Chefe de Segurança do Irã rebate Trump e descarta acordo com EUA; Ataques de EUA e Israel ao Irã matam líder supremo e ex-presidente
O chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou nesta segunda-feira (2) que o país não fará nenhum acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi publicada na rede social X e ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio, com bombardeios iniciados no sábado (28) que resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.
“Nos próximos dias, atacaremos milhares de alvos do regime terrorista”, afirmou o premiê, justificando que a ação militar visa não apenas a defesa estratégica, mas a criação de um cenário político novo na região. “Criaremos as condições para que o bravo povo do Irã se liberte das correntes da tirania.”

Netanyahu instou os iranianos a aproveitarem o vácuo de poder gerado pelos ataques para derrubar o sistema clerical que governa o país desde 1979.
“Chegou a hora de vocês irem às ruas, irem às ruas aos milhões para terminar o trabalho, para derrubar o regime de terror que tornou suas vidas miseráveis. Seu sofrimento e sacrifício não serão em vão. A ajuda que vocês estavam esperando chegou. Agora é hora de nos unirmos para uma missão histórica.”
Chefe de Segurança do Irã rebate Trump e descarta acordo com EUA
Em uma série de postagens no X, Larijani foi enfático ao responder às declarações de Trump, que no domingo (1º) havia afirmado que o novo líder do Irã estaria interessado em negociar. “Não haverá negociação com os Estados Unidos”, escreveu Larijani, contrariando a versão do presidente norte-americano.
O chefe de Segurança iraniano também criticou duramente a postura de Trump em relação a Israel. Em uma das mensagens, Larijani afirmou que o presidente dos EUA “traiu o ‘América Primeiro’ e adotou o ‘Israel Primeiro'”. Em outra postagem, ele acusou Trump de ter “puxado toda a região para uma guerra desnecessária” e de estar “devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos”.
“É muito triste ele sacrificar o tesouro e o sangue americano para avançar nas ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”, completou o chefe de Segurança do Irã.
Ataques de EUA e Israel ao Irã matam líder supremo e ex-presidente
A ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no sábado (28), teve como um de seus principais desdobramentos a morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto de líder supremo do Irã há 36 anos. O ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, que governou o país entre 2005 e 2013, também está entre as vítimas fatais dos bombardeios.

Segundo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a ofensiva será intensificada. “Nossas forças estão avançando no coração de Teerã com intensidade crescente, e isso só se intensificará ainda mais nos próximos dias”, declarou Netanyahu neste domingo (1º).
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as agressões continuarão até que os objetivos militares norte-americanos sejam atingidos. Trump também fez um alerta à Guarda Revolucionária iraniana, pedindo a entrega das armas sob o risco de “encarar a morte”.
Quem são as principais lideranças iranianas mortas nos bombardeios
Além do aiatolá Ali Khamenei e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, outras altas autoridades do regime iraniano foram confirmadas como mortas pela mídia estatal do país.
- Aiatolá Ali Khamenei: Líder supremo do Irã por 36 anos, era a autoridade máxima do país, com poder vitalício sobre as Forças Armadas, política externa e questões de segurança.
- Mahmoud Ahmadinejad: Ex-presidente do Irã entre 2005 e 2013. Segundo a agência Iranian Labor News Agency (ILNA), ele morreu em sua residência no distrito de Narmak, em Teerã, durante os ataques aéreos, junto com seus guarda-costas. Em 2009, Ahmadinejad visitou o Brasil e se encontrou com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Ali Shamkhani: Secretário do Conselho de Defesa do Irã, com a patente de contra-almirante.
- Mohammad Pakpour: Comandante em chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), com a patente de major-general.
O ataque conjunto também causou um grande número de vítimas civis. O Ministério da Educação do Irã informou que, somente em um bombardeio aéreo a uma escola em Minab, no sul do país, 153 meninas morreram e 95 ficaram feridas.
Netanyahu anuncia intensificação de ofensiva e exalta morte de Khamenei
Em pronunciamento e em publicações nas redes sociais, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o momento como “dias dolorosos” para a população de Israel, citando ataques contra Tel Aviv e Beit Shemesh. Ele prestou condolências às famílias das vítimas israelenses e desejou rápida recuperação aos feridos.
Netanyahu também detalhou a estratégia militar em curso. “Acabei de sair de uma reunião com o Ministro da Defesa, o Chefe do Estado-Maior e o chefe do Mossad [Instituto de Inteligência e Operações Especiais de Israel]. Dei instruções para a continuação da campanha”, publicou o líder israelense.
Em relação à morte do aiatolá Khamenei, Netanyahu foi direto: “Ontem [28], eliminamos o ditador Khamenei. Juntamente com ele, eliminamos dezenas de figuras importantes do regime opressor.” Ele ressaltou a parceria com os Estados Unidos e Donald Trump, a quem chama de amigo, afirmando que a combinação de forças permite atacar “o regime terrorista em cheio”.
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou neste domingo o lançamento de ataques contra o território israelense e contra pelo menos 27 bases americanas na região do Oriente Médio.
Putin e China condenam ataques; Hezbollah e Hamas juram vingança
A morte do líder supremo do Irã gerou reações imediatas de aliados e adversários no cenário internacional.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou os assassinatos de Khamenei e de membros de sua família, classificando a ação como “uma violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”. Putin afirmou que Khamenei será lembrado como um estadista que contribuiu para a parceria estratégica entre Rússia e Irã.

