Editorial POR DENTRO DO RN

A política potiguar se prepara para uma transição significativa: daqui a menos de um ano, a partir de abril de 2026, Walter Alves (MDB) assumirá o governo do Rio Grande do Norte, sucedendo Fátima Bezerra (PT), que deixará o cargo para tentar voltar ao Senado Federal nas eleições de outubro. A mudança, embora prevista, carrega expectativas e desafios que vão além da simples substituição no comando do Executivo estadual.
Walter Alves, filho do ex-governador Garibaldi Alves Filho, é conhecido por sua trajetória política discreta e por evitar confrontos diretos. No entanto, ao assumir o governo, mesmo que por apenas nove meses, ele enfrentará a pressão de resolver questões pendentes da gestão de Fátima Bezerra. Entre essas questões estão (e certamente estarão) obras inacabadas, problemas na saúde pública e, principalmente, demandas por maior eficiência administrativa.
É praticamente impossível ele conseguir obter uma efetividade, até mesmo devido ao pouco tempo sentado na cadeira de governador – e mais ainda pela ressaca de um governo com contas extrapoladas, atrasos aos fornecedores, que aumentou impostos e, dentro de um quadro geral, ter causado mais insatisfações do que qualquer alegria aos potiguares.
Aliado a isso, há ainda um fator muito significativo, que será o processo de sucessão para o futuro novo governador. Apesar das expectativas, Walter já deixou claro que não pretende disputar a reeleição. Em declarações recentes, afirmou que seu foco será concluir o mandato com responsabilidade e fortalecer o MDB para as eleições de 2026.
A decisão surpreendeu alguns aliados, que viam nele um candidato natural à sucessão, mas também foi recebida com respeito por aqueles que reconhecem sua postura coerente e seu compromisso com a estabilidade política do estado.
Walter sabe bem a situação do Estado, as dificuldades, problemas, a crise que o RN enfrenta, e o quanto seria difícil ir para a reeleição com a pecha de candidato de Fátima. Seria a continuidade de uma gestão – que apesar de eleita no 1° turno em 2022 – é altamente reprovada e com grandes dificuldades de entrega.
Há, porém, uma expectativa de que Walter Alves, mesmo em um mandato curto, possa imprimir um ritmo diferente à administração estadual, priorizando a resolução de problemas imediatos e preparando o terreno para seu sucessor. Sua habilidade em articular politicamente e sua experiência legislativa serão fundamentais para conduzir o estado nesse período de transição.
Já se escuta nos corredores do Centro Administrativo que determinadas situações “é Walter quem vai resolver”, pela falta de disponibilidade (ou de interesse) da governadora Fátima e sua equipe. A frase simboliza a esperança de que o vice-governador possa, ao menos, colocar a casa em ordem antes da eleição de um novo chefe do Executivo.
A missão de Walter Alves não será fácil. Mas seu desempenho poderá influenciar diretamente no futuro político do Estado e na construção de uma nova narrativa para o RN pós-Fátima. Se conseguir imprimir um ritmo mais dinâmico, voltado à resolução de problemas reais da população, poderá sair do governo com a imagem fortalecida — mesmo sem buscar um novo mandato.
A partir de abril de 2026, o Rio Grande do Norte terá a oportunidade de experimentar um novo estilo de governo, mesmo que temporário. A pergunta que fica é: Walter Alves vai conseguir resolver?
Foto: Divulgação
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