Presidente comentou endividamento ao citar Pix e gastos com animais de estimação; em Niterói, rebateu críticas sobre saúde e respondeu a aliados de Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma série de declarações ao longo da semana que geraram repercussão em diferentes frentes. As falas abordaram desde o endividamento das famílias brasileiras — com menções ao uso do Pix, do celular e dos gastos com animais de estimação — até respostas a críticas sobre sua saúde e a adversários políticos. Em paralelo, o cenário político foi marcado pelo encerramento da CPMI do INSS no Supremo Tribunal Federal, com reações de parlamentares.
Presidente associa endividamento a hábitos cotidianos
Durante evento recente, Lula voltou a provocar debate ao comentar o endividamento dos brasileiros. Em sua avaliação, hábitos cotidianos como o uso do Pix, do celular e os gastos com animais de estimação estariam entre os fatores que pressionam o orçamento das famílias.
A declaração repercutiu por apresentar uma leitura que, na visão de especialistas e críticos, distancia-se da realidade econômica da maioria da população. Na prática, o avanço do endividamento no país está mais ligado à queda do poder de compra e ao aumento dos custos básicos do que ao consumo impulsivo. Itens como internet e telefonia móvel, por exemplo, deixaram de ser supérfluos e se tornaram essenciais para trabalho e acesso a serviços.
Críticas à fala apontam que o discurso minimiza dificuldades enfrentadas por trabalhadores e pequenos empreendedores. Juros elevados, renda insuficiente e alta carga tributária aparecem com frequência como os principais fatores que levam brasileiros a recorrer ao crédito para fechar as contas do mês.
As declarações reacenderam o debate sobre o distanciamento entre a classe política e o cotidiano da população. Ao apontar ferramentas como o Pix e despesas com pets como parte do problema, o presidente reforçou uma visão que contrasta com a realidade de quem luta diariamente para manter o orçamento equilibrado.
Gastos com animais de estimação entram na lista
Em outra fala, durante evento em Goiás, Lula comentou especificamente os gastos com animais de estimação. Ao se dirigir a um executivo chinês presente, o presidente afirmou que os brasileiros têm forte apego a cães e vêm investindo cada vez mais em cuidados como veterinário, higiene e até tratamento dentário. Segundo ele, essa mudança de comportamento pesa no orçamento familiar e só é percebida no fim do mês.
Lula também relembrou experiências pessoais, contando que sempre teve cachorro e chegou a cuidar de filhotes em casa, inclusive alimentando-os durante a madrugada. Em sua avaliação, o padrão mudou ao longo dos anos, com os pets passando a receber tratamento mais próximo ao de membros da família.
Em tom crítico, o presidente afirmou que esse novo padrão de consumo representa uma espécie de “sequestro” do salário, ao incluir despesas frequentes com banho, alimentação específica e acompanhamento veterinário. A fala gerou reações, principalmente por tratar como supérfluo um gasto que muitos consideram essencial.
A comparação com a China também chamou atenção. Em algumas regiões do país asiático ainda há registros do consumo de carne de cachorro, prática que vem sendo cada vez mais questionada e combatida internamente.
Em Niterói, Lula rebate críticas sobre saúde e responde a adversários
Em evento da Caravana Federativa realizado em Niterói nesta quinta-feira (26), o presidente adotou tom direto ao responder críticas sobre sua condição física. Ao comentar internautas que duvidaram de sua capacidade após um vídeo fazendo exercícios, Lula disparou: “Treine, seu puto”.
O presidente também ironizou teorias conspiratórias que circulam nas redes sociais, segundo as quais ele teria “clones”. Lula mencionou que já foi chamado até de “quarto clone” e criticou quem questiona sua disposição física aos 80 anos, destacando a importância de hábitos saudáveis.
Ainda no discurso, o chefe do Executivo abordou a saúde masculina. Ele incentivou a realização de exames de próstata e afirmou que a prevenção pode evitar problemas mais graves, defendendo que homens deixem o preconceito de lado. O presidente disse que pretende acompanhar a primeira-dama Janja Lula da Silva em exames de rotina, como forma de incentivar a população a cuidar da saúde. A fala ocorreu ao defender ações do governo voltadas à ampliação do acesso a consultas, exames e cirurgias no país.
Lula também respondeu a uma provocação do senador Flávio Bolsonaro, que o comparou a um “Opala velho”. O presidente rebateu citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele estaria “no desmanche”, em mais um capítulo da troca de farpas no cenário político.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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