Fila de cirurgias no RN ultrapassa 33 mil pacientes no SUS

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Sistema público de saúde do Rio Grande do Norte enfrenta alta demanda por procedimentos cirúrgicos eletivos, com destaque para casos vasculares e dermatológicos

Fila de cirurgias no RN ultrapassa 33 mil pacientes no SUS

Sistema público de saúde do Rio Grande do Norte enfrenta alta demanda por procedimentos cirúrgicos, com destaque para casos vasculares e dermatológicos

Fila de cirurgias no RN ultrapassa 33 mil pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). 

O estado do Rio Grande do Norte registra atualmente mais de 33 mil pacientes na fila de espera por cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS). Os procedimentos vão desde intervenções dermatológicas simples até cirurgias ortopédicas, oftalmológicas e vasculares de alta complexidade. Apesar do aumento na quantidade de cirurgias realizadas nos últimos anos, a demanda reprimida permanece elevada.

Em maio de 2023, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) contabilizava cerca de 27 mil pessoas aguardando por cirurgias. Desde então, houve um acréscimo de aproximadamente 6 mil pacientes, representando um crescimento de 22%. A audiência pública realizada pela Comissão de Finanças e Fiscalização da Assembleia Legislativa, em 13 de agosto, abordou o tema. Durante o encontro, o secretário estadual de Saúde apresentou dados do último quadrimestre, destacando que, embora o número de procedimentos tenha aumentado, a fila continua praticamente estável.

Em 2024, o estado realizou cerca de 90 mil cirurgias, sendo 16 mil diretamente pela Sesap. Mesmo com esse volume, a fila não apresentou redução significativa. As especialidades com maior concentração de pacientes são as cirurgias vasculares e urológicas. No caso das vasculares, há 207 pessoas na fila, muitas em estado avançado de complicações relacionadas ao diabetes. Entre janeiro e junho de 2025, foram registradas 345 amputações no estado, em sua maioria associadas à insuficiência vascular.

A atenção básica, de responsabilidade dos municípios, tem papel fundamental na prevenção de casos graves. A falta de acompanhamento adequado contribui para o agravamento de doenças crônicas, como o diabetes, que poderiam ser controladas antes de evoluírem para quadros cirúrgicos.

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Segundo dados do Sistema Regula Cirurgia, da Sesap, os procedimentos mais solicitados incluem:

  • Tratamento cirúrgico de varizes (bilateral): 2.439 pacientes
  • Exérese de tumor de pele, cisto sebáceo e lipoma: 2.192
  • Colecistectomia: 2.147
  • Histeroscopia diagnóstica: 1.445
  • Hernioplastia umbilical: 1.384
  • Postectomia: 1.209
  • Histerectomia total: 1.093
  • Plástica mamária feminina não estética: 976
  • Miomectomia: 790
  • Ureterolitotripsia: 689

Esses números refletem diferentes necessidades clínicas, mas têm em comum o impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. A espera prolongada pode resultar em dor, perda de mobilidade, incapacidade laboral e agravamento do quadro clínico.

O processo de regulação das cirurgias envolve múltiplas etapas: avaliação na atenção básica, encaminhamento ao especialista e posterior regulação para o procedimento. A ausência de exames complementares, a limitação de vagas em hospitais habilitados e a escassez de profissionais especializados são fatores que dificultam o fluxo.

A fila é considerada dinâmica, variando conforme o tipo de cirurgia e a complexidade envolvida. Muitos pacientes já passaram por procedimentos anteriores e continuam na lista para novas intervenções. As cirurgias vasculares são realizadas principalmente por meio de contratos com o Hospital da Polícia e o Hospital Santa Catarina, que enfrentam limitações estruturais e de pessoal.

Parte dos procedimentos é determinada por ordem judicial, exigindo remanejamento constante de recursos e ajustes nas agendas hospitalares. Em 2024, o custo das cirurgias eletivas foi de R$ 54 milhões, com previsão de aumento para R$ 64,8 milhões em 2025.

A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do RN (Cosems/RN) destacou que o aumento do orçamento precisa ser acompanhado por melhorias estruturais, integração entre estado e municípios, fortalecimento da rede hospitalar regional e da atenção primária.

Mesmo com programas federais de incentivo financeiro, ainda há gargalos em regiões específicas e em cirurgias mais complexas, como urológicas e tireoidectomias. Alguns municípios têm arcado com os custos de cirurgias com recursos próprios, diante da insuficiência do programa estadual.

A unificação dos sistemas de cadastro de cirurgias no Regula RN contribuiu para o crescimento aparente da fila, que agora apresenta dados mais consolidados. Muitos procedimentos só são realizados via rede privada, por meio de cooperativas médicas, devido à baixa remuneração oferecida pelo SUS para cirurgias complexas.

A fila inclui também procedimentos considerados simples, como a exérese de tumor de pele, que soma mais de duas mil pessoas aguardando atendimento. A priorização de casos graves tem deixado pacientes com lesões benignas sem atendimento, evidenciando a necessidade de reforço na prevenção.

Fotos: Divulgação

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