Por Danilo Bezerra – dnlbzrr@gmail.com
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Dois educadores da rede pública estadual do Rio Grande do Norte estão entre os concorrentes do Prêmio Jabuti 2025, o mais tradicional prêmio literário do Brasil. Com obras que refletem a realidade e os desafios vividos nas escolas públicas, os professores Késsia Pessoa e José Osório de Lima Filho levaram suas experiências para o universo literário e agora disputam nas categorias Educação e Biografia e Reportagem, respectivamente.
A força da escola pública contada por quem vive a transformação
Gestora da Escola Estadual 4 de Março, localizada em Canguaretama, a professora Késsia Pessoa é autora do livro “Uma escola que sente: narrativas reunidas”, inscrito na categoria Educação. Na obra, ela compartilha a trajetória de reinvenção da escola, que passou de uma unidade ameaçada de fechamento por baixa procura para uma referência no município.
“Construímos a escola junto com a comunidade, daí o sentimento de pertencimento. A diferença da escola é o trabalho em equipe”, conta Késsia, que liderou um processo de escuta ativa, elaboração de plano de ação estratégico e envolvimento direto dos professores e das famílias. “Quero que as pessoas acreditem, de fato, na Educação. É uma luta que todos devem assumir.”
A transformação é visível nos números: a escola saltou de apenas 50 estudantes matriculados para quase 400. O trabalho rendeu prêmios, como a vitória na Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef), além de reconhecimento internacional, com visitas da Unesco e Unicef. O Ministério da Educação também reconheceu o destaque da unidade e a convidou para representar o RN em evento nacional.
Um relato impactante sobre saúde mental
Já o professor mediador de leitura José Osório de Lima Filho, da Escola Estadual de Tempo Integral Professor Antônio Dantas, em Apodi, concorre na categoria Biografia e Reportagem com a obra “A Morte Social do Indivíduo – A história nua e crua de um esquizofrênico sofredor”, publicada pela Editora Paruna Libres (SP).
Com base em uma história real, o livro traz uma profunda reflexão sobre os impactos da esquizofrenia e da exclusão social no Brasil. “É uma obra que mostra uma anamnese e uma catarse, demonstrando como ocorreu o processo de superação e, consequentemente, de conquista”, afirma o autor.
Natural de Apodi, Osório é graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), especialista em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes (RJ), além de professor de karatê e faixa preta da Associação Shoto Tigre de Karatê (ASTK). “Fiquei emocionado e confiante com a notícia que meu trabalho tinha sido indicado”, destacou.
Reconhecimento da rede estadual de ensino
A indicação dos dois professores foi celebrada pela secretária de Estado da Educação, Socorro Batista. Para ela, o feito representa não apenas a valorização de educadores potiguares, mas a comprovação do papel transformador da escola pública.
“Ver nossos professores concorrendo ao Prêmio Jabuti é um marco histórico para a educação do Rio Grande do Norte. São histórias reais, escritas com coragem e vividas na sala de aula. Isso mostra que a escola pública transforma vidas, inclusive a dos próprios educadores. Estamos muito orgulhosos”, afirmou a gestora.
Caminho até a final do Prêmio Jabuti
A próxima etapa do Prêmio Jabuti será a divulgação da lista de semifinalistas, feita pela Câmara Brasileira do Livro. Caso avancem, os professores potiguares estarão entre os convidados do evento final, que reúne os principais nomes da literatura nacional em uma cerimônia de prestígio no cenário cultural brasileiro.
A presença de obras sobre educação e saúde mental entre os indicados à premiação mais importante da literatura brasileira reforça o poder da escrita como ferramenta de denúncia, transformação e esperança. Os relatos de Késsia e Osório representam não apenas conquistas individuais, mas o reconhecimento de um trabalho coletivo que transforma comunidades inteiras a partir da escola pública.
Foto: Ilana Brajterman/ASSECOM/SEEC

Sobre Danilo Bezerra, colunista do Por Dentro do RN
Interface é a coluna onde tecnologia, aviação, sociedade e educação se cruzam. Um espaço para refletir sobre como a inteligência artificial transforma nossas rotas, como as inovações decolam (ou colapsam) no setor público e privado, e como tudo isso impacta a forma como aprendemos, nos movemos e nos conectamos. Aqui, análise crítica e informação qualificada ganham altitude.






