Homicídios crescem no RN e dados reacendem debate sobre estrutura das forças de segurança

Homicídios crescem no RN e dados reacendem debate sobre estrutura das forças de segurança

Classificados em concurso da Polícia Civil apontam morosidade do Governo em convocar remanescentes, mesmo diante de déficit no efetivo da corporação

Homicídios crescem no RN e dados reacendem debate sobre estrutura das forças de segurança

O Rio Grande do Norte registrou, em 2025, o maior aumento proporcional nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Enquanto a taxa nacional caiu 8,2%, passando de 44.220 registros em 2024 para 40.775 em 2025, o estado apresentou alta de 19,6%, passando a registrar 29,1 mortes violentas por 100 mil habitantes.

Segundo a análise do anuário, o caso potiguar é um dos sete estados que apresentaram crescimento e chama atenção porque o aumento foi provocado pelo aumento dos homicídios dolosos, quando existe a intenção de matar, que passou de 655 vítimas em 2024 para 843 em 2025, o equivalente a uma alta de 28,7%.

Os dados reacendem o debate sobre a estrutura das forças de segurança no estado, especialmente diante do déficit histórico no efetivo da Polícia Civil e do atual impasse envolvendo o último concurso da corporação, realizado em 2021. Conforme dados reunidos pelo Ministério Público em ação civil pública, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte opera com menos da metade (34%) do efetivo previsto em lei, cenário que representa aproximadamente 3 mil cargos vagos e compromete a capacidade de investigação da instituição.

Neste cenário, mesmo com uma decisão da Justiça que determina a convocação de uma nova turma do Curso de Formação Profissional (CFP) para os classificados remanescentes da Turma 4 – e da existência de candidatos da Turma 3 que já concluíram todas as etapas do certame e aguardam nomeação – o Governo do Estado ainda não executou as medidas.

“Os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somados às notícias que vemos diariamente sobre o crime no estado, mostram que o Rio Grande do Norte enfrenta um cenário que exige fortalecimento imediato das instituições responsáveis pela investigação criminal. Há profissionais aprovados em concurso público e uma decisão judicial em vigor determinando a continuidade desse processo”, afirma Richard Wikliff, classificado para o cargo de escrivão e representante da comissão.

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Multa de R$100 mil

O descumprimento da decisão judicial motivou o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) a requerer a aplicação de multa diária de R$ 100 mil ao Estado, além de penalidades pessoais às autoridades responsáveis pela execução da sentença. 

O pedido foi protocolado após o término do prazo judicial sem que houvesse a publicação dos atos de convocação determinados pela Justiça e existe a possibilidade de a multa ser aplicada de forma retroativa, desde o dia 09 de julho.

Tempo está acabando

Outro fator que aumenta a preocupação dos classificados é o prazo de validade do concurso público, que expira em outubro de 2026. Como o Curso de Formação Profissional possui duração aproximada de três meses, os candidatos alertam que novos adiamentos podem inviabilizar a conclusão da etapa obrigatória antes do encerramento do certame.

Para a comissão dos classificados, o cumprimento da decisão judicial ultrapassa o interesse dos aprovados e representa também um direito dos candidatos, já que essa é uma fase obrigatória do certame. “A convocação da Turma 4 para o Curso de Formação não representa um privilégio, mas o cumprimento de uma decisão judicial e a oportunidade de recompor uma instituição que historicamente atua sucateada na investigação dos crimes que afetam a população potiguar”, conclui.

Fotos: Divulgação

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