Investigação apura se açaí e granola entregues por motoboy causaram a morte de bebê e intoxicação de mulher no bairro Felipe Camarão
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte está investigando a morte de uma bebê de oito meses e a internação de uma mulher de 50 anos por suspeita de envenenamento, em Natal. O caso foi registrado no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste da capital potiguar.

A família das vítimas procurou a polícia após receber orientação da equipe médica que prestou o primeiro atendimento. Segundo informações iniciais, o episódio teria ocorrido após o consumo de açaí e granola recebidos como presente.
O que aconteceu
De acordo com relatos da família, Geisa de Cássia Tenório Silva, de 50 anos, e a bebê Yohana Maitê Filgueira Costa, filha de uma prima de Geisa, passaram mal depois de consumirem os alimentos. O açaí e a granola teriam sido entregues por um motoentregador no dia 14 de abril.
Yohana morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cidade da Esperança. Geisa foi hospitalizada e permanece internada, intubada e em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Macaíba.
Investigação da Polícia Civil
A investigação é conduzida pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. As autoridades informaram que ainda aguardam os laudos periciais para confirmar se houve envenenamento.

Segundo a corporação, o alimento consumido foi encaminhado para análise toxicológica. Testemunhas já foram ouvidas no inquérito, e a investigação segue em andamento para apurar os fatos.
“Existe a possibilidade de envenenamento, contudo, qualquer afirmação neste momento seria precipitada”, declarou a Polícia Civil em nota.
Ações já realizadas
Após o registro do Boletim de Ocorrência (BO), equipes da Polícia Civil e do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) recolheram amostras do açaí, da granola e de outros materiais recebidos como presentes para a realização de exames laboratoriais.

José Cícero Tenório, filho de Geisa, relatou ao portal g1 RN que agentes da polícia recolheram também cartas que acompanharam as entregas, além de colherem impressões digitais nos objetos.
“Levaram a amostra do açaí, os papéis das entregas e as cartas. Só não levaram o urso de pelúcia”, afirmou José Cícero.
Origem dos presentes
Até o momento, a polícia ainda não identificou quem enviou os produtos para Geisa. A mulher recebeu entregas em três dias consecutivos, de 13 a 15 de abril, todas realizadas por motoboys.
Segundo Yago Smith, outro filho de Geisa, os agentes tentam rastrear as corridas dos motoentregadores para descobrir quem contratou as entregas.
A sequência de presentes foi a seguinte:
- No dia 13 de abril: um urso de pelúcia e chocolates;
- No dia 14 de abril: açaí e granola, alimentos consumidos antes do adoecimento;
- No dia 15 de abril: nova entrega de açaí.
Sintomas e suspeita de envenenamento
Os sintomas apresentados por Geisa após o consumo do açaí reforçaram a hipótese de envenenamento entre os médicos que atenderam o caso. De acordo com Yago Smith, Geisa apresentava sudorese intensa, tremores nas mãos, dificuldade para falar e espumava pela boca.
Após apresentar os primeiros sintomas, Geisa foi socorrida e inicialmente recebeu alta após medicação. Entretanto, após consumir novo alimento recebido, voltou a passar mal e precisou ser internada em estado grave.
A morte da bebê Yohana ocorreu ainda na ambulância, durante a tentativa de transferência da UPA para um hospital.
A polícia continua as investigações e aguarda os resultados dos laudos para determinar as causas do ocorrido e identificar possíveis responsáveis.
Foto: Polícia Civil/Ilustração / Reprodução
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