Intoxicação por peixe dourado em Natal deixa médicos na UTI e acende alerta sobre toxina rara

Intoxicação por peixe dourado em Natal deixa médicos na UTI e acende alerta sobre toxina rara

Cinco médicos passaram mal após jantar em restaurante; SESAP investiga surto e orienta sobre riscos da ciguatera, toxina resistente ao cozimento

Cinco médicos foram internados após apresentarem sintomas graves de intoxicação alimentar em Natal, na noite da última terça-feira (6.mai.2025), horas após consumirem peixe dourado em um restaurante da capital potiguar. Dois deles seguem hospitalizados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado estável e sob monitoramento. As autoridades de saúde investigam um possível surto de intoxicação por ciguatera, uma toxina natural presente em peixes de recife.

Segundo especialistas consultados pelas autoridades locais, os sintomas apresentados — náuseas, vômitos, diarreia, dores musculares e alterações neurológicas – são compatíveis com a ciguatera. A toxina é produzida por microalgas marinhas e se acumula em peixes predadores como dourado, garoupa e badejo. Diferente de outras formas de intoxicação alimentar, ela não tem cheiro, gosto ou cor e não é destruída pelo congelamento ou cozimento, o que dificulta sua detecção.

Anvisa e Vigilância Sanitária atuam no caso

Após o registro dos sintomas, equipes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Vigilância Sanitária municipal visitaram o restaurante, onde coletaram amostras do pescado. As análises laboratoriais ainda estão em andamento. A unidade permanece funcionando, mas pode ser interditada caso seja confirmada a presença da toxina nos alimentos.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (SESAP) acompanha o caso desde os primeiros atendimentos e classificou o episódio como um possível surto de intoxicação alimentar. “O estado está monitorando um surto de sintomas gastrointestinais em algumas pessoas. O município de Natal conduz a investigação direta, enquanto o estado permanece em vigilância”, informou Diana Rego, coordenadora de vigilância em saúde da SESAP.

Casos semelhantes já foram registrados no Brasil

Embora rara no Brasil, a intoxicação por ciguatera tem ganhado atenção crescente. A SESAP confirmou que casos semelhantes foram registrados em Fernando de Noronha desde 2022, com novos episódios reportados em 2023 e 2024. Em abril deste ano, a secretaria divulgou uma Nota Técnica alertando sobre o risco da toxina no Rio Grande do Norte, especialmente pela proximidade com áreas tropicais e pelo alto consumo de pescados, principalmente em datas religiosas como a Semana Santa.

De acordo com a nota, o risco está principalmente nas partes como fígado, cabeça e ovas de grandes peixes predadores, que acumulam maiores concentrações da toxina. A orientação é que a população evite consumir essas partes e priorize a compra de pescados provenientes de fontes regulamentadas.

Sintomas, tratamento e vigilância

A ciguatera pode provocar sintomas entre 2 e 12 horas após o consumo do peixe contaminado. Os sinais mais comuns incluem dores abdominais, vômitos, diarreia, cãibras, visão turva, formigamentos e disfunções térmicas, como a sensação de calor quando se toca algo frio. Em casos mais graves, há risco de alterações no ritmo cardíaco e problemas neurológicos persistentes.

Não há antídoto específico para a ciguatoxina. O tratamento é sintomático e de suporte, com monitoramento hospitalar em casos moderados e graves. A SESAP reforçou a importância de os profissionais de saúde estarem atentos aos sintomas e de que todos os casos suspeitos sejam notificados imediatamente ao sistema de vigilância epidemiológica.

Estado permanece em alerta e monitora novos casos

O estado do Rio Grande do Norte permanece em alerta e articula com hospitais e unidades de saúde para a identificação de possíveis novos casos. Até o momento, não houve confirmação de outros episódios relacionados ao restaurante investigado.

A SESAP reforça que a investigação está em curso e depende da confirmação laboratorial para validar a origem da toxina. Enquanto isso, a recomendação é que a população evite o consumo de espécies marinhas de grande porte e que comerciantes do setor de pescados redobrem os cuidados com a origem e procedência dos produtos ofertados.

Foto: Electra Studio/Pexels/Ilustração / Kindel Media/Pexels/Ilustração / Arquivo/POR DENTRO DO RN/Ilustração

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