Número de mortes maternas voltam a subir no RN; OMS aponta que 90% dos óbitos poderiam ser evitados

Número de mortes maternas voltam a subir no RN; OMS aponta que 90% dos óbitos poderiam ser evitados

Presidente da Sogorn explica fatores por trás do aumento; tema será debatido na 38ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte

Número de mortes maternas voltam a subir no RN; OMS aponta que 90% dos óbitos poderiam ser evitados

Depois de registrar queda em 2024, o número de mortes maternas voltou a crescer no Rio Grande do Norte no último ano. Dados do Ministério da Saúde apontam que o estado contabilizou 992 registros em 2023, reduziu para 969 em 2024 e voltou a subir, alcançando 1.014 casos em 2025, o que representa uma subida de 4,6%.

O cenário reacende o alerta entre especialistas, principalmente diante do fato que cerca de 90% das mortes maternas podem ser evitadas com diagnóstico precoce, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para isso, acompanhamento pré-natal de qualidade e assistência adequada durante a gestação, o parto e o puerpério são práticas essenciais.

De acordo com o presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), Robinson Dias, os números reforçam a necessidade de melhorar toda a linha de cuidado à gestante, desde o início até o acompanhamento no pós-parto. 

“Esses casos estão relacionados, principalmente, às desigualdades geográficas, sociais e educacionais que ainda dificultam o acesso de muitas mulheres a um pré-natal qualificado e adequado ao seu perfil de risco. Muitas vezes, a gestante inicia o acompanhamento tardiamente ou enfrenta barreiras para chegar aos serviços especializados quando surgem complicações. A identificação precoce desses riscos é fundamental para evitar desfechos graves”, explica.

Segundo o ginecologista obstetra, as principais causas de morte materna atualmente são condições conhecidas pela medicina e que podem ser tratadas quando diagnosticadas a tempo.

“Hoje, as maiores causas de morte materna são a pré-eclâmpsia e as hemorragias. Ambas podem ser controladas quando a gestante realiza um pré-natal adequado e tem acesso, no momento certo, a uma maternidade de referência. O grande desafio é garantir que esse cuidado chegue a todas as mulheres”, destaca Robinson Dias.

Mortalidade materna será tema da 38ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do RN

Diante desse cenário, a mortalidade materna será um dos principais temas da 38ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte, promovida pela Sogorn nos dias 6 e 7 de agosto, no Hotel Senac Barreira Roxa, em Natal. 

Considerado o maior encontro da especialidade no estado, o evento reunirá especialistas de todo o país para discutir estratégias de prevenção, manejo das gestações de alto risco, urgências obstétricas e as evidências científicas mais recentes voltadas à qualificação da assistência materna. 

SERVIÇO

38ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia

Quando: 6 e 7 de agosto

Onde: Hotel Senac Barreira Roxa

Inscrições: medevento.com.br/jogorn

Fotos: Divulgação

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