O governo da China também se manifestou, afirmando que o ataque constitui uma “grave violação da soberania e segurança do país”. A China exigiu a interrupção imediata das operações militares e o fim da escalada da tensão.
No Oriente Médio, grupos aliados do Irã prometeram retaliar. O grupo xiita Hezbollah, do Líbano, afirmou através de seu líder, Naim Qassem: “Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão”. O Hamas classificou a morte de Khamenei como um “crime hediondo”. A Jihad Islâmica e o movimento Huthis, do Iêmen, também condenaram os ataques e juraram vingança, referindo-se ao aiatolá como um mártir.
Conselho de Liderança assume comando provisório no Irã
Diante da morte do líder supremo, o Irã anunciou neste domingo a formação de um Conselho de Liderança Temporária. O órgão assume imediatamente as atribuições de Khamenei, incluindo o comando das Forças Armadas e as decisões de segurança e política externa, com o objetivo de garantir a continuidade e estabilidade do regime durante a crise.
O conselho é composto por três autoridades:
- Masoud Pezeshkian: atual presidente do Irã.
- Gholamhossein Mohseni-Ejei: chefe do judiciário.
- Aiatolá Alireza Arafi: jurista do Conselho dos Guardiães.
As funções são provisórias até que a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, eleja o sucessor permanente de Khamenei.
O presidente Masoud Pezeshkian já se manifestou, classificando a morte do líder supremo como uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e falando em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel.
Comunidade internacional pede contenção e reunião de emergência na ONU
Organismos internacionais e líderes mundiais apelaram por moderação e pelo fim das hostilidades.
O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou o uso da força e classificou a escalada militar como uma “grave ameaça à paz e à segurança internacionais”. Ele convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a situação é “profundamente preocupante”, enquanto a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu “máxima contenção”.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, expressou preocupação com os riscos à saúde das pessoas decorrentes do conflito.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora de perto as instalações na região e que, até o momento, não há evidências de impacto radiológico.
O Papa Leão XIV apelou pelo fim da “espiral de violência”, afirmando que “a estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas”.
O governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), manifestou no sábado (28) profunda preocupação com a escalada de hostilidades. O Brasil solidarizou-se com países como Arábia Saudita, Iraque e Jordânia, que foram alvos de ataques retaliatórios do Irã. Até o fechamento desta reportagem, o governo brasileiro não havia se manifestado especificamente sobre a morte do aiatolá Ali Khamenei.
Fotos: RS/Fotos Públicas
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