De O Clone à resistência cultural: a vida e a obra de Juca de Oliveira, morto aos 91 anos
O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos na madrugada deste sábado (21). A morte foi confirmada em nota divulgada pela família à imprensa.
O artista estava em estado delicado, causado por pneumonia e problemas cardiológicos. Juca foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no último dia 13.
“Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e diretor Juca de Oliveira, ocorrido nesta madrugada de 21 de março de 2026, aos 91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras, Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema”, diz um trecho do comunicado.
A família agradeceu as manifestações de carinho e solidariedade ao artista.
A desistência do banco e a entrada no teatro
Natural de São Roque, interior de São Paulo, José Juca de Oliveira Santos trancou a faculdade de Direito na USP para se dedicar à carreira artística. Antes disso, havia desistido de um trabalho em um banco para estudar na Escola de Arte Dramática em São Paulo. Foi lá que conheceu a atriz Glória Menezes.
Sua primeira peça, “Frei Luis de Sousa”, garantiu um convite para participar do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). No TBC, atuou em espetáculos como “A Semente” e “A Morte do Caixeiro Viajante”.
Em depoimento ao Memória Globo, Juca relembrou o impacto da descoberta da atuação: “Eu descobri, naquele momento, que eu podia ser um ator. Foi absolutamente genial.”
Resistência cultural e exílio na ditadura militar
Juca liderou o Teatro de Arena e enfrentou a ditadura militar ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. O espaço tornou-se um polo de resistência cultural nos anos 1960.
A perseguição política, no entanto, forçou seu exílio na Bolívia. Com o fechamento do teatro pelos militares, Juca precisou deixar o país temporariamente.
Primeiras novelas e regulamentação da profissão
Quando voltou ao Brasil após o exílio, fez sua primeira novela na TV Tupi, “Quando o Amor é Mais Forte”, em 1964. Ele atuou nas primeiras cenas externas da televisão brasileira e, na emissora, trabalhou com nomes como Janete Clair, Walter George Durst e Lauro César Muniz.
Em 1968, assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo e ajudou a regulamentar a profissão. Na liderança, lutou pelo estabelecimento de uma quantidade máxima de tempo de gravação e pela liberação de textos 72 horas antes da gravação para memorização.
O cientista Albieri em O Clone e outros papéis na TV
O papel do cientista Albieri, em “O Clone” (2001), foi um dos seus grandes marcos na televisão. Na trama, ele interpreta um geneticista obcecado pela clonagem humana. O personagem clona o afilhado, Lucas (Murilo Benício), após a morte de seu irmão gêmeo.
Ao longo da carreira, Juca estrelou novelas clássicas dos anos 1960, como “Nino, O Italianinho”, na qual viveu o protagonista, “O Cara Suja” e “Paixão Proibida”, na TV Tupi. Atuou ainda em “Saramandaia” (1976), “Fera Ferida” (1993) e “Avenida Brasil” (2012).
Seu trabalho mais recente na televisão foi a novela “O Outro Lado do Paraíso”, em 2017, na qual interpretou o dr. Natanael Montserrat.
Trabalhos no cinema e no teatro
Juca também tem créditos recentes no cinema, como os documentários “Toquinho: Encontros e Um Violão” (2024) e “Milton Gonçalves: Além do Espetáculo” (2025).
Em 2019, estrelou a peça “Mãos Limpas”, ao lado de Taumaturgo Ferreira. É autor da comédia romântica “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia Que A Nossa”, com a qual venceu o prêmio de melhor autor no Prêmio APETESP de Teatro em 1990.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
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