Contaminação cruzada é a principal suspeita; Reforço na equipe de limpeza e medidas de contenção
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) instaurou uma investigação para apurar possíveis falhas nos protocolos de limpeza e higienização do Hospital Central Coronel Pedro Germano, localizado em Natal. A medida foi tomada após a confirmação do segundo caso de infecção pelo fungo Candida auris, popularmente conhecido como “superfungo”, na unidade hospitalar.
O primeiro caso de contaminação pelo fungo no hospital havia sido registrado em 22 de janeiro. Agora, um novo paciente, que está internado na unidade desde dezembro, testou positivo para o microrganismo. Segundo informações da pasta, o paciente havia sido submetido a três testes para detecção do fungo. Os dois primeiros exames apresentaram resultados negativos, enquanto o terceiro confirmou a presença do patógeno.
Contaminação cruzada é a principal suspeita
A partir da análise do caso, a vigilância epidemiológica da Sesap passou a trabalhar com a hipótese de “contaminação cruzada”. A suspeita é de que a infecção tenha ocorrido dentro do próprio ambiente hospitalar, e não sido trazida de outra unidade de saúde. A principal linha de investigação aponta para falhas nos processos de higienização conduzidos pela equipe de apoio do hospital.

A avaliação inicial considerou a possibilidade de transmissão a partir de um paciente proveniente de outro hospital, mas essa hipótese foi descartada após a análise do histórico do segundo paciente infectado. A conclusão preliminar é de que o fungo foi transmitido de pessoa para pessoa dentro do Hospital Pedro Germano, o que indica uma quebra na cadeia de limpeza e desinfecção.
Reforço na equipe de limpeza e medidas de contenção
Diante da confirmação do novo caso, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN determinou o reforço da equipe responsável pela limpeza hospitalar. O efetivo foi ampliado de 13 para 18 profissionais, com o objetivo de intensificar a desinfecção dos ambientes e conter o avanço do fungo.
Apesar da gravidade da situação, o governo estadual descartou a possibilidade de interdição total do hospital. A estratégia adotada para o controle do surto será o isolamento de áreas específicas. A medida considera que uma interdição completa exigiria a paralisação total das atividades e a limpeza rigorosa de toda a unidade, o que não é considerado o procedimento mais eficaz no momento.

O protocolo em andamento prevê o isolamento do paciente contaminado, a delimitação das áreas por onde ele circulou e a realização de desinfecções terminais nesses locais. A orientação das autoridades de saúde é para que a população não entre em pânico, uma vez que a transmissão do fungo Candida auris ocorre, predominantemente, em ambientes hospitalares e exige contato próximo com pessoas ou superfícies contaminadas.
O que é o fungo Candida auris
O Candida auris é um fungo identificado pela primeira vez no Japão em 2009. No Brasil, o primeiro registro ocorreu em 2020. Desde então, o microrganismo tem se tornado um desafio para as instituições de saúde em todo o mundo devido à sua alta capacidade de resistência a medicamentos antifúngicos.
Especialistas apontam que uma das principais características do fungo é a capacidade de formar biofilmes. Essas estruturas funcionam como um escudo protetor, dificultando a ação dos medicamentos e complicando tanto o tratamento do paciente quanto a eliminação do fungo do ambiente hospitalar. Essa característica exige a adoção de protocolos de limpeza extremamente rigorosos.
Além disso, o C. auris tem a capacidade de sobreviver por longos períodos em superfícies inanimadas, como equipamentos médicos, mobiliário e objetos de uso hospitalar. Essa persistência no ambiente facilita a transmissão indireta e aumenta a preocupação das autoridades sanitárias, que buscam evitar que o fungo se espalhe dentro da unidade ou seja levado para outros hospitais do estado.
O termo “superfungo” está diretamente relacionado à resistência que o Candida auris apresenta aos antifúngicos disponíveis atualmente. Existem três grandes grupos de medicamentos utilizados para tratar infecções fúngicas: os azóis, os polienos e as equinocandinas. O C. auris geralmente é resistente a pelo menos um desses grupos, e em alguns casos, pode apresentar resistência a mais de um, o que torna o tratamento complexo e demanda vigilância constante.
Fotos: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Carlos Costa/Assecom/Ilustração
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