Aumento de acidentes com ciclistas no RN reacende debate sobre segurança viária

Aumento de acidentes com ciclistas no RN reacende debate sobre segurança viária

Falta de infraestrutura e imprudência no trânsito são apontadas como principais causas de mortes de ciclistas no estado

A morte de um ciclista na avenida Salgado Filho, em Natal, reacendeu a discussão sobre a segurança viária para ciclistas no Rio Grande do Norte. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) revelam que, nos últimos cinco anos, pelo menos 121 ciclistas perderam a vida no estado. Especialistas e entidades representativas de ciclistas atribuem o problema à falta de infraestrutura adequada, imprudência no trânsito e desconhecimento da legislação por parte dos motoristas.

Em 2025, o RN já registrou casos de mortes de ciclistas em Mossoró, Natal e atropelamentos em cidades como Extremoz e Parnamirim. Recentemente, um homem de 29 anos foi preso após atropelar dois ciclistas em Extremoz, deixando uma das vítimas gravemente ferida.

O aumento no número de acidentes envolvendo ciclistas tem sido observado desde a pandemia, período em que o uso de bicicletas como meio de transporte cresceu significativamente. Apesar de ser um avanço na mobilidade urbana, esse crescimento também elevou os índices de acidentes, segundo análises de especialistas. A falta de infraestrutura segura para ciclistas, como ciclovias e faixas exclusivas, é apontada como um dos principais fatores que contribuem para esses incidentes.

Legislação e fiscalização

A legislação de trânsito brasileira estabelece regras específicas para proteger os ciclistas. O artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que os motoristas mantenham uma distância mínima de 1,5 metro ao ultrapassar um ciclista. Já o artigo 220 exige que os condutores reduzam a velocidade ao se aproximarem de ciclistas. Em Natal, o artigo 193 proíbe que veículos trafeguem em ciclovias ou ciclofaixas, com multa de R$ 880 e 7 pontos na carteira em caso de infração.

A cidade de Natal recentemente atingiu a marca de 100 km de ciclovias e ciclofaixas, como parte do Plano Cicloviário local. O objetivo é garantir a segurança e a conectividade dos ciclistas com outros modais de transporte. No entanto, especialistas alertam que, apesar dos avanços, os desafios relacionados à segurança persistem.

Desafios culturais e estruturais

A cultura nacional que prioriza o uso de carros particulares é apontada como um dos principais obstáculos para a integração segura de ciclistas no trânsito. Essa mentalidade, enraizada no Brasil, dificulta a plena implementação de políticas públicas voltadas para a segurança de pedestres e ciclistas.

Em ruas de grande circulação na capital, é comum observar ciclistas dividindo espaço com carros, motos e ônibus. A falta de respeito e a ausência de infraestrutura adequada são frequentemente citadas como fatores que aumentam os riscos para quem pedala.

Caso recente

Na manhã da última segunda-feira (24.fev.2025), o médico oftalmologista Araken Britto morreu após ser atropelado por um caminhão na avenida Hermes da Fonseca, em Natal. Ele pedalava com outros ciclistas por volta das 5h30 quando foi atingido pelo veículo. Britto era conhecido por sua paixão pelo ciclismo e participava regularmente de passeios que reuniam grupos de ciclistas.

O motorista do caminhão foi liberado após prestar depoimento e realizar o teste do bafômetro, que acusou negativo. A Polícia Civil confirmou que ele estava habilitado e que todos os procedimentos legais foram realizados. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Crimes de Trânsito (DECT).

A Federação Norte-Rio-Grandense de Ciclismo emitiu uma nota lamentando a morte do médico e pedindo mais conscientização no trânsito. A entidade reforçou a necessidade de uma cultura de respeito mútuo entre motoristas, ciclistas e pedestres para garantir a segurança de todos.

Foto: Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração / Gabriel Jabur/Agência Brasília

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