Crise eleva custo econômico e humanitário do conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou o Irã nesta quinta-feira (26) para que leve a sério a proposta de um acordo para encerrar os combates, que já duram quase quatro semanas. A declaração ocorre em meio a uma escalada militar com novos ataques com mísseis e após o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmar que Teerã analisa a oferta, mas descarta negociações diretas.
Os comentários de Trump foram feitos em um momento de aumento do custo econômico e humanitário do conflito. A escassez de combustível já se espalha globalmente, pressionando empresas e governos a conter as consequências da crise energética.
Paquistão atua como intermediário em “conversas indiretas”
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, há “conversas indiretas” entre os EUA e o Irã por meio de mensagens transmitidas pelo país. Turquia e Egito também apoiam os esforços de mediação.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, no entanto, minimizou os contatos. “Mensagens sendo transmitidas por meio de nossos países amigos e nós respondendo, declarando nossas posições ou emitindo os avisos necessários, não é o que chamamos de negociação ou diálogo”, afirmou em entrevista à televisão estatal. “No momento, nossa política é continuar a resistência e defender o país, e não temos intenção de negociar”, acrescentou.
Trump afirma que Irã foi “militarmente obliterado”
Em uma postagem no Truth Social, Trump adotou tom incisivo. Ele afirmou que o Irã foi “militarmente obliterado, com zero chance de retorno”, e que o país está “implorando” por um acordo. Chamou os negociadores iranianos de “muito diferentes e ‘estranhos’”, e disse: “É melhor eles levarem a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, não há volta e não será nada bonito.”
Proposta dos EUA exige desmantelamento nuclear e controle de estreito
Embora os comentários de Araqchi tenham sugerido certa abertura para negociar se as exigências iranianas forem atendidas, fontes apontam para negociações difíceis devido a posições maximalistas de ambos os lados.
Uma proposta americana de 15 pontos, enviada ao Irã via Paquistão, inclui exigências como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a contenção de seu programa de mísseis e a entrega efetiva do controle do Estreito de Ormuz.
Em contrapartida, o Irã endureceu sua posição. Fontes iranianas indicam que Teerã exige garantias contra futuras ações militares, compensação por perdas e controle formal do estreito. Além disso, o Irã comunicou a intermediários que o Líbano deve ser incluído em qualquer acordo de cessar-fogo.
Ataques com mísseis e alvos retirados de lista de negociação
O Irã lançou diversas ondas de mísseis contra Israel nesta quinta, acionando sirenes em Tel Aviv e ferindo pelo menos cinco pessoas. No Irã, ataques atingiram uma zona residencial em Bandar Abbas e um vilarejo próximo a Shiraz, onde dois irmãos adolescentes foram mortos. Um prédio universitário em Isfahan também teria sido atingido.
Enquanto isso, Israel afirmou ter matado o comandante naval da Guarda Revolucionária do Irã e mantém outros alvos em vista. No entanto, Israel retirou o chanceler Abbas Araqchi e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, de sua lista de alvos. A decisão ocorreu após o Paquistão instar Washington a pressionar Israel para não atacar possíveis parceiros de negociação.
Um alto oficial da defesa israelense afirmou que há ceticismo quanto à aceitação dos termos americanos pelo Irã e que há temor de que negociadores dos EUA possam fazer concessões.
Foto: Daniel Torok
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