Facção é investigada por interferência política e assassinato de ex-prefeito em João Dias

Facção é investigada por interferência política e assassinato de ex-prefeito em João Dias

Crime organizado financiou campanha e articulou assassinato do ex-prefeito Marcelo para controlar gestão municipal, segundo investigações

O município de João Dias, localizado no interior do Rio Grande do Norte, foi palco de uma grave denúncia que envolve o crime organizado e o processo eleitoral. Reportagem exibida neste domingo (12.mai.2025) pelo programa Fantástico, da TV Globo, revelou que traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) atuaram diretamente para interferir nas eleições municipais e são apontados como responsáveis pelo assassinato do ex-prefeito Francisco Damião de Oliveira, conhecido como Marcelo.

Com uma população de pouco mais de 2 mil habitantes, João Dias foi alvo de uma disputa de poder que envolveu o financiamento de campanha por parte de traficantes e a tentativa de controle da administração pública municipal. As investigações são conduzidas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal.

Execução do ex-prefeito e ligação com facção criminosa

O ex-prefeito Marcelo foi executado junto ao pai em agosto de 2023. Ele tentava reassumir o cargo para o qual havia sido eleito em 2020. Naquele pleito, Marcelo compôs chapa com Damária Jácome, irmã do traficante Francisco Deusamor Jácome, apontado como um dos principais operadores do PCC no Nordeste.

Em áudios obtidos pela reportagem, Deusamor oferece R$ 730 mil a Marcelo para que ele renunciasse à prefeitura. Seis meses após assumir o cargo, Marcelo renunciou em junho de 2021, e Damária foi empossada prefeita.

No discurso de posse, Damária homenageou seus sete irmãos, com destaque especial para Deusamor e Leidjan, também investigados por tráfico de drogas. Ambos foram mortos em confronto com a polícia na Bahia meses depois.

Interferência nas decisões da gestão municipal

Segundo as autoridades, antes mesmo da renúncia, traficantes já influenciavam as decisões da administração. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, afirmou que facções como o PCC buscam ocupar o poder político onde há perspectiva de lucro, inclusive com recursos públicos.

Em 2023, a receita do município de João Dias foi de R$ 23 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Facções tentaram interferir em eleições de 42 cidades

A investigação revelou que o caso de João Dias não é isolado. Um relatório da Polícia Federal aponta que facções criminosas tentaram interferir em processos eleitorais de pelo menos 42 municípios brasileiros nas últimas eleições municipais. Em São Paulo, o PCC teria investido cerca de R$ 8 bilhões em candidaturas.

No caso específico de João Dias, o conflito político teve desdobramentos violentos. Em 2022, a Justiça revogou a renúncia de Marcelo e o reconduziu ao cargo de prefeito. A partir de então, ele passou a colaborar com as autoridades, fornecendo informações sobre a atuação da família Jácome.

Durante o novo período eleitoral, Marcelo disputou novamente a prefeitura, enfrentando a ex-vice-prefeita Damária, agora filiada ao Republicanos. Segundo as investigações, as irmãs Damária e Leidiane Jácome, vereadora do município, teriam contratado criminosos para executar Marcelo.

Assassinato e fuga dos suspeitos

O assassinato ocorreu enquanto Marcelo e seu pai estavam em uma barbearia. Os executores ficaram escondidos por dez dias em um sítio pertencente à família Jácome. No local, gravaram vídeos ostentando armas e fazendo referências à quadrilha. A primeira tentativa de homicídio teria sido abortada por ocorrer durante um culto evangélico.

Nove suspeitos foram presos até o momento. Outros quatro permanecem foragidos, entre eles Damária Jácome e Leidiane Jácome. Após o assassinato de Marcelo, a atual prefeita de João Dias passou a ser Maria de Fátima Mesquita da Silva, viúva do ex-prefeito.

A prefeitura divulgou nota afirmando que o município enfrenta um momento de profunda intranquilidade e que trabalha para restabelecer a normalidade. As defesas de Damária e Leidiane negam o envolvimento delas no crime e afirmam que ambas deixaram a cidade após receberem ameaças.

Crime organizado mira poder político municipal

Para as autoridades, o caso de João Dias revela uma nova estratégia das facções criminosas: infiltrar-se em estruturas de poder municipal para lavar dinheiro, controlar repasses públicos e ampliar sua influência em comunidades vulneráveis.

As investigações continuam em andamento, com foco na apuração do envolvimento de traficantes e agentes políticos locais com o PCC e outras organizações criminosas.

Foto: Reprodução

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