Artista Amandrafts transforma cotidiano potiguar em arte que desperta memória e pertencimento

Artista Amandrafts transforma cotidiano potiguar em arte que desperta memória e pertencimento

Com ilustrações em exibição no Natal Shopping, a ilustradora Amanda Lopes revela como as vivências em Natal inspiram sua produção artística

Artista Amandrafts transforma cotidiano potiguar em arte que desperta memória e pertencimento

Há quem atravesse a cidade olhando apenas para o caminho à sua frente. Amanda Lopes, ilustradora potiguar, prefere caminhar devagar. Observa uma fachada antiga, repara na tipografia pintada à mão de um comércio de bairro, registra uma expressão típica ou o movimento de quem cruza as ruas. É desse olhar atento que surgiu a Amandrafts, marca criada pela artista que transforma o cotidiano em narrativa visual e faz da cultura nordestina sua matéria-prima.

Nascida e criada em Natal, Amanda desenha desde a infância. O que começou como um hobby, alimentado pelo gosto de criar e inventar com as próprias mãos, ganhou força ao longo dos anos até se tornar uma profissão. Hoje, seu trabalho é reconhecido por retratar os elementos que fazem parte de quem vive no Rio Grande do Norte e reverbera por todo o Brasil.

A conexão com a cultura local é resultado das experiências acumuladas ao longo da vida e da forma como Amanda aprendeu a observar o lugar onde cresceu. “Quanto mais vivo um lugar, mais referências encontro. Ser potiguar faz parte de quem eu sou e, por isso, minhas ilustrações carregam esse olhar sobre o cotidiano. São as pequenas vivências que me fazem enxergar beleza em diferentes elementos”, afirma a ilustradora.

Para ela, a cultura potiguar vai muito além das manifestações culturais tradicionais e está presente nos detalhes mais simples da rotina. “Pra mim, a cultura potiguar está na paisagem, na comida, na linguagem, na música, nas festas, nos nossos costumes e na forma como a gente vive e ocupa a cidade. Muitas vezes convivemos tanto nesses ambientes que deixamos de perceber o quanto eles são únicos”, destaca.

Ao transformar essas referências em ilustração, Amanda busca fazer com que o público redescubra o lugar onde vive. Mais do que criar imagens bonitas, seu objetivo é provocar um sentimento de pertencimento. “Eu gosto quando uma pessoa olha para um desenho e lembra de uma história da infância, de um lugar especial ou de alguém querido. Se minha arte consegue provocar isso, sinto que ela cumpriu seu papel”, completa.

O olhar sensível sobre o cotidiano potiguar também abriu espaço para novos projetos ao longo da carreira. Neste ano, Amanda desenvolveu, em parceria com a Adobe, uma obra inspirada no tradicional Bloco dos Cão, exposta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Ela também assina, pelo segundo ano consecutivo, as ilustrações do Ahaya de Rua, evento junino que celebra as festas de São João de outrora e reúne artistas de diferentes linguagens.

Entre diversas produções, a ilustradora acredita que nenhuma obra consegue resumir sua trajetória. Para ela, cada desenho representa uma fase da vida, uma memória ou uma experiência diferente.

Em meio a peças que representam o São João nordestino em letras de Flávio José, expressões tipicamente potiguares ou o quintal de uma casa em São Miguel do Gostoso, existe um pedaço da identidade de Amanda Lopes. “E é o conjunto delas que conta a minha história como artista e representa, de verdade, o que eu sou”, pontua a artista.

Espaço reúne memórias e identidade potiguar

Esse olhar sobre o cotidiano ganhou uma nova forma de encontro com o público no espaço “Ginga – Memória, Afeto e Identidade”, em exibição no piso L2 do Natal Shopping, após a escada rolante do Cinépolis.

A mostra reúne ilustrações que traduzem o universo criativo da artista e convida os visitantes a reconhecerem, nas imagens, elementos que fazem parte da vida potiguar. O título faz referência tanto ao tradicional peixe servido com tapioca nas praias de Natal quanto ao movimento, ao jeito de viver e ocupar os espaços. A homenagem propõe um exercício de reconhecimento e pertencimento, mostrando que a cultura também habita os pequenos detalhes da rotina.

“Poder apresentar meu trabalho em um espaço tão acessível e acompanhar as pessoas conhecendo minhas artes, tirando fotos no stand e compartilhando essa experiência comigo pelas redes sociais me deixa muito feliz. É uma forma de perceber o quanto a arte realmente cria conexões”, finaliza Amanda.

Serviço:

O que: “Ginga – Memória, Afeto e Identidade”
Onde: Piso L2 do Natal Shopping, após a escada rolante do Cinépolis
Visitação gratuita

Fotos: Divulgação

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