Ministro do STF reafirma continuidade das investigações contra Bolsonaro mesmo após sanções impostas pelo gove
Alexandre de Moraes sancionado pelos EUA afirma que não vai recuar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, declarou em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post que não pretende recuar em suas decisões judiciais, mesmo após as sanções impostas pelos Estados Unidos. A entrevista foi publicada nesta segunda-feira (18) e aborda o impacto das medidas aplicadas pelo governo de Donald Trump.
Sanções contra Alexandre de Moraes foram aplicadas pela Lei Magnitsky
As sanções foram baseadas na Lei Magnitsky, utilizada pelo governo norte-americano para punir estrangeiros acusados de violar direitos humanos. Com isso, Moraes teve bens bloqueados nos EUA, ficou proibido de realizar transações com empresas e cidadãos americanos, e não pode utilizar cartões de crédito de bandeiras norte-americanas
Moraes mantém investigações contra Bolsonaro e aliados
Na entrevista, Moraes afirmou que continuará conduzindo os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, sem qualquer tipo de recuo. Ele declarou que “não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro sequer”
O ministro também destacou que as ações judiciais seguem os trâmites legais e que as decisões serão tomadas com base nas provas apresentadas.

Em solenidade na tarde desta quarta-feira (22), o ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes foi empossado como 168º ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Nomeado em fevereiro para o cargo, o jurista substitui o ministro Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo em 19 de janeiro.
O ministro Alexande de Moraes.
Washington Post destaca atuação de Moraes como “xerife da democracia”
O Washington Post descreveu Moraes como uma figura central na defesa da democracia brasileira, chamando-o de “xerife da democracia”. A reportagem mencionou sua atuação em casos como o bloqueio de redes sociais, a prisão de parlamentares e o afastamento de autoridades após os atos de 8 de janeiro de 2023.
O ministro atribuiu parte das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos à disseminação de narrativas falsas nas redes sociais, especialmente por aliados de Bolsonaro. Segundo Moraes, essas ações prejudicam o relacionamento histórico entre os dois países
A Primeira Turma do STF marcou para setembro o julgamento do núcleo central da suposta trama golpista envolvendo Bolsonaro. O ex-presidente está em prisão domiciliar desde 4 de agosto e será julgado entre os dias 2 e 12 de setembro
Na entrevista, Moraes comparou os contextos históricos do Brasil e dos EUA, destacando que o Brasil enfrentou ditaduras e tentativas de golpe, o que exige uma atuação firme para proteger a democracia. Ele afirmou que “quando você é mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”.
Moraes critica desinformação e tensões diplomáticas
O ministro atribuiu parte das tensões entre Brasil e Estados Unidos à disseminação de narrativas falsas nas redes sociais, especialmente por aliados do ex-presidente. Segundo Moraes, essas ações prejudicam o relacionamento entre os dois países, que historicamente mantêm alianças estratégicas em diversas áreas, como comércio, defesa e meio ambiente.
Ele também apontou que a desinformação tem sido usada como ferramenta política para deslegitimar decisões judiciais e enfraquecer instituições democráticas. Moraes defendeu que o combate à desinformação deve ser feito com base na legislação vigente e no respeito aos direitos fundamentais.
STF julgará tentativa de golpe em setembro
A Primeira Turma do STF marcou para setembro o julgamento do núcleo da suposta tentativa de golpe. Bolsonaro será julgado junto com outros envolvidos, incluindo ex-ministros e militares. O processo inclui depoimentos, documentos e registros de comunicações que indicam articulações para interferir no resultado das eleições e na posse do presidente eleito.
Moraes afirmou que o processo seguirá conforme o devido processo legal, com base em provas e testemunhos já coletados. Ele também reforçou que o Judiciário brasileiro atua com independência e que não aceitará pressões externas para alterar o curso das investigações.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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