que o vice-governador Walter Alves (MDB) não irá assumir o cargo caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie para disputar uma vaga no Senado Federal. Com isso, caberá à Assembleia Legislativa eleger um novo chefe do Executivo por meio de voto indireto dos 24 deputados estaduais.

Questionado se já havia sido sondado para ocupar a cadeira de governador, Saldanha foi direto. “De concreto, não houve ainda nenhuma sondagem”, afirmou. Apesar disso, o secretário reconheceu que o tema circula nos bastidores políticos e, ao ser perguntado se aceitaria o posto, respondeu: “Se chegar e depender de qual seja essa conjuntura, quais serão as responsabilidades, o que é que eu penso e o que é que eu vou conseguir fazer, a gente vai estudar com carinho”. Indagado se descartava a hipótese, declarou: “Não descarto”.

Filiado ao PSDB, Saldanha destacou a relação de confiança que mantém com a governadora Fátima Bezerra, a quem classificou como “uma águia política”. Para ele, a chefe do Executivo tem capacidade de articular uma solução política que mantenha o controle do processo sucessório. “Eu não tenho dúvida disso, que ela vai conseguir”, disse, referindo-se à eleição de um nome de confiança para o mandato tampão.

O secretário também comentou a situação das finanças estaduais, tema central no debate sobre a governabilidade pós-renúncia. “Não me preocupa não, sinceramente não”, declarou, destacando que a arrecadação de ICMS “vai muito bem”. Ele ponderou, no entanto, que bloqueios judiciais impactaram o caixa do estado em R$ 1,2 bilhão no último ano.

Balanço da gestão na SAPE-RN

Durante a entrevista, Guilherme Saldanha fez um balanço das ações da Secretaria de Agricultura e avaliou como positivo o desempenho da pasta, especialmente diante dos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo ele, após um período de incertezas, as exportações foram retomadas. “Empregos acreditam que vamos salvar se terminou-se esse ano com todo mundo salvo e ninguém demitido. O mais importante”, afirmou, citando especificamente o setor pesqueiro.

O secretário projeta que a nova configuração tarifária pode aumentar a competitividade do melão e do pescado potiguar no mercado norte-americano. Ele também mencionou tratativas com o governo federal para incluir o pescado do RN em negociações internacionais e a expectativa de reabertura do mercado europeu. “Quinze dias atrás eu estive em Brasília e uma das minhas conversas foi no Ministério da Pesca sobre esse tema. Eu acredito que até o meio do ano esse problema vai estar sanado, porque a União Europeia quer e porque a gente quer também, obviamente”, explicou.

Na área de convivência com a seca, Saldanha destacou ações como a distribuição gratuita de palma forrageira e a construção de barragens subterrâneas em parceria com o governo federal, que totalizaram 470 unidades no último ano. O secretário defendeu maior conscientização dos produtores quanto à adoção de tecnologias de reúso de água e armazenamento de forragem.

Por fim, ao ser questionado sobre a estrutura da Emater-RN, reconheceu dificuldades e defendeu a realização de concurso público. “A Emater precisa de um concurso. Já chegou a ter mil servidores no campo e acho que hoje deve ter em torno de 370 a 400 colaboradores e alguns são bolsistas”, afirmou, apontando limitações impostas pelo limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele também citou a necessidade de reforço no Idiarn diante do aumento da demanda por registros.

Foto: Reprodução/Governo do RN

